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Os rios de Brecht

“Do rio dizemos violento, mas não dizemos violentas as margens que o oprimem.” (Bertold Brecht)

Uma das mais belas frases e concepções que conheço. Vemos com facilidade a violência no assaltante frio, mas não enxergamos as amarras sociais invisíveis que o atam à bandidagem. Dizemos brutal o roubo da propriedade privada mas não dizemos desumana a privação de quem nunca a teve. Percebemos com clareza a brutalidade de um assalto, mas não saltam aos olhos a injustiça de quem nada tem para perder. Por fim, acreditamos justa a punição de quem de nós tira, mas esquecemos de punir quem de todos expropria.”

Theodor Luděk Novotný, “Řeky a jejich banky” (Os rios e suas margens), Ed Palmear, pag 135

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Evolução das Consciências

Multidao

Eu ainda acho que a atenção adequada, feita por profissionais bem preparados, é o MELHOR CUIDADO possível para uma mulher que dá à luz. Entretanto, é importante perceber o quanto a “industrialização do parto”, e a visão fria e mecânica do evento, podem prejudicá-lo. A pergunta que fica é: por que não podemos ter o melhor de dois mundos? Por que insistimos num modelo tecnocrático e desrespeitoso, autoritário e cruel com as gestantes?

Bem, não existe resposta fácil para esta pergunta, mas também é ingênuo e injusto acreditar que esse é um problema dos médicos. Mesmo que entendamos que eles tem uma importância central no processo (porque detém e concentram poder) também é importante notar que médicos são representantes de um modelo construído por TODOS, numa geleia cultural onde a sociedade como um todo participa, acrescentando práticas que representam seus valores mais profundos.

Médicos também são reféns deste paradigma, vítimas da visão objetualizante que a cultura lança sobre as mulheres e suas gestações. Assim sendo, mais do que procurar culpados, é importante EDUCAR a população para que esta mude a cultura através de uma visão mais positiva sobre a mulher e o feminino. Depois disso, a mudança das práticas médicas ocorrerá por consequência. É exatamente o que estamos vendo agora: a evolução das consciências levando a uma transformação lenta – porém perceptível – nas práticas.

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