Personagens

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Esses dias vi uma foto da familia Obama se despedindo da Casa Branca e abaixo da imagem todos os comentários elogiavam o presidente, suas filhas e – em especial – sua mulher Michelle. “Linda”, “maravilhosa”, “discreta”, “feminina”, “nobre”, “educada”. Michele parece ser o escoadouro para onde fluem todas as virtudes, principalmente as que mais fazem falta no cenário político atual.

Entretanto, eu proporia uma reflexão. Há muitos anos escutei de uma colega estudante de medicina rasgados elogios a um médico, o qual eu conhecia vagamente dos plantões. Ele não me parecia grande pessoa, mas não duvidei da minha colega, apenas resolvi perguntar que tipo de critério ela havia usado para classificá-lo como “grande profissional”.

Ela, obviamente, se ofendeu com minha pergunta. Questionar a origem de um apreço parece um desmerecimento. Mas não era; tratava-se da legítima curiosidade em saber as razões dessa admiração. Insisti e acabei descobrindo algo muito interessante.

Ela não sabia explicar. Não tinha NENHUM dado objetivo. Não o conhecia pessoalmente, não havia feito plantões com ele, não sabia de detalhes de sua prática. Não tinha sequer assistido uma aula sua. Então por que esse conceito positivo?

Seu conceito positivo sobre o colega havia surgido apenas por tê-lo escutado falando de sua prática. A forma como descreveu o que fazia, como fazia e porque fazia. Não havia nenhuma experiência verdadeira, apenas o discurso. Claramente a imagem que ela fez dele se adaptou à sua fantasia de profissional de sucesso. Pode-se acrescer a isso as roupas, a gravata, o jaleco branco impecável, o estetoscópio Litman, as canetas coloridas no bolso, o crachá do hospital, a brilhantina no cabelo e o linguajar científico e firme

 

Em outras palavras: nada de objetivo, apenas uma imagem construída de qualidade e sofisticação. Eu entendi que ela admirava um produto que ELE nos vendia, com claro sucesso. Mas ficava para mim a pergunta: o que existia de verdadeiro por trás daquela gravata italiana e daqueles termos médicos empolados? O que existia de médico para além daquela propaganda bem construída?

 

Voltando à Michelle…  o que nos faz achar que ela é uma “grande mulher”? Por concordar com nossas ideias? Por ser negra? Por ser discreta? Por ser mãe? Por se adequar ao que imaginamos ser uma primeira dama? Por algo que efetivamente fez? Por ser “feminista”? Por falar bem em público? Por estar “do nosso lado”?.

A verdade é que nos apaixonamos por PERSONAGENS!!!! Quantas vezes as atrizes da Globo são adoradas pelos papéis que incorporam, mas não foram poucas as vezes em que o contrario ocorreu: serem atacadas quando atuam como pessoas más. Lembro de Beatriz Segall sendo agredida no Rio quando atuava como Odete Roitmann (os velhos vão lembrar). Porém, as luzes do personagens nos seduzem demais e podem ser enganosas. Essa é a minha preocupação com estas figuras publicas: pouco ou nada sabemos delas. A face pública pode ser uma máscara que esconde um interior pouco recomendável, mas o contrário também é verdadeiro: uma face feia com uma energia espetacular. Só a prática e a ação podem mostrar o que se esconde por detrás das fantasias.

Qual a opinião dos palestinos, sírios, afegãos e iraquianos sobre esta grande mulher? O que ela realmente fez para o mundo, para as mulheres e para o seu país?

O que existe de verdade por dentro dos vestidos bem cortados? O que há de grandiosidade e caráter por trás de um sorriso generoso? 

Propaganda? Uma mulher de valor?

Nao se ofenda…  é uma pergunta honesta.

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Arquivado em Pensamentos, Política

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