Tempos

No futuro, quando a sexo descompromissado exterminar todas as relações monogâmicas e o casamento, minhas ideias e meus escritos serão jogadas no lixo sob o pretexto de que eu não passava de um monogamista que defendia a escravidão sexual.

Jeffrey Doll, “Sexual Boredom”, Ed Fishbone, pag 135

Jeffrey Edmund Doll é um escritor nascido em Tulare, Califórnia, em 1930. Parceiro de aventuras de Jack Kerouak, homossexual assumido e usuário de drogas, Jeffrey cursou o caminho dos heróis da contracultura. Escreveu uma literatura agressiva e que visava abalar as estruturas da sociedade capitalista, hipócrita, heteronormativa e castradora em que vivia. Seus livros são maravilhosos exemplos de violência contracultural, em especial “Epiphany of a Dreaded Civilization”. Nessa passagem de “Sexual Boredom” ele questiona os anacronismos sobre a sexualidade, em especial quando o comportamento do sujeito de um determinado tempo é julgado pelos padrões morais de séculos à sua frente. No caso do livro, esta conversa ocorre entre o almirante Sebastián e o capitão LaCrosse e se refere a paixão fulminante deste último pela bela escrava nigeriana Latiffa; o romance tórrido entre um marinheiro cinquentão e uma menina de 16 anos. Sebastián, um cristão convicto e temente a Deus, defendia LaCrosse da acusação de adultério feita por seus colegas oficiais. Ao ser confrontado com as sagradas escrituras deixou claro que um homem só podia ser julgado fora de seu tempo e de suas circunstâncias. Apontou para o corpo semi-despido da menina e arrematou dizendo não haver uma linha sequer nas palavras de Deus que condenasse o amor de um homem por uma mulher. Apesar da defesa irretocável, o capitão LaCrosse foi condenado ao desterro no Haiti, o que o deixou humilhado e destroçado, a ponto de cometer o suicídio pouco após ter sido deixado na ilha caribenha. O livro então passa a se concentrar na dualidade dos sentimentos de Latiffa e questiona as noções de contemporâneas de liberdade, amor e desejo. Jeffrey E. Doll faleceu em 1980, em Los Angeles, por uma overdose de heroína.

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