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Nicarágua

Minha perspectiva sobre o apoio das esquerdas ao povo da Nicarágua…

Creio que o equívoco está em confundir o apoio à Nicarágua com “camaradagem internacionalista”, quando na verdade o que temos é uma luta sem tréguas contra o imperialismo. TODAS as alternativas oferecidas aos polos de luta contra o poder imperial – Cuba, Venezuela, Nicarágua, Coreia do Norte – têm oferecido como solução aos possíveis desmandos das administrações locais a volta da submissão ao poder colonial, a abertura unidirecional de fronteiras, a adoção da democracia burguesa e o abraço ao neoliberalismo moribundo e infecto.

Tão importante é essa luta anti-imperialista que as esquerdas radicais de várias partes do mundo comemoraram a vitória de anticomunistas fascistas no Afeganistão porque a derrota do imperialismo naquele país seria a única maneira de fazer no futuro o socialismo prosperar na Ásia Central. Enquanto estivesse ocupado o Afeganistão jamais conseguiria organizar uma revolução socialista. Portanto, para a derrota do poder imperial – destruidor e asfixiante – até a vitória da direita contra os imperialistas pode ser contada como positiva.

A Nicarágua que resolva seus problemas internos, assim como o Brasil, sem a interferência do Império. Até porque, citar Nicarágua e não falar das matanças sistemáticas na Colômbia ou a falta de direitos humanos na península arábica nada mais é do que a hipocrisia escancarada da nossa sociedade.

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Vacina ruça*

Qualquer medicação oferecida (e vacina é remédio também) que não tenha uma experimentação de seus efeitos deletérios – e até letais – em humanos, em curto, médio e longo prazos, é um tiro no escuro. Ponto.

Podemos estar diante de um gigantesco fracasso, premidos pelo tempo e por interesses econômicos gigantescos. E não seria a primeira vez, inclusive com estes vírus respiratórios. Os fracassos do passado com estes virus deveriam servir de alerta.

Mas… as desculpas perfeitas já estão dadas, e todas já sabemos. “Sim, morreram X pessoas por ação direta da vacina, e outras Y ficaram seriamente danificadas (como as causadas pela vacina da gripe), mas segundo as projeções, sem a vacina morreriam milhões de pessoas. Portanto, essas vítimas foram os heróis que se sacrificaram pelo sucesso da vacina e por milhões de vidas salvas“.

Já está determinado o sucesso da vacina: qualquer número de vítimas será menor que a criatividade matemática das mortes presumidas; basta usar as “projeções” catastrofistas como escudo.

O mesmo artifício é usado há décadas para desculpar a ditadura militar, sacaram? “Sim, muitos foram torturados e tantos outros morreram, mas “segundo nossas projeções”, morreriam muitos mais pelas garras do comunismo“.

Além disso, ter uma postura crítica contra vacinas é ser “terraplanista”, desdenhar da ciência, ser adorador do Trump, como se as vacinas – um negócio multibilionário, por “curar” pessoas saudáveis, um mercado do tamanho do planeta – fosse o único lugar onde a “máfia da indústria farmacêutica” (palavras de Peter Goetsche e Márcia Angel, da Cochrane e do New England Journal of Medicine, respectivamente) é ética, correta, e transparente.

A mitologia das vacinas, um campo que ninguém no Brasil ousa questionar, acaba gerando um vácuo de debates porque NENHUM profissional se dá ao direito de jogar uma luz sobre os inúmeros elementos criticáveis da aplicação de drogas e elementos químicos em pessoas saudáveis.

Entendem? O inimigo nunca é visível e a gente acaba permitindo “ciência apressada” por medo de nada fazer.

E veja, apenas por escrever esse desabafo em nome da boa ciência e da ciência livre do controle capitalista, já vou ser tratado como “antivacinista“, terraplanista ou de direita trumpista (logo eu que sou comuna).

Ahh… e quem quiser tomar uma vacina testada em 40 pessoas (raça?, cor?, doenças concomitantes?, background?, só russos? quanto tempo de observação?) que o faça. Eu, que sou do grupo de risco, farei parte do antigo grupo de sobreviventes cujas mães não usaram Talidomida, Raio X na gestação e nem dietilbestrol. Ou dos caras que se recusaram a usar Vioxx por terem ouvido falar que os estudos que alertavam do perigo foram escondidos em uma gaveta do laboratório.

Lembram quando diziam que a ação da Cloroquina “in vitro” não podia ser extrapolada para “in vivo”? Nada mais correto que isso, mas por que deveríamos achar que, para vacinas feitas às pressas, esse critério é menos importante?

Quem sabe usamos os mesmos critérios rígidos que demonstraram a inefetividade da Cloroquina também para avaliar a qualidade destas vacinas – oferecidas a nós sem comprovação em larga escala. Não parece justo?

Quem quiser que se arrisque…

* Para o Houaiss, o significado é de “complicado, cheio de adversidades, de dificuldades; perigoso, apertado”.

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Mitos espíritas

Não passem pano para seus mitos espíritas…

Acho curioso quando surge esse tipo de argumento: “sim, Moro é um juiz corrupto e Dalanhol cometeu crimes como promotor, mas, mas, …. quem pode falar qualquer coisa contra esses combatentes corajosos contra a chaga da corrupção no Brasil???

Ora… o trabalho de Chico e Divaldo deve ser reconhecido pelo seu valor, mas o fato de serem dois NOTÓRIOS REACIONÁRIOS deve ser dito e exposto, até para retirar a aura de divindade que carregam.

Querem mais? Passei a infância lendo Monteiro Lobato, um racista e eugenista asqueroso. Valorizo seus livros infantis e deploro seus preconceitos. Humberto de Campos era um racista nojento e grande cronista. Fernando Pessoa, ele mesmo, nutria profundo desprezo pelos negros e foi o maior poeta da língua portuguesa. John Lennon era um perverso e sádico. David Bowie pedófilo, assim como Simone Beauvoir nos anos 60. Todos humanos e falíveis, alguns com máculas morais terríveis. Não passo pano para nenhum deles, e ainda assim separo o autor da obra.

Chico e Divaldo apoiaram regimes de força. Foram coniventes com as ditaduras de outrora e com o golpe juridico-midiático de agora. São golpistas com um pezinho no autoritarismo e na ditadura. Divaldo exaltou publicamente um juiz criminoso que combinava sentenças secretamente com a promotoria.

Ambos poderiam ter ficado quietos, mas deixaram claro seu apoio à brutalidade da direita nesse país.

Ahhhh, mas e os livros, a Mansão do Caminho, as palestras?” É curioso quando trazem esse argumento pois é o mesmo argumento usado pelos milicianos. Eles esperam ser desculpados pelas assistência oferecida aos pobres e pelas benfeitorias que realizam nas favelas que comandam (a ferro e fogo). Pablo Escobar, os donos de Escolas de Samba e os barões do jogo do bixo sempre agiram assim. Sei que a comparação é dura, mas não comparo as figuras e sim a lógica usada para passar pano em seus erros. Não tem como usar a obra de Chico e Divaldo como blindagem para sua vinculação clara com o ditadura de 64 ou os crimes terríveis desse magistrado corrupto que envenenou a democracia no Brasil.

Blindagem de espíritas? O mesmo que faziam com os crimes de papas, suas orgias e lambanças da Igreja.

Para finalizar, eu não reduzo essa dupla de mitos espíritas às suas opções políticas autoritárias ou a exaltação de corruptos como heróis nacionais. O trabalho deles, para os que creem, ultrapassa esse limite. Entretanto, exatamente pela importância que eles tem, não há como perdoar e desviar o olhar de sua vinculação com a barbárie e o atraso do nosso país.

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Americanos

A ideia que os americanos produzem de si próprios é uma das coisas mais curiosas da atualidade. Ainda influenciados pelo cinema, que os coloca como “salvadores do ocidente” pela (falsa) ideia de que venceram a segunda guerra mundial – essa guerra foi vencida pelos russos – cultivam a imagem de benevolentes e caridosos, povo especial que espalha a liberdade e a democracia pelo mundo afora.

Se é verdade que o liberalismo americano representa um avanço sobre sistemas fechados e tiranias, também é real que os americanos não tem uma democracia tão sólida quanto parece e muito menos são eles uma fonte de democracia a se espalhar pelo mundo. Os milhões de mortos, as dezenas de países invadidos, destroçados, aniquilados no mundo inteiro – em breve a Venezuela – em busca de poder, dominação e riquezas naturais só são menores que sua gigantesca máquina de propaganda que convence as mentes incautas de que eles são, acima de tudo, democratas e libertários.

Engano. Suas ações são apenas as manifestações do Império decadente se espalhando por todos os continentes para que se possa manter um padrão de vida irreal e destrutivo, o “American Way if Life” que é tão arraigado no nosso imaginário pela publicidade.

O mais engraçado é o espanto do cidadão médio americano quando se fala da possível (provável?) influência russa na eleição de Trump. Ora, tolinhos… os Estados Unidos influenciam eleições e governos do mundo inteiro, de forma velada ou explícita, para controlar os países que consideram como seus asseclas, empregados da Casa Grande americana, para os quais nos mandam em troca espelhinhos, colares e IPhones. Agora se escandalizam quando o que SEMPRE fizeram aos outros pode ter ocorrido em sua própria casa.

Aqui no Brasil esse entreguismo nunca foi tão explícito como agora. Nosso governo sequer tem pudores de prestar continência à bandeira americana e oferecer nosso próprio território para exploração e incursões de exércitos estrangeiros.

É preciso entender que sem autonomia e soberania seremos miseráveis subalternos, e para nossos dominadores jamais teremos importância ou significado. Pode apostar que os americanos podem não gostar de Fidel, Chávez, Maduro ou Kim, mas devotam a estes líderes um respeito e uma reverência que jamais terão com o fascista e sua família de gangsters que guardam, para eles, as riquezas do seu quintal.

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