Respostas à Violência

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Não se trata de tornar-se infenso a qualquer reparo. Eu mesmo conheço pessoas que fazem críticas corretas e bem fundamentadas ao trabalho das doulas. Por exemplo: levar o ativismo para as salas de parto e tornar o centro obstétrico um campo de batalha. Temos nos preocupado com isso nos últimos anos, exatamente pelo aumento no número de doulas e na natural dificuldade de estabelecer o limite entre ativismo – doulagem. É muita emoção para ser controlada, mas é necessário que assim o seja. É por isso que devemos escutar as críticas e aprender com elas, o que só fortalece o movimento de humanização. Fechar-se em conceitos estanques é cristalizar-se e desaparecer. A dinâmica da transformação social deve ser intensa e reflexiva.

O fato da própria ACOG (American College of Obstetrics and Gynecology), poderosa defensora dos obstetras dos Estados Unidos, ter reconhecido publicamente a importância das doulas na diminuição da taxa vergonhosa de cesarianas (a vergonha para eles chegou aos 33%; para nós ainda não, aos 56%) apenas deixou os conservadores da minha especialidade ainda mais furiosos. O resultado é bem demonstrado em algumas manifestações de médicos indignados com o fato de terem suas atitudes e condutas questionadas pelos pacientes: baixo nível, agressão verbal, impropérios, acusações, generalizações e violência de toda ordem. Como diria Schopenhauer: depois do escárnio viria a violência; era o que fatalmente ocorreria.

Concordo com o mestre. Minha visão sobre esta fase do processo de humanização do parto é de que a violência poderia esperar, mas chegaria de qualquer maneira. Não é possível fazer o omelete da humanização sem quebrar os ovos da prepotência. Entretanto, nossa resposta precisa ser diferenciada. NÃO podemos entrar no jogo acusatório e violento. Se recebemos pedradas, revidemos com evidências. Se a violência é o idioma, respondamos na língua da perseverança.

Sem este diferencial apenas nos igualamos à queles que nos combatem.

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Arquivado em Ativismo, Parto

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