
Direita e esquerda são irmãos
Que se atacam como inimigos
Se ofendem e lastimam
Na fogueira das paixões
Seus corações pegam fogo e depois
Não há nada que os apague
Mas no fundo são duas peças
da mesma engrenagem.
Para os dois cabe cuidar
Da saúde combalida do velho
Cuja vida está por um fio
Os dois brigam, se mordem
Latem e se xingam
Porque não sabem que o velho
Já não tem mais nenhum tostão
Pois a fortuna de outrora
Que o fazia luzir e girar
Foi gasta em remédios
Para uma doença sem cura
Agora só resta dela
A arrogância e o fulgor
Que embala sua memória.
E o medo, que não disfarça
De que os dois irmãos
Um dia descubram
Seu segredo.