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Antipetismo

Qual é, afinal, o tamanho desse “antipetismo”? Lula terminou seu mandato com 87% de avaliação “bom e ótimo”. O PT produziu um candidato à galope e conseguiu 45 milhões de votos e a maior bancada do congresso. Todas as pesquisas indicavam a Vitória de Lula na eleição passada, quando foi vítima de um golpe jurídico-midiático de difamação.

O antipetismo é uma criação de mídia diante de uma real insatisfação de setores da classe média com o partido dos trabalhadores, mas com dimensões claramente infladas. Hoje sobrevive apenas com patéticos editoriais do Estadão para sobreviver. O PT é o maior partido de esquerda democrática do mundo, e tem mais seguidores do que todos os outros partidos somados. Tem diretórios em praticamente todas as cidades brasileiras e vários governadores no Nordeste.

A ideia do “antipetismo” é muito mais um desejo das classes dominantes do que o fracasso de um partido ou de suas propostas. Um partido que quebrou recordes de aprovação não poderia sucumbir em apenas uma década. Disseminar esse falso consenso sobre o PT e as esquerdas é atacar a realidade dos fatos e fazer o jogo dos conspiradores.

PS: não sou petista. Sou gremista…

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A derrota petista de 2016

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Pela lógica racionalista da “destruição do PT“, que se pode ver pela escolha maciça por um candidato da elite em São Paulo, o povo é evangélico, de elite, ladrão, gosta de apanhar da polícia e adora ver a merenda dos filhos ser roubada. Ora… nossas escolhas se dão de forma diversa do que nossa vã consciência determina, tanto na política quanto no amor.

Transformar a política nessa brincadeira racionalista acreditando que voto se dá com a razão, quando em verdade ele vem das tripas, é apenas demonstração de ingenuidade e pouco alcance visual. O voto contra o PT foi dado depois de uma ampla e extensa campanha midiático-jurídica de criminalização das aspirações populares, um avanço sem precedentes de todas as armas de propaganda contra o partido que, apesar de seus inúmeros defeitos e falhas, mudou a cara do Brasil.

Insistir na tese do “partido que dividiu o Brasil” (como se antes reinasse harmonia entre as classes sociais) ou ser o partido do “nós contra eles” é mais do que ingenuidade: é cegueira auto imposta. Esse Brasil SEMPRE teve donos, e a culpa do PT foi provar ao sujeito negro, pobre, miserável e faminto que esse país também lhe pertencia.

Infelizmente, os antigos donos inquestionáveis da nação não suportaram ver aquela “negrada suja” invadindo seus domínios, e o resultado em São Paulo ficou claro: vamos votar nos patrões, na política rasteira, na elite quatrocentona e vamos induzir o pobre e o evangélico – entorpecido pela propaganda – de que se trata de uma cruzada contra o Mal, o demônio e a cisão, e a favor da “paz entre donos e serviçais”.

Como eu disse anteriormente, não reclamo de urna. A vitória da banda podre da política brasileira, da elite empresarial e da impunidade deve servir para um grande aprendizado, em especial das esquerdas. Por muitos anos subestimou-se o poder da mídia de transformar qualquer sujeito social em um fantoche. Não se sabia também o poder imenso de um judiciário parcial em moldar o imaginário do povo. Também o poder da Igrejas em manipular as mentes e manter a população pobre das periferias encabrestada foi negligenciado, mas tudo isso servirá de ensinamento para o futuro, desde que sejamos capazes de aprender com os nossos erros.

Que não foram poucos.

O Brasil não colocou o PT no lixo… colocou o PT de castigo. Não há como destruir o PT, muito menos as utopias da esquerda, pois elas são como ervas daninhas: quanto mais se tira mais elas crescem. Não comemorem muito, antipetistas. Os ideais de equidade e justiça social não vão desaparecer pela onda moralista, fascista e racista que assola o mundo inteiro. Precisa mais do que um golpe para matar nossos sonhos.

O progresso é feito de avanços e retrações. Agora é o momento de recolher os cacos, chorar pelas ilusões perdidas, levantar a cabeça e reerguer o partido. E que as esquerdas tenham a sabedoria de construir um caminho onde as semelhanças sejam mais importantes do que as naturais diferenças.

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