Arquivo da tag: mentiras

Magnólia Chernobyl

(Uma história baseada em fatos reais)

  • Oi linda, preciso te perguntar uma coisa…
  • Oi, meu amor, manda.
  • Conhece Magnólia Chernobyl?
  • A blogueira? Sim, curto muito os textos dela.
  • Miga, vai descurtindo…
  • Por quê??
  • Vou te mandar o último texto dela pelo whats…
    …….
  • Leu?
  • Li sim, achei bom
  • Bom???? Você concorda com o que ela escreveu???
  • De certa forma sim. Não usaria aqueles termos, e talvez ela tenha sido dura em demasia, mas em essência eu acho que ela está correta. Tem que atacar esses caras mesmo; são pessoas que mais atrapalham nossa luta do que auxiliam. No merci!!!
  • Não acredito que estou lendo isso de você. Não importa o que ela “quis” dizer, mas o quanto isso pode nos atingir. Não percebe??
  • Mas autocrítica é essencial!!! Alguém precisava dizer. Podemos estar indo para um caminho muito errado!!! Ela colocou o sino no pescoço do gato!!
  • Não interessa!! Deixe as críticas para os inimigos!! Precisamos nos proteger!! Ela não tem o direito de falar essas coisas em público. Quem ela pensa que é?
  • Mas é apenas sua perspectiva, sua maneira de ver essa questão. Além do mais, ela está nessa luta há mais tempo que qualquer uma de nós. Como pode pensar em “cancelar” alguém pela sua opinião discordante? Que tipo de tirania é essa? Que movimento monolítico é esse que vocês pensam criar?
  • Então agora os culpados somos nós?
  • Ninguém é culpado!!! São opiniões, perspectivas, pontos de vista!! Se você analisar bem os objetivos de Magnólia são iguais aos seus ou os meus. Ela apenas escolheu uma forma diferente – provavelmente minoritária e contra-hegemônica – mas igualmente honesta e válida de enxergar a nossa questão. Se ela estiver errada, o tempo dirá. Mas silenciar divergências é pura arrogância e preconceito!!
  • Jamais vou aceitar de volta essa traidora ou suas palavras…
  • Traidora??? Do que você está falando?? Que análise moral é essa? Discordar é traição? Ter uma visão diferente a coloca como uma mentirosa, falsa ou oportunista?
  • Eu acho mesmo que foi bom termos esta conversa. Agora sei bem quem você é. Antes disso eu a considerava uma pessoa com limitações, mas agora vejo que entre você e Magnólia não há praticamente nenhuma diferença. Vocês são da mesma laia, vieram da mesma lama. Traidoras, desonestas.
  • Bem, se é assim que pensa de mim pode me colocar na sua lista negra. Quem sabe sou mesmo isso tudo que você descreveu. Apenas me surpreende sua ingenuidade de não ter percebido estas minhas falhas morais em tantos anos de convivência.
  • Eu estava cega. – (Block)
  • Boa sorte – (sua mensagem não pôde ser enviada)

Deixe um comentário

Arquivado em Ficção

MBE

Medicina Baseada em Provas é uma MERDA, mas superior à todas as suas competidoras. Não se trata de desmerecer as evidências colhidas para a formulação de protocolos, mas lembrar que “evidente” é aquilo que é visível, pode ser visto e comprovado. Mas quando a verdade é escondida, como poderá ser “evidente”?

A verdadeira postura científica cartesiana é o ceticismo contumaz e metódico. Já dizia um verdadeiro cientista que “A ciência é feita com a dúvida, e as certezas foram dadas pelo criador aos homens como prêmio de consolação às mentes frágeis”.

Veja mais aqui sobre a Corrupção da Medicina pretensamente baseada em evidências.

Deixe um comentário

Arquivado em Medicina

Mentiras

“Tenho uma certa inveja das pessoas que reconhecem em si tantas virtudes. Falam com genuína honestidade sobre suas ações justas, sua força, sua persistência e a nobreza de suas ações. Percebem, em si mesmas, a coragem e a humildade que norteiam seus princípios.

Eu, sinceramente, me identifico muito mais com os fracos, os bêbados, os estúpidos e os ignorantes. Percebo em cada uma de minhas atitudes o mais vil dos interesses, mesmo quando travestidos de grandioso despojamento. Consigo enxergar nas minhas ações a fagulha egoística que me motiva, mesmo quando pareço estar oferecendo graciosamente ao mundo um pedaço de minha sabedoria. Vejo, em tudo o que faço a sordidez egoística e mesquinha, a volúpia do orgulho insano e a vaidade desmedida.

Tudo em mim é mentira. O que me anima é esse amor gigantesco que tenho por mim mesmo, pelos meus prazeres e gozos. O que me move é o desejo de obter todas as vantagens possíveis, guardando-as como troféus que mantenho como preciosidades que apodrecem cada vez que as vejo.Não seria possível enganar a ninguém com tal pureza de fachada, com tanta sujeira que me sai por cada poro, cada palavra, cada sílaba e cada silêncio cúmplice. Também não culpo a ninguém pela miséria de minhas ações; as porcarias que são minha carne e que escapam pela minha voz são todas minhas, o único valor que carrego, e a parte que me cabe para levar desta vida.

“Andrew D. Manning, “Angel of Mine”, ed Prado-Bell, pag 135

Andrew Dewey Manning foi poeta, ensaísta, escritor. Nascido em Chalkville, Alabama, em 1937, cursou seus estudos primários em Grayson Valley. Fez apenas os estudos iniciais, tendo sido autodidata. Escreveu 5 livros de poesia e sua grande obra, o romance “Angel of Mine”, onde aborda o racismo do sul dos Estados Unidos na época do Jim Crow. Foi reconhecido como um dos precursores dos movimentos antirracistas. Morreu em 1987 vítima de câncer no fígado. Deixou a mulher Ethel e os filhos Jeremy e Andrew Jr.

Deixe um comentário

Arquivado em Ficção

Declarações desastrosas

Qualquer interação com a polícia ou a imprensa tem o risco potencial de produzir devastação. Uma pessoa sensata, vivendo em tempos de ódio, se afasta disso. Hoje a atitude que parece ser mais racional é o silêncio. Para quem tiver estômago e pendor suicida, um “raid kamikaze” contra os fogos antiaéreos pode ser a última entrevista.

Lembro quando as rádios e os jornais ligavam no início do inverno para a Liga Homeopática em busca de um homeopata para dar entrevista sobre vacinas. Partiam do princípio de que, por questionarem a medicalização abusiva da sociedade e cultivarem uma postura crítica diante da indústria farmacêutica, os homeopatas automaticamente repudiavam vacinas.

Nem sempre.

Quando o telefone tocava e a secretária avisava que o jornalista estava na linha a gente dava risadas, avisando que estávamos em atendimento. Essas entrevistas eram ciladas, criadas especificamente na busca de conflito e polêmica. Entretanto, a gente sabia que não teria a mínima chance de um debate justo. Bastaria uma resposta titubeante para que o massacre fosse iniciado.

Uma das rádios que ligava tinha todo o seu setor jornalístico controlado pela corporação médica – até hoje. O Conselho, o sindicato e a Unimed local patrocinavam pesadamente os programas noticiosos. E por quê o faziam? Que produtos ou bens um CRM ou um Sindicato têm para que os ouvintes possam comprar?

Ora, vendem sua credibilidade e influência na cultura da cidade. Propaganda institucional da categoria. Todavia, pelo montante de verba aplicada, por certo que controlam as pautas. Precisa ser ingenuo para acreditar que tal aporte de publicidade não demandaria contrapartida.

Uma mensagem qualquer durante uma entrevista, por mais ingênua ou suave que fosse, poderia desencadear uma resposta violenta das instituições. Lembram do ativista do parto humanizado que ousou falar de partos domiciliares no Fantástico – respaldado por evidências científicas – e foi atacado duramente pelos membros da corporação de outro estado?

O linchamento midiático que recaiu sobre o casal do Rio (o engenheiro e sua parceira) é um exemplo de como a punição nos tempos de internet é veloz, destruidora e até mesmo desproporcional quando opiniões impensadas são jogadas diante de uma câmera e um microfone. Não é preciso debater o quão errados, em muitos níveis, eles estavam, mas fica claro que hoje em dia se deve adotar o silêncio como proteção. Debater temas sérios como o racismo, feminismo, Venezuela, Israel, Cuba pode causar um massacre terrível produzido pelas patrulhas à esquerda e à direita.

É uma lástima que estas patrulhas engessem as discussões, imobilizem o debate e promovam a “lei do silêncio”. E digo isso apenas porque ontem passei o dia recebendo mensagens inbox me dizendo “eu não concordo, mas não ouso dizer para não ser linchado”.

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamentos

Lacrar

A internet – e mais especificamente as mídias sociais – criaram o termo “lacração” e disseminaram o seu uso. É curioso que este termo muitas vezes é mal utilizado, dando a entender que a “lacração” se refere a um argumento tão bem utilizado, e que explica um determinado fenômeno de maneira tão completa, que é capaz de “lacrar”, fechar, terminar, colocar um ponto final, já que depois do que foi dito nada mais poderia ser acrescentado. Finis est…

Na verdade a “lacração” se refere a outro fenômeno muito mais complexo. Argumentos taxativos, brilhantes, completos e definitivos – se quisermos acreditar que isso existe – são apresentados desde o início da linguagem. Org teria dito para Uth, numa caverna há 40 mil anos: “Se você acredita que soprar é a magia está enganado. A magia está no atrito dos pauzinhos, seu otário“. Um argumento excelente, que podia inclusive ser demonstrado experimentalmente. Ele “lacrou”?

Não, porque “lacrar” não está relacionado à justeza do seu argumento, sua abrangência, sua lógica ou seu encadeamento de ideias. Também não está relacionado à sua qualidade argumentativa e nem às suas virtudes de convencimento.

Na verdade, a “lacração” está relacionada à plateia. É um jogo de cena, onde seus ouvintes, leitores ou telespectadores fazem parte do argumento. O sucesso de suas ideias depende do entusiasmo de quem as escutou. Uma ironia, um escárnio, um deboche ou uma resposta provocativa “lacram”, porque a plateia delira ao ver seu ídolo fazendo sucesso com sua fala.

No território das mídias sociais, onde as pessoas se escondem atrás de telas, a possibilidade de um debate centrado nas ideias se tornou cada dia mais difícil. Mais do que apresentar boas ideias, você precisa ser alguém que galvanize a simpatia de um número cada vez maior de fãs e simpatizantes, posto que a “lacração” dependerá disso, e não de seus argumentos e posturas. Isso acabou gerando um personagem novo: “o mendigo de likes“, pois que ele sabe que só poderá “lacrar” se tiver um grupo enorme de pessoas a lhe oferecer suporte e apoio.

Todavia, eu acho que esta fase vai passar. A “lacração” já é um fenômeno decadente e começa aos poucos a ser sinônimo de “argumento frágil e demagógico”. Sou um otimista….

Lacrei? Não….

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo, Pensamentos