Agressão brutal

A agressão ao obstetra em Itajaí é um ato que deve ser repudiado por todos. Covarde, desproporcional e absurdo. Nada pode justificar a violência contra os profissionais da linha de frente da atenção à saúde. A sociedade organizada precisa repudiar tal ato com toda a veemência.

De qualquer forma, partindo do repúdio total ao ato, é importante entender as circunstâncias da agressão que agora nos chegam pelo relato da polícia. O agressor – lutador de artes marciais com passagens anteriores por agressão – teria agredido o médico por “ciúme”, já que foi impedido de acompanhar a esposa durante a avaliação do profissional. Em função disso, talvez associado à tensão pelo trabalho de parto da sua esposa, agrediu violentamente o residente de plantão. Um ato bárbaro e inaceitável.

Aqui fica ainda mais evidente a urgência em respeitar os pressupostos da humanização do nascimento. Ao marido-agressor foi dito que ele não podia entrar na sala de exame pois havia outras pacientes na sala, e não apenas sua esposa. Isso foi o suficiente para um sujeito, perturbado e violento, perder o controle. A pergunta que cabe é: por que diabos não se respeita o direito das mulheres ficarem com seus acompanhantes de livre escolha durante TODO o processo, como recomendado por todas as instituições que estudam o processo de nascimento e como está explícito na própria LEI do acompanhante de 2005?

O médico acabou pagando por um erro ESTRUTURAL do hospital e, para seu azar, encontrou pela frente um sujeito furioso que consumou uma agressão brutal. Profissionais da saúde (enfermeiras sofrem esse assédio ainda mais que os médicos) não podem pagar pela insensibilidade dos serviços de saúde em garantir um atendimento humano e respeitoso.

O médico vítima dessa agressão talvez não seja o último. Outros sujeitos perturbados e violentos podem encontrar serviços que não respeitam os postulados da humanização e partam para a violência contra profissionais. Estes, que já lutam contra salários indignos e falta de segurança, não podem continuar a pagar o preço pela atenção anacrônica dos hospitais, que não garante assistência digna às mulheres e sua família.

Nunca como agora foi tão importante – em verdade essencial – lutar pela humanização do nascimento e assumir o compromisso pela sua implantação pelos serviços de saúde de todo o país.

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Arquivado em Ativismo, Parto, Violência

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