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Terror

Muitos associam, anda hoje, o ativismo palestino com o terrorismo, um fenômeno dos anos 80. Citam o recente ocorrido em 7 de outubro, os homens bomba dos anos 80 e o ataque aos atletas olímpicos de Israel. Sim, esta última foi uma ação heroica e arriscada de um comando Palestino contra atletas de Israel em Munique. Não vou justificar ações terroristas, por certo, mas o que sempre me impressiona com as pessoas que criticam o terrorismo (que deve ser mesmo questionado) é porque nunca se perguntam as razões pelas quais jovens realizam ações desta natureza, inclusive suicidas. É como se chamá-los de “loucos” ou “fanáticos” fosse suficiente para explicar a motivação para tais atos.

A resposta está no “fugdán al-amal”, um termo usado na Palestina para descrever uma sensação de profunda desesperança e a perda da vontade de viver. Este estado de espírito se segue aos traumas psíquicos decorrentes da morte das pessoas a quem amamos. Por isso os exemplos dados, como 7 de outubro e as Olimpíadas de 1972 soam tão ridículos e até infantis porque dão a entender que as ações terroristas surgiram do nada, criadas por geração espontânea, tão somente pela “maldade” ou “crueldade” de “fanáticos”. Seriam levadas à cabo por sujeitos degenerados movidos por crenças místicas.

Quem afirma isso não entende nada de seres humanos e apenas desnuda um profundo desconhecimento da realidade Palestina. Não há mais como negar a realidade. Hoje em dia o que era escondido foi tornado visível com o advento da Internet, em especial o genocídio Palestino, os ataques terroristas à Cisjordânia e a destruição de Gaza. Acreditar que o motor da reação palestina é o “fanatismo” não passa de uma ofensa à memória das décadas de horror contra o povo palestino.

Na verdade, para a ocorrência dos atos de terror como estes citados é preciso que a situação seja tão deteriorada e humilhante que até atos extremos e terríveis como estes passam a fazer sentido. Até mesmo a mais primitiva das pulsões – a preservação da própria vida – se torna desimportante diante da dor e da desesperança. Somente depois de anos de assassinatos, mortes, sequestros, violência, abusos e humilhações estas ações passam a fazer sentido no campo simbólico de um povo. Esta é a linha final de um sofrimento insuperável, não seu início.

Eu pergunto: se você tivesse seus pais mortos num bombardeio covarde, sua mulher abusada por soldados num check-point, seus filhos espancados indo para a escola, seus irmãos presos e estuprados numa masmorra de Israel e sua vida fosse miserável desde as suas primeiras e mais remotas lembranças, não consideraria um ato extremo de terror, diante da evidência de que nada que foi tentado resolveu a sua dor e nada impediu o massacre continuado ao qual seu povo é submetido?

Responda com sinceridade…

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Arquivado em Causa Operária, Palestina

Hasbara, nova fase

Nas redes sociais continuam sendo disseminados argumentos alinhados ao sionismo liberal, principalmente agora, quando não há mais como esconder o horror e a matança patrocinada pelos sionistas. Entretanto, fica muito claro que esse discurso não cola mais. Todo mundo já sabe que essa é a tática do sionismo internacional por meio da nova fase da Hasbara. Os colonos, em especial a elite ashkenazi, são os principais porta-vozes dessa narrativa. Estes são os colonos europeus – em especial do leste – que se especializaram em roubar terras palestinas financiaram o colonialismo europeu no Oriente Médio, nada muito diferente do que foi feito pelos franceses na Argélia ou pelos Portugueses em Angola.

Cabe a nós, a esquerda consciente, dizer “chega!!” para esses argumentos requentados, que tratam toda crítica ao terror israelenses como antissemitismo; ninguém mais aceita cair nessas armadilhas, em especial quando vem daqueles que nunca derramaram uma lágrima sequer pelas crianças de Gaza e da Cisjordânia e, pior ainda, culparam a resistência Palestina e o Hamas pelas mortes causadas pelo opressor.

E sim, cada vez que um sionista é morto em batalha ficamos mais próximos da paz, até porque ele deixará de matar dezenas de crianças palestinas e Israel perceberá que será varrida do mapa pelo resto do mundo se continuar seu governo de terror. Os sionistas liberais precisam “mudar o lado do disco”, pois ninguém mais aceita o discurso batido do “Netanyahu maldito”, ou criticar Ben Gvir ou Moshe Feiglin como se a culpa fosse somente deles ou da extrema direita supremacista, quando 90% da população de judeus israelenses apoia o massacre – e ainda acha que foi pouco. É a cultura supremacista e assassina que precisa ser combatida e extirpada do planeta. Para que sobrevenha uma palestina livre, com judeus, muçulmanos e cristãos vivendo em paz, como era antes da chegada dos branquinhos askenazis.

O governo de Israel é realmente o governo da extorsão, do terrorismo, do Mossad, das Torres Gêmeas, do Wainstein e do Epstein, com sua contumaz política de extorsão e de propina oferecida aos políticos americanos. Só esse tipo de poder pode explicar como 2% da população americana controlam os outros 98%. E isso nada tem a ver com a população judaica, mas com os sionistas que controlam as finanças e a mídia americanas, a ponto de criarem uma vertente bíblica falsa que produziu a escumalha dos cristãos sionistas.

E não adianta nos chamar de antissemitas. Entre nossos maiores ídolos estão inúmeros judeus. Aqui uma lista deles:

Marx
Freud
Einstein
Chomsky
Max Blumenthal
Schlomo Sand
Norman Finkelstein
Primo Levi
Owen Jones
Miko Peled
Gideon Levi

… e muitos outros nobres judeus que lutam contra a opressão na Palestina

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Arquivado em Palestina

Próteses

Acho que só eu olho para essas peças alienígenas com profundo horror. Sei que as pessoas vão dizer que isso é para o prazer, que a masturbação é um ato puro, que não há pecado em gozar etc. Não há como questionar isso. Vão também elogiar tais substitutos protéticos para o gozo a dois, dizendo que isso oferece uma sensação de pura liberdade.

Para mim não passam de modelos monstruosos, objetos que simbolizam o horror individualista neoliberal. São sintomas de uma era em que o encontro a dois é considerado um risco, não apenas físico, mas emocional. Amar alguém é um contrato de dor, acima de qualquer coisa. “Amar é sofrer”. Por esta razão, criamos uma humanidade cujo valor ético mais profundo passa a ser o “cada um por si”, e criamos substitutos cibernéticos do outro, robôs, imagens virtuais e pornografia para mitigar a solidão.

Os novos produtos femininos em nada diferem das bonecas infláveis, “mulheres” objetualizadas (literalmente) pelas quais incels chegam a se apaixonar – e até casar. Próteses de variados tamanhos para oferecer o prazer que o outro sonega. Um objeto de desejo pelo qual não há o sofrimento por um provável abandono. No máximo lamentamos a espera da entrega pela FedEx.

Não vejo nada de errado em vender esses produtos. Afinal, há mercado para eles – em especial na pandemia. Mais ainda, não se trata de criticar as pessoas que usam esses aparelhos, mas analisar tais práticas, pois elas possuem significados importantes e profundos na cultura. Entretanto, confesso que fico muito triste ao ver alguém os comprando. Mais do que um sucesso de mercado, são sintomas de uma degenerescência da humanidade, um passo adiante para o seu extermínio.

Escrevi um outro texto sobre o tema, que pode ser lido aqui.

PS: O texto não é uma crítica a quem usa estes “brinquedos”, mas uma pergunta à sociedade: o que estamos querendo dizer quando achamos natural que próteses substituam pessoas para atingir o prazer? Fico imaginando a gente mostrar para uma mulher indígena e explicar a ela o funcionamento. Talvez ela sinta o mesmo horror que eu sinto…

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Arquivado em Pensamentos

As Delícias do Parto

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Pela segunda vez em poucas semanas atendemos um parto (no hospital!) em que a mãe, imediatamente depois que o corpinho inteiro do bebê saiu, exclamou de forma espontânea: “Ai, que delícia!!”

Ai, que delícia!! ??????

Mas… não era para ser um horror?
Não era para elas se ajoelharem e pedirem uma analgesia?
Não era para ficarem aterrorizadas e marcarem uma cesariana ainda segurando entre os dedos trêmulos das mãos o teste de positivo de gravidez?

Não entendo…
Não era para ser uma dor excruciante, injusta, cruel e sem sentido?
Não era para ter a intensidade dolorosa de um dedo decepado?
Não era para ser como “defecar um tijolo”?
Onde cabe o conceito de “delícia” no sombrio cenário de parto que me foi ensinado na escola médica?
Onde “prazer”, “realização” e “superação” poderiam fazer sentido no modelo tecnocrático e biologizante que recebi nos bancos da universidade?

Eu pergunto:
Onde foi que perdemos o caminho do nascimento humano?
Onde foi que esta parte fundamental da sexualidade humana foi culturalmente deturpada?
Em que momento perdemos a mão, caímos soltos no espaço, sem referenciais e sem destino?
Onde foi que prostituímos o parto, encarceramos os corpos e sequestramos o prazer, a alegria e a felicidade de parir em paz e com dignidade?
Porque não podemos mais escutar dos nascimentos a verdade que neles se esconde?

Sim, a verdade por tantos sonegada é que esse momento pode ser uma “delícia”, desde que nós assim aceitemos.

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Arquivado em Ativismo, Parto