Epifanias

Vulcão04

A gente sempre tenta estabelecer uma data, um marco, um linha divisória entre dois momentos da nossa vida. Falar do momento exato em que acordamos para uma realidade pode ser difícil, e as vezes impossível. Eu costumo citar o nascimento dos meus filhos como este momento definitivo, mas por certo que quando eles nasceram não havia nenhuma noção clara de humanização do nascimento em minha mente. Sobrou apenas uma espécie de indignação e dor pelo que poderia ter sido. Quando atendi uma paciente no chão da sala de exames do hospital esta indignação tomou a forma de uma vergonha. Não era apenas um mal que existia; era uma mal que dependia de mim para existir.

Todavia, esses eventos são artificialmente construídos, e o são sempre a posteriori. Na verdade o que te leva a mudar de paradigma é um sequência de minúsculos fatos, muitos deles insignificantes quando vistos de forma isolada, mas que adquirem sentido quando formam um conjunto coerente. Essas mudanças estão frequentemente escondidas de nossa percepção mais grosseira mas as epifanias as expõe pelo intenso afluxo emocional que propiciam.

Nossas mudanças são determinadas pelo trabalho diário e subterrâneo da lava incandescente de nossas experiências cotidianas. Uma pequena fissura na crosta das convicções é capaz de fazer uma erupção transformadora em nossas vidas.

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