Arquivo do mês: fevereiro 2018

Esportes e Trans

No debate sobre a jogadora transgênero existem dois lados bem distintos: um que reconhece a jogadora como mulher baseando-se em duas premissas: auto-declaração e nível de testosterona. O outro lado afirma que biológica e fisicamente ela guarda aspectos fundamentais do gênero masculino que, no cenário específico do esporte – mas não na sua nova vida social como mulher – garantem a ela vantagens sobre as outras competidoras.

Existem bons argumentos para os dois lados, e eu vi todos eles sendo ditos por defensores de ambas as perspectivas. Apesar de reconhecer justiça nos argumentos lançados ainda me posiciono contra a liberação por achar que isso prejudica a competitividade das atletas cis.

Entretanto, esta não é uma posição definitiva ou inamovível, apenas uma espécie de zelo com relação à uma aparente banalização da transexualidade. Posso tranquilamente mudar minha posição se for nutrido de bons argumentos em contrário. Ultimamente tenho visto muitos debates que questionam as cirurgias e os tratamentos de designação sexual sem que haja uma avaliação mais profunda de questões psicológicas associadas e sem levar em consideração os riscos inerentes aos tratamentos. Hormônios em altas doses e cirurgias mutilatórias são realizadas em nome da “liberdade de escolha”, o que tem valor inequívoco, mas sem que a sociedade entenda bem o que estas intervenções sobre a fisiologia significam. A exemplo das cirurgias para emagrecimento, um novo filão para a medicina mas com inúmeros pontos obscuros sobre seus parefeitos, as mudanças de gênero precisam de uma discussão ampla que envolva os aspectos médicos, éticos, sociais e psicológicos.

Infelizmente para alguns grupos mais fanatizados o mero questionamento sobre o tema produz reações de fúria. Basta questionar se a teoria de gêneros usada na atualidade serviria (também) para o esporte de alta performance para que surjam de imediato reações de grosseria e ataques ad hominem.

Quem não admite o debate e não suporta perguntas inquietantes não passa de um sujeito dogmático e autoritário. Infelizmente pessoas com esse perfil estão tanto na direita quanto na esquerda. A ideia de ver suas ideias prevalecerem calando as ideias alheias ou atacando a honra de quem discorda é um ato medieval e característico de mentes aprisionadas no preconceito.

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DesAFio

O maior desafio do homem de ideias é livra-se da expectativa que o escraviza ao desejo dos outros. Fico triste ao ver homens e mulheres muito preparados e capazes que, ao alcançar sucesso em suas ideias ou projetos, rapidamente sucumbem diante da expectativa gerada pelos que sustentam sua notoriedade. Só os bravos sobrevivem, e apenas os verdadeiramente inovadores descartam o brilho fátuo da fama em nome da fidelidade aos princípios.

Ingeborg Wilkinson, “The Five Rocks of Power”, Ed. Paramount, pag. 135

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Antigos amores

A cada dia que passa me despeço com pesar de uma das minhas antigas convicções. Algumas delas simplesmente me abandonam, deixam um recado em cima da mesa, rabiscado com caneta Bic num papel amassado, e avisam que voltam para buscar os CDs. “Você mudou, não me ama mais como antes. Não devota mais tanta atenção à mim. Com o tempo fomos nos afastando, e a dor dessas distância dói demais. Sabe, é dos nossos planos que tenho mais saudade. Lembra quando andávamos de mãos dadas e olhávamos juntos na mesma direção? Pois é, Renato sabia que um dia isso sempre acontece”.

Outras vezes somos nós que dizemos adeus. Um dia a gente acorda de um sono inquieto e quando viramos para o lado nos deparamos com aquela certeza ao nosso lado. Porém, aquela mesma convicção que há tantos anos nos acalentara a cada amanhecer de súbito nos parece diferente, envelhecida. Logo percebemos que algo aconteceu, não com a ideia à nossa frente, mas com a forma de encará-la. Algo se quebra, se parte, e a construção que por tantos anos sustentou nossa forma de ver o mundo se perde.

Antigos amores, perdidos no tempo, despedidas necessárias. Passa um tempo e você encontra aquela antiga certeza de braços com um jovem rapaz. Ele a acaricia e beija, com seus olhos brilhando como duas estrelas cadentes. Ela lhe devolve os afagos com palavras doces e cheias de carinho. Quando ela cruza seu olhar com o seu não fica constrangida, mas lhe envia um sorriso de lembranças e momentos.

Não há dúvidas que houve amor, uma paixão que teve seu tempo.

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Normas e Atitudes

“Não esqueçam: humanização do parto não é um protocolo que médicos devem adotar, mas uma atitude que mulheres precisam assumir”.

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