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Quarentena

A quarentena me obriga a alguns questionamentos…

O que aconteceria com um cara muito azarado e medíocre que resolvesse escrever um livro contando sua história de fracassos e derrotas, sobre sua notável mediocridade e falta de talento, e esse livro se tornasse um sucesso editorial incrível, tornando-o famoso e milionário?

Seria tratado como farsante?

E um cara que escrevesse um livro sobre a inutilidade da literatura e milhões se interessassem por ele?

E que tal uma página no Facebook para tratar da malignidade de Mark Zuckerberg e a importância de boicotá-lo?

Que acham de um cara tão medroso, mas tão medroso mesmo, cujo maior medo é que descubram sua covardia, e para ocultá-la comete os atos mais impetuosos e temerários apenas para que não percebam o quão medroso sempre foi?

E você, o que tem feito de elucubração inútil durante a pandemia?

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Unanimidade

“Unanimidades são a marca indefectível da mediocridade. Se você faz algo realmente marcante e significativo deverá ameaçar uma legião de pessoas que resistem à mudança que você representa. Não desista pelas críticas ferozes que recebe. Analise seus objetivos com franqueza, refaça seus caminhos se necessário e siga adiante com sua missão.”

Jeremy Ash, “A tree is not a chair”, ed. Pergus pág. 135

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Elogio

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Um elogio possível a alguém que carrega o peso da originalidade:

“Sabendo da rejeição violenta da cultura contra pessoas que escapam de um padrão (físico, intelectual, sexual ou estético) normativo e reconhecendo a alternativa sedutora de simplesmente se esconder ou se camuflar na paisagem, é bom saber que lhe sobra suficiente ousadia e coragem para ser você mesmo neste ambiente que sempre lhe empurra em direção à mediocridade”.

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Aventurar-se

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Muitas pessoas que conheço fizeram o árduo percurso de abandonar suas vidas insossas em busca do prazer e da realização pessoal. Largaram facilidades ou carreiras para se dedicarem a uma grande paixão. E isso não é uma opção de “riquinhos” ou “playboys“, mas de pessoas que valorizam suas experiências pessoais acima dos valores mundanos, como dinheiro ou “sucesso”.

Eu fiz esse caminho, mas o desaconselho a todos os desavisados que me perguntam se vale a pena segui-lo. Não estimulo que ninguém embarque nessa trajetória, até porque “quem disse que a chegada é o prêmio maior, e não o próprio caminhar?“. Uso dessa estratégia porque buscar sua própria realização só tem sentido se for natural, e quando essa for a única saída nobre para quem se aventura na busca pelos altos fins de sua existência. Não se força uma opção radical como essa; ela precisa ser livre e espontânea.

O que é preciso entender é o tipo de “escolha” que foi realizada pelo sujeito. Podemos pensar, erradamente, que todos os que escolhem a paixão e a realização pessoal tem “fontes alternativas de renda“, ou um “lugar quentinho para voltar“. Para isso precisamos acreditar, como única possibilidade, o estereótipo do playboy que ganha mesada e cria uma banda de rock para “fazer o que ama”.

Não é verdade, e esta generalização é pobre e injusta; muitos visionários arriscaram TUDO pelos seus sonhos. Albert Schweitzer é um bom exemplo, Nietszche também. Freud abandonou a “medicina” (queria se dedicar à neurologia), e a possibilidade de um trabalho tranquilo e estável com seu mentor Breuer, para se aventurar na Salpetriére com Charcot e estudar as histéricas. Dessa opção pela aventura no desconhecido pariu-se a psicanálise, e descortinou à humanidade os mistérios do inconsciente. Entretanto, Freud com 40 anos não tinha um mísero tostão no bolso, e apesar disso apostou na força que o impulsionava a seguir suas ideias.

Acreditar que é preciso aceitar a mediocridade de seus horizontes é um péssimo guia para a vida. Somos feito da poeira multimilenar das estrelas, e por isso mesmo fomos criados para brilhar. Se é preciso adaptar-se às contas, impostos, dívidas e dias de chuva, mais necessário ainda é exigir de si um compromisso com a paixão e o sonho.

Sem isso somos apenas corpos caminhantes, desprovidos de alma.

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