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O Dia em que a Terra Parou

Assisti esse filme na adolescência e ele ficou marcado na minha memória. Nunca esqueci o robô Gort e sua mensagem imperialista em um filme lançado logo depois do final da II guerra mundial, anunciando como seria a política externa americana. Spoiler: os americanos, no filme, não são eles próprios, mas os alienígenas trazendo uma “stela pace”, uma paz estelar através do imperialismo e do colonialismo cultural.

Quando adolescente li escrito no muro de um terreno baldio perto do Hospital de Clínicas a frase “Klaatu Barata Nikto” e fiquei emocionado ao ver que mais alguém se lembrava desse filme. Tive vontade de conhecer o cara que fez a pixação para trocar umas ideias.

Pois… só muitos anos depois foi possível rever o filme. Não existia possibilidade de assistir um filme do passado a não ser torcendo para cair na programação da madrugada. Hoje a internet nos oferece essa oportunidade num piscar de dedos, e isso é um milagre.

Hoje resolvi assistir de novo “The Day the Earth Stone Still” (o original, claro) com Michael Rennie, porque estamos numa situação semelhante. A Terra, efetivamente “parou” e precisamos rever nossos passos até aqui. É necessário repensar os modelos econômicos e criar novas vias fora do capitalismo. Esse modelo chegou ao seu esgotamento, e uma nova era está nos pródromos aguardando ser parida.

SPOILER ALERT: uma curiosidade do filme. No livro que baseia o filme, quando Klaatu baleado e é carregado para a nave um dos terráqueos presentes se dirige ao robô Gort e diz: “Desculpe-nos por termos matado seu amo”, ao que o robô responde “Creio que vocês estão enganados ou não entenderam; o amo sou eu”. Essa parte GENIAL do livro foi suprimida e não aparece na versão do cinema.

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Perfeição

O cinema é um pouco responsável por esta visão idealizada das formas femininas. Ângulos, maquiagens, luz, filtros e agora o Photoshop nos dão essa ideia falsa das mulheres da tela. Lindas, perfeitas, eternamente jovens e sedutoras; deusas do sexo e da beleza. Nahhh, falso… mas ainda bem. A fotografia, me dizia Max, “é a arte das mentiras”, pois nos apresenta um fragmento de segundo e nos esconde todos os outros.

Cindy Crawford uma vez disse que adoraria ser “de verdade” como era representada nas propagandas. Ela não se reconhecia nas imagens de si mesma publicadas nas revistas femininas. Eu sabia; no fundo sempre foi tudo mentira, literalmente falso. É óbvio que Scarlett não é como aparenta; é claro também que chegando perto a gente enxerga a idade dos artistas. Quando se espantam com a longevidade da beleza cirúrgica de Cher eu sempre digo “deixe eu olhar pra ela às 7 da manhã, no trajeto entre a cama e o banheiro, que eu digo sua exata idade“.

A mentira não está no real, mas no caminho tortuoso que transita entre o objeto e nosso olhar, e de lá para a nossa mente. Todavia, não vejo sentido em reclamar dos pés de galinha, da barriguinha e dos “furinhos na bunda”. Aliás, o que torna Scarlett bonita, atraente ou “gostosa” é exatamente esta porção de imperfeição que podemos encontrar. Em verdade, talvez seja justo dizer que ela apenas se torna perfeita pelas suas imperfeições. Mais ainda: uma mulher sem imperfeições – onde seja possível pendurar nosso desejo – é um objeto estéril, insosso e inodoro. Serve apenas como uma fotografia em uma parede de borracharia.

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