Moedinhas

Reflita: quando artistas e empresários doam remédios, cilindros de oxigênio, roupas e brinquedos para os necessitados durante calamidades como a que hoje estamos atravessando, eles apresentam sua caridade no Instagram e a chamam de “solidariedade”. Ainda nos fazem reclamar de outros empresários ou jogadores de futebol que nada fizeram para diminuir a dor dos desvalidos. Surge uma competição estúpida entre aqueles que são os “bons” e os “maus” milionários.

Estas doações são, via de regra, grandes ações de marketing para alavancar a imagem dos milionários. Nada de novo na história do capitalismo. Doam uma fração minúscula de seus ganhos diários para servir de alimento ao noticiário sensacionalista. Infelizmente, continuamos a nos ajoelhar diante das moedinhas jogadas por Rockefeller.

Todavia, essa máscara de benevolência não é o pior resultado deste tipo de exaltação midiática dos “benfeitores”. Com este tipo de manipulação reforçamos a ilusão de que a solução para as graves e insolúveis contradições do capitalismo se encontra na boa vontade dos ricos capitalistas em distribuir algumas migalhas e não na luta de classes e na justa distribuição das riquezas produzidas pelos trabalhadores de todo o mundo.

A caridade mantém intacta a injustiça, mas lhe oferece uma máscara reluzente – e falsa – de virtude. Em uma sociedade equilibrada, fraterna e igualitária nenhum ato caridoso seria necessário, pois a justiça social e a distribuição correta da riqueza já nos teria tornado – de fato – irmãos.

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