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Evidências

Não se trata de uma questão de evidências científicas, observação e mensuração de resultados e análises racionais sobre o parto. A mudança não se dá lá em cima, na cabeça, mas uns 30 cm mais para baixo.

Tenham em mente que evidências e ciência não abrem a cabeça das pessoas!!! Esse mito caiu de forma retumbante nos últimos tempos, onde o terraplanismo e o bolsonarismo são exemplos suficientes. O que muda nossa percepção do mundo são os sentidos, as emoções, os sentimentos. Por isso é que hoje se dá tanta importância à sensibilizar, pois só depois de estar aberto às informações é que a ciência e as evidências farão sentido para o sujeito. A evidência funciona para quem desenvolve por ela a necessária transferência.

Não importam quantas provas da eficiência de partos domiciliares, Casa de Parto ou da assistência ao parto por enfermeiras e obstetrizes forem oferecidas aos profissionais médicos; sem que estejam sensibilizados para absorver estas informações elas jamais encontrarão terreno fértil. As provas e os estudos são ferramentas insuficientes para mudar atitudes.

Funciona como uma intervenção em análise; o analista até pode falar, mas só quando o analisando está pronto para dizer por si mesmo a sua verdade. Da mesma forma, a verdade científica só fará sentido quando já estivermos preparados para recebê-la. .

É como convencer alguém de algo que seu coração não aceita. Quantas mulheres e homens já nos contaram histórias assim: “Muita gente me falava que ele(a) não tinha caráter, mas eu não conseguia enxergar. Estava cego(a).” Como explicar o fato de que tantas provas foram inúteis? Ora… a razão obliterada pelas emoções produz este fechamento dos sentidos.

A tecnocracia impede os profissionais do parto de enxergar as múltiplas dimensões deste evento. Para além disso, os profissionais têm um medo profundo de perder o respeito e a consideração de seus pares. Aqueles que se permitiram enxergar o parto humano em todas as suas perspectivas descobrem também o preço imenso que este saber lhes custa. Por isso mesmo, muitos fogem das evidências exatamente para escapar da angústia que tal conhecimento inevitavelmente lhes causará.

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Consumismo

“Mas os pobres nada possuem e por isso já são treinados para evitar o consumismo”.

Infelizmente eles não são educados contra o consumismo!!! Em verdade, pobres consomem também, muitas vezes para além do que precisam, mesmo dentro das suas estreitas possibilidades. O consumismo não diferencia ricos e pobres, o CONSUMO sim!!!

O fato de alguém não consumir não significa que não seja consumista, da mesma forma que um sujeito não beber não significa que deixou de ser alcoolista. O desejo de consumir é uma marca de personalidade estimulada pela “sociedade de consumo”, que vincula felicidade, alegria, poder e sucesso pessoal com a capacidade de adquirir coisas. Na realidade, existem muitos pobres que são muito mais consumistas que alguns milionários.

Sempre é bom repetir a frase de Platão: “A pobreza não vem da diminuição das riquezas, mas da multiplicação dos desejos“. O desejo permeia o humano, inobstante serem ricos ou pobres. Quem é mais rico, eu ou Bill Gates? Não procure os valores da conta bancária, mas encontre para onde aponta o desejo, este motor do comportamento humano que faz qualquer valor significar muito ou todos os valores serem insuficientes.

A dor que sentimos vem dessa falta subjetiva, desse vazio, desse buraco que enchemos com coisas – como carros, casas, comida ou até gente coisificada.

Certamente que ricos e pobres se beneficiariam de uma cultura em que os objetos que nos cercam tivessem menos influência na nossa felicidade. Contentar-se com poucas coisas é um dos melhores caminhos para a harmonia e o equilíbrio.

Nossa esperança é que essa crise nos ensine os prazeres das maravilhosas coisas gratuitas, um café fumegante, uma tarde de sol, o encontro com amigos e até o sorriso desdentado de uma criança.

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