Arquivo da tag: velhos conceitos

Antigos amores

A cada dia que passa me despeço com pesar de uma das minhas antigas convicções. Algumas delas simplesmente me abandonam, deixam um recado em cima da mesa, rabiscado com caneta Bic num papel amassado, e avisam que voltam para buscar os CDs. “Você mudou, não me ama mais como antes. Não devota mais tanta atenção à mim. Com o tempo fomos nos afastando, e a dor dessas distância dói demais. Sabe, é dos nossos planos que tenho mais saudade. Lembra quando andávamos de mãos dadas e olhávamos juntos na mesma direção? Pois é, Renato sabia que um dia isso sempre acontece”.

Outras vezes somos nós que dizemos adeus. Um dia a gente acorda de um sono inquieto e quando viramos para o lado nos deparamos com aquela certeza ao nosso lado. Porém, aquela mesma convicção que há tantos anos nos acalentara a cada amanhecer de súbito nos parece diferente, envelhecida. Logo percebemos que algo aconteceu, não com a ideia à nossa frente, mas com a forma de encará-la. Algo se quebra, se parte, e a construção que por tantos anos sustentou nossa forma de ver o mundo se perde.

Antigos amores, perdidos no tempo, despedidas necessárias. Passa um tempo e você encontra aquela antiga certeza de braços com um jovem rapaz. Ele a acaricia e beija, com seus olhos brilhando como duas estrelas cadentes. Ela lhe devolve os afagos com palavras doces e cheias de carinho. Quando ela cruza seu olhar com o seu não fica constrangida, mas lhe envia um sorriso de lembranças e momentos.

Não há dúvidas que houve amor, uma paixão que teve seu tempo.

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamentos

Poder e Evidências

O Poder vale mais do que as evidências.

Esta visão do processo fisiológico do parto vai perdurar enquanto o parto for classificado pelos homens, e a partir de suas perspectivas. Mas quando vejo este tipo de protocolo eu lembro que eu me insurgia contra esta imposição há 30 anos, e eu já fazia isso baseado nas evidências da época, e não em visões românticas ou pessoais.

O que mais me impressiona é que passadas três décadas de profundas revoluções, em especial no terreno da disseminação de informação, ainda temos uma visão OFICIAL de parto, disseminada em serviços universitários, que já era velha há 30 anos.

O que acontece com os donos do parto, que se negam a ver as mudanças na própria ciência e mantém uma visão depreciativa da mulher e suas capacidades? Trinta anos se passaram e o mesmo modelo se mantém.

Em verdade o que se expressa nesse papel são os últimos suspiros do patriarcado, uma forma de controlar a mulher cerceando sua liberdade e controlando um dos aspectos mais fundamentais da sua sexualidade.

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo, Parto