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Nicarágua

Minha perspectiva sobre o apoio das esquerdas ao povo da Nicarágua…

Creio que o equívoco está em confundir o apoio à Nicarágua com “camaradagem internacionalista”, quando na verdade o que temos é uma luta sem tréguas contra o imperialismo. TODAS as alternativas oferecidas aos polos de luta contra o poder imperial – Cuba, Venezuela, Nicarágua, Coreia do Norte – têm oferecido como solução aos possíveis desmandos das administrações locais a volta da submissão ao poder colonial, a abertura unidirecional de fronteiras, a adoção da democracia burguesa e o abraço ao neoliberalismo moribundo e infecto.

Tão importante é essa luta anti-imperialista que as esquerdas radicais de várias partes do mundo comemoraram a vitória de anticomunistas fascistas no Afeganistão porque a derrota do imperialismo naquele país seria a única maneira de fazer no futuro o socialismo prosperar na Ásia Central. Enquanto estivesse ocupado o Afeganistão jamais conseguiria organizar uma revolução socialista. Portanto, para a derrota do poder imperial – destruidor e asfixiante – até a vitória da direita contra os imperialistas pode ser contada como positiva.

A Nicarágua que resolva seus problemas internos, assim como o Brasil, sem a interferência do Império. Até porque, citar Nicarágua e não falar das matanças sistemáticas na Colômbia ou a falta de direitos humanos na península arábica nada mais é do que a hipocrisia escancarada da nossa sociedade.

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Democracia

A imprensa corporativa brasileira adora colocar rótulos nos governos que se insurgem contra o domínio imperialista americano. Entretanto, quando aprofundamos mais a análise, observamos uma realidade inquestionável: as democracias tolerantes acabam vítimas de sua própria tolerância com o imperialismo. Allende, Jango, Dilma, Lula, Evo, Cristina, Lugo, Juscelino e tantos outros foram vítimas de armações da CIA para a desestabilização das frágeis democracias na América Latina. Muitos deles foram deslocados da condição nacional por todo tipo de armação. Aqui foi a Lava Jato, mas cada país tem sua peculiaridade.

Entretanto, mesmo a esquerda reformista continua insistindo em rotular os países que resistem aos golpes yankees como “ditaduras”, mesmo quando o sistema eleitoral da Venezuela é o mais vigiado do mundo e o de Cuba opere num circuito muito mais sociocrático do que democrático (portanto, superior, ao meu juízo). Aliás, em Cuba a política é uma atividade de voluntariado, sem proventos, e nenhum participante das decisões pode pertencer ao partido comunista de Cuba.

Todos estes países – Nicarágua, Venezuela e Cuba – sofrem há muitos anos risco de ruptura IMEDIATA de sua soberania, seja por grupos de traidores financiados pelos Estados Unidos, seja por invasão militar direta. Na Venezuela, há alguns poucos anos, houve um atentado por drone contra Maduro, intentonas fajutas lideradas por Guaidó e uma invasão por mar onde espiões foram capturados pelos pescadores armados das brigadas revolucionárias.

Em Cuba nem se fala (só Fidel sofreu mais de 60 atentados), pois há poucos dias houve outra tentativa de um falso “movimento popular” que na verdade respondia a interesses de Miami. A Coreia do Norte, não fosse sua bomba nuclear, já teria sido varrida do mapa pelos americanos.

Pergunto: qual país na iminência de uma invasão (inclusive anunciada por Trump, no caso da Venezuela) permitiria eleições livres correndo o risco de ocorrer a vitória de um candidato populista que colocaria a soberania duramente conquistada a perder?

Se você responder “uma democracia europeia”, lembre que a Inglaterra suspendeu todas as eleições no período da guerra. E não foi só ela. Por quê?

Risco à segurança nacional, é a resposta que nicaraguenses, venezuelanos, cubanos, coreanos e ingleses dariam a essa pergunta. Por que então, em nome da segurança nacional, só os partidos que romperam com a dominação imperial são chamados de ditaduras? Enquanto isso, Cuba faz suas eleições livres há 60 anos. A Venezuela é o país com mais eleições com controle externo do mundo. A Coreia do Norte pouca gente sabe como funciona, mas ninguém aceitaria um biscoitinho de democracia sabendo que 1/3 da população do país foi morta pelos bombardeios americanos na guerra de independência. Uma eleição vale perder a soberania conquistada com a morte de uma terça parte do seu povo?

Quem arriscaria ver um candidato oportunista colocar a segurança destes países – Cuba, Coreia e Inglaterra – em jogo durante um período de guerra???
Não gosto de ditaduras, mas nesse continente SÓ OS AMERICANOS gostam, e eles estimularam a imposição delas em toda a América durante décadas. Aceitar – em nome da democracia – que eles voltem a nos cabrestar é ingenuidade suicida.

O erro de Dilma no seu excesso de republicanismo não pode voltar a ocorrer.
Por isso mesmo sou da turma que aceita dar porrada nos facho. Um dia eu tive que dizer ao meu filho (escondido da mãe) que se batessem nele na escola ele poderia sentar o braço no seu agressor. Não queria um filho Gandhi; preferia um filho Ernesto. Existe um limite para a não-violência.

Pense bem: não fosse a resposta dura dos insurgentes chineses a China continuaria até hoje o bordel da Europa e uma produtora de matérias primas para seus patrões brancos europeus. Talvez estivesse fragmentada em 4 ou 5 países controlados pelos gringos. Não fossem Fidel, Camilo Cienfuegos e Che, Cuba seria ainda hoje a ilha de Hemingway, cheia de puteiros e morenas do balacobaco, produzindo açúcar e miseráveis. Ok, talvez produzisse alguns jogadores de beisebol, como a pobre República Dominicana. A Coreia do Norte seria como a do Sul: dinheiro e sucesso para poucos, convivendo com a miséria dos trabalhadores explorados batendo recordes de suicídio.

Não fosse por uma luta insana e corajosa contra o Império e estes países seriam o que o Brasil é hoje: o quintal dos gringos. A culpa é nossa, pois foi nossa frouxidão que elegeu um canalha genocida.

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