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Desilusão

Minha experiência com ídolos da música e das artes em geral é que eu me decepciono em 90% das vezes que leio ou escuto uma entrevista que aborde algo além de seu trabalho. Quase nunca estes personagens oferecem as virtudes e a postura que eu desejaria encontrar em um ídolo. Muitos são reacionários, outros tantos são superficiais, alguns são claramente incultos e tolos e muitos outros são abertamente egoístas e oportunistas. Estas são qualidades tipicamente humanas, as quais igualmente carrego como marca de minha imperfeição, mas que me incomodam nos ídolos.

O erro, portanto, não está nestas porções de humanidade que os artistas carregam consigo, mas na idealização ingênua que sobre eles fazemos. Acreditar que um sujeito capaz de criar uma obra carregada de criatividade e genialidade tenha também qualidades morais e intelectuais é um erro, e os exemplos são encontrados em qualquer pesquisa que se faça. Por esta razão, a separação entre o autor e sua obra é uma postura sábia, necessária e madura. Sem esta linha demarcatória corremos o risco de criar barreiras morais para a arte e para a ciência. E pior: baseadas na nossa definição estreita e subjetiva de moralidade. Hoje penso que do artista é justo cobrar apenas sua arte, sua coerência e sua perspectiva de mundo. E, como diria meu pai, “Dele são as virtudes; já os defeitos são de de seu tempo”.

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Imperfeição

Li no Facebook a frase que dizia que “nossa insistência em sermos perfeitos é ilógica, porque os perfeitos não sabem amar”. Todavia, discordo desta frase; em verdade os perfeitos sabem amar, a questão é que sua condição faz com que não precisem amar.

Na minha perspectiva o amor surge exatamente do sentimento de falta, aquilo do qual o sujeito carece. Sendo a perfeição a ausência de falhas e a completude suprema, nada lhe faltaria ou lhe seria vedado.

Assim, amar para quê? Para suprir qual lacuna? Para tapar qual buraco na alma?

A imagem ao lado explica exatamente o que pretendo dizer…

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Perfeição

O cinema é um pouco responsável por esta visão idealizada das formas femininas. Ângulos, maquiagens, luz, filtros e agora o Photoshop nos dão essa ideia falsa das mulheres da tela. Lindas, perfeitas, eternamente jovens e sedutoras; deusas do sexo e da beleza. Nahhh, falso… mas ainda bem. A fotografia, me dizia Max, “é a arte das mentiras”, pois nos apresenta um fragmento de segundo e nos esconde todos os outros.

Cindy Crawford uma vez disse que adoraria ser “de verdade” como era representada nas propagandas. Ela não se reconhecia nas imagens de si mesma publicadas nas revistas femininas. Eu sabia; no fundo sempre foi tudo mentira, literalmente falso. É óbvio que Scarlett não é como aparenta; é claro também que chegando perto a gente enxerga a idade dos artistas. Quando se espantam com a longevidade da beleza cirúrgica de Cher eu sempre digo “deixe eu olhar pra ela às 7 da manhã, no trajeto entre a cama e o banheiro, que eu digo sua exata idade“.

A mentira não está no real, mas no caminho tortuoso que transita entre o objeto e nosso olhar, e de lá para a nossa mente. Todavia, não vejo sentido em reclamar dos pés de galinha, da barriguinha e dos “furinhos na bunda”. Aliás, o que torna Scarlett bonita, atraente ou “gostosa” é exatamente esta porção de imperfeição que podemos encontrar. Em verdade, talvez seja justo dizer que ela apenas se torna perfeita pelas suas imperfeições. Mais ainda: uma mulher sem imperfeições – onde seja possível pendurar nosso desejo – é um objeto estéril, insosso e inodoro. Serve apenas como uma fotografia em uma parede de borracharia.

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