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Desapego

O pensador Sêneca, pintura de Rubens, Sec. XVII

“O Mestre Mahatma Gandhi nos ensinou que a vida na simplicidade era muito mais feliz e plena. Muito antes dele Sêneca, pensador romano, já nos mostrava que “a pobreza não está na falta de recursos, mas na multiplicidade dos desejos”. Não somos pobres por termos pouco, mas por desejarmos demais, nem ricos por termos tudo, mas por encontrar satisfação e alegria nas minúsculas aquisições.

Assim, a busca pela riqueza nos oferece dois caminhos distintos e opostos: a profusão ilimitada de bens, acumulados no limite possível do espaço para guardá-los, ou o desapego de todas a coisas materiais, no limite das necessidades básicas de sobrevivência. No matiz que se produz entre estes polos extremos estamos nós, entre a sedução ofuscante da matéria reluzente e a consciência cada vez mais vívida de que tudo o que possui real valor na vida nos é dado de forma gratuita.”

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Arquivado em Pensamentos

Violência gera violência

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Eu entendo a indignação de quem se horroriza com algumas atitudes que são cometidas contra mulheres e seus filhos. Eu também me solidarizo com todas as mulheres que tiveram seus sonhos rasgados por uma cultura que criminaliza o afeto, a proximidade, a doçura e estimula o autoritarismo. Entretanto, concordo com o meu amigo Luis Tavares de que a nossa resposta NÃO pode ser no mesmo nível vibratório. Xingar profissionais, atacá-los, processá-los (como algumas pessoas estão sempre prontas a sugerir) pode apenas recrudescer a violência, fazendo com que aumente a distância entre cuidadores e clientes.

Nos Estados Unidos temos exatamente este cenário: processos diários, e por qualquer razão, cheios de ódio, ressentimento e (como evitar?) oportunismo de pacientes e advogados espertos. O resultado é uma catástrofe: médicos encaram seus pacientes como potenciais inimigos, e os pacientes desconfiam de seus médicos, imaginando-os torturadores arrogantes e insensíveis. Desarmamento dos espíritos – e não a insensata e compulsiva confrontação – é a chave. Sei que minhas palavras podem parecer uma fraqueza, mas já vi como a guerra funciona. Não há saída para este tipo de cilada: “eu desconfio de você e por isso você age apenas para se proteger, e não para NOS proteger”. Por favor: prestem atenção nas palavras dos poetas, pois ele tem muito a nos ensinar. Aliás, onde o entendimento cru e racional patina, a poesia desliza.

Há muito que se critica a passividade feminina diante dos desmandos sobre seus corpo, sua autonomia, sua liberdade e sua sexualidade. Ninguém suficientemente honesto deixa de perceber o quanto ainda temos que progredir para alcançar uma sociedade igualitária para os gêneros. Mas lembrem-se, que reagir a uma situação como essa não significa usar as mesmas armas do agressor. Reagir não é o mesmo que “contra-atacar”. Indignar-se não é o mesmo que usar a Lei de Talião, onde um olho vazado se trocava por outro, um dente também. Reagir significa agir em resposta, mas esta resposta PODE SIM ser repleta de compreensão, carinho ternura e…. FIRMEZA. Em Gandhi, temos a resposta e o exemplo de sucesso; a resistência pacífica dos Palestinos desarmados, também. Podemos responder aos médicos cesaristas com palavras, críticas de nível, artigos, blogs, páginas do Facebook e tantas outras formas de ativismo sem generalizar (os “médicos maus”, as “pacientes vítimas”) e sem crucificar.

Existem sim alternativas. A violência gera mais violência. Podemos educar (os médicos, os pacientes e a sociedade) sem PALMADAS !!! Para isso é importante paciência e “paralaxe” (a capacidade de ver o que o outro vê, por suas próprias perspectivas).

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