Espíritas carolas

Não creio que se possa dizer que existe um mosaico de preferências políticas dentro do espiritismo contemporâneo. Quando observamos as manifestações de seus líderes percebemos um ENORME contingente de carolas, cristólatras (como Divaldo e Chico), místicos, e conservadores de todos os matizes. Em minha experiência pessoal posso dizer que no meu grupo de jovens espíritas praticamente TODOS se voltaram à direita.

Um espírita de esquerda como eu é quase uma aberração. Divaldo foi ovacionado de forma entusiástica numa conferência ao exaltar a figura patética e corrupta do ex juiz da Lava Jato, cuja reputação agora se despedaça publicamente. Poderia ter ficado quieto, ser discreto. Poderia até entender que sua posição o impede de vinculações apaixonadas com um lado ou outro. Entretanto, preferiu o bolsonarismo mais tacanho, fazendo uma manifestação apaixonada de um punitivista messiânico que, ao que tudo indica, se corrompeu pela vaidade e pela ambição desenfreada.

Os espíritas, enquanto grupo social, são conservadores e moralistas. É até curioso ver uma enorme parcela de líderes espíritas homossexuais reprimidos que se aliam à direita mais sexista – que os desaprova e condena – mas isso tem tudo a ver com a “identificação com o opressor”, como o próprio Freud nos ensinou.

Divaldo Franco e sua legião de espíritas conservadores exaltou o ex juiz, tratando-o nesta conferência em Goiás como “espírito de luz” e “missionário” da “República de Curitiba”. Hoje se descobre que tal sujeito é apenas um espírito das trevas corrompido pelo orgulho, pela ambição e por uma vaidade desmedida. O tempo é o senhor da Verdade.

Se há alguma diversidade no movimento espírita ela se encontra na marginalidade. Eu, por exemplo. Não está na FEB ou em federações regionais; dificilmente na direção das casas Espíritas. Se houver estará nos poucos negros e negras, nas mulheres espíritas, nos gays e trans que enxergam no espiritismo uma possível explicação para suas dores, mas que não negam a importância central do modelo social na produção do sofrimento que os oprime.

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Arquivado em Pensamentos, Política

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