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Cria cuervos

A Rede Globo está fazendo um ataque violento e demolidor contra um vereador midiático do Rio de Janeiro por prováveis crimes graves – que vão de fraude a estupro e abuso de menores. Conheço o sujeito pelos vídeos que o tornaram famoso, e penso se trata da nata do Bolsofascismo. Acho-o desprezível, um típico dissimulador, criador de um personagem que mistura a imagem de salvador, bom coração, justiceiro, ético e soldado anticorrupção, a capa perfeita que encanta o fascismo. Tudo falso e encenado, um bom exemplo do que pode ocorrer com o empoderamento dado a este tipo de miliciano.

Porém, acho que mais uma vez estamos dando corda e plateia para a Rede Globo criar narrativas que destroem a imagem publica de seus inimigos. O que hoje está sendo feito com esse “direitista incômodo” pode ser (e será) facilmente realizado mais tarde com qualquer expoente da esquerda. Percebam que a estratégia da Globo é a mesma da Lava Jato: acusações vagas, delações sem provas, depoimentos cheios de dramaticidade e a falta de evidências claras dose crimes cometidos – pelo menos até agora.

Ninguém sabe sobre os detalhes dos casos em que está envolvido; eles estão em segredo de justiça. Inobstante, parte da esquerda já grita “Cadeia pra ele” que é o discurso da direita punitivista. Minha preocupação com este caso é que pode ser apenas mais um da larga história de manipulações da Rede Globo e a crença acrítica na narrativa criada por essa empresa para destruir seus desafetos.

Hoje podemos nos sentir vingados porque o miliciano bad boy está sendo atacado e desmascarado, mas pode ser – mais uma vez – chocar o ovo da serpente. E para quem não acredita que a Globo cria narrativas, sugiro observar o que foi feito para destruir a imagem pública do PT e de Lula, usando as mesmas ferramentas de agora – repetição exaustiva das acusações, recursos visuais, delações soltas, acusações, insinuações de pedofilia, abusos e quase todos estes fatos sem materialidade. Acho que a ação do jornalismo investigativo é essencial para a própria democracia, mas precisamos ter cuidado para não permitir que uma empresa maléfica como a Globo controle as mentes de todos através da manipulação e da espetacularização, condenando pessoas antes de serem julgadas.

Reforço a ideia de que não se pode aceitar que empresas de mídia usem seu poder para destruir pessoas. Já vimos isso acontecer e, aceitar que se repita diante dos nossos olhos, é pura tolice. Achar justo com Gabriel e errado com Lula é oportunismo. Abuso é abuso, seja com quem for. O fato de ele ser um fascista padrão não nos autoriza a suprimir todo o devido processo legal para fazer uma condenação pública antes da sentença transitada em julgado.

Em nenhum momento pretendo fazer a defesa desse reacionário direitista e bolsonarista, mas um pedido de ceticismo em relação à qualquer coisa proveniente da Globo. Acreditar agora – porque nos favorece – será autorizar que seja feito no futuro contra nós, e aí não teremos moral para denunciar. Exatamente a mesma postura que devemos ter quando o STF manda prender arbitrariamente pessoas – ou quando impediu que Lula assumisse um ministério.

“Cria cuervos y te sacarán los ojos”

Quem pode, em sã consciência, garantir que tais depoimentos não foram comprados pelos múltiplos inimigos que o vereador justiceiro adquiriu nas suas fanfarronices de YouTube? Quem pode asseverar com certeza que não se trata de uma vingança patrocinada por grupos que se sentiram prejudicados por ele? Repito: empoderar instituições golpistas como a Globo é o mesmo que saudar os ataques do Alexandre de Morais ou os exaltar os editorias do Jornal Nacional contra Bolsonaro. Como diz o antigo ditado espanhol (e fabuloso filme de Carlos Saura), “Cria cuervos y te sacarán los ojos”. Estas empresas são corvos; quanto mais os alimentamos mais eles crescem e, passado pouco tempo, tentarão voltar para comer nossos olhos.

Muitos agora afirmam que figuras como ele – e outros artistas – deveriam ser censurados há muito tempo. A ideia – que desgraçadamente viceja na esquerda – é de que existe censura do bem, ou seja: coisas que precisam ser censuradas, matérias que não podem ser publicadas e expressões que não podem ser ditas para, com isso, atingirmos nobres objetivos. É preciso entender uma coisa simples: “Se a liberdade significa alguma coisa será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir” (George Orwell); mais ainda: imprensa livre é publicar algo que incomoda pessoas ou grupos.

Liberdade não tem sentido onde o direito de expressar seus pensamentos e opiniões deixou de existir. Esse, de todos os direitos, é o terror dos tiranos. É o direito que eles primeiro derrubam. Eles conhecem seu poder. Tronos, domínios , principados e potestades, fundados na injustiça e no erro, certamente tremerão, se os homens puderem raciocinar sobre a retidão, a temperança e o julgamento que virá em sua presença. A escravidão não pode tolerar a liberdade de expressão.” – Frederick Douglass “The Dread of Tyrants”.

Não existe imprensa livre com censura. Eu defendo a liberdade plena de expressão, mesmo que isso signifique ter que suportar algumas figuras abomináveis que representam o fascismo no Brasil e no mundo. Se queremos Lula com liberdade para falar de aborto (que inclusive, pasmem, ainda é crime) precisamos aceitar o direito de Constantino, Gentili ou Augusto Nunes falarem; é o preço. Liberdade de expressão é exatamente isso: aceitar que nossos inimigos possam falar. Para se contrapor às palavras ruins o remédio é oferecer palavras melhores, e não oferecer discursos moralistas, sectários e de caráter dogmático, muito menos acreditar que um “bem maior” pode (ou deve) ser protegido através da censura.

Lutei na juventude contra a ditadura e pela liberdade plena de expressão, e não poderei aceitar que os identitários possam calar as vozes daqueles que tentam proteger a democracia. Criticar o silenciamento das vozes não poderá jamais ser entendido como compactuar com estas opiniões ou com estas personalidades, mas reconhecer que o silenciamento e o justiciamento que muitos defendem mais cedo ou mais tarde se voltará contra a esquerda e os progressistas.

A solução? Investigações sérias, o imperativo da prova, a inocência até transitado em julgado, polícia honesta, judiciário isento e jornalismo responsável. Eu cultivo um claro ceticismo: não acredito em nada que a Rede Globo apresenta em seus noticiários até que apareçam evidências claras que corroborem sua posição. Neste aspecto sigo Brizola: “Quando vocês tiverem dúvidas quanto a que posição tomar diante de qualquer situação, atentem; se a Rede Globo for a favor, somos contra, se for contra, somos a favor!”. Essa foi minha postura quando atacavam Lula sem qualquer prova e, por coerência, preciso fazer o mesmo quando ocorre esse tipo de linchamento contra um adversário político, por mais desprezível que ele seja.

Que esse vereador seja julgado com todo direito ao contraditório e que seja punido caso tenha realmente cometido crimes.

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Acusações

acusacao

Eu acredito ser justo que mulheres comentem atendimentos em que se sentiram mal atendidas, lesadas, desrespeitadas etc, inclusive dizendo o nome do profissional quando isso ocorrer em grupos fechados. Por outro lado sou contrário aos linchamento virtuais de profissionais para quem não se dá direito de defesa. Sempre que escuto essas histórias eu digo “é, pode ser, mas gostaria de escutar a outra parte“. Entretanto, nas poucas vezes que isso aconteceu, fiquei impressionado com as diferentes histórias apresentadas quando ambos os lados tem a oportunidade de se expressar .

Um exemplo: Uma apresentadora de TV foi demitida e escreveu uma dura carta acusando os diretores pela sua demissão. Fiquei bravo com eles. Hoje surgiu a versão dos diretores que a demitiram. Fiquei puto com ela. Qual a versão verdadeira?

Toda mãe sabe parir e todo bebê sabe nascer” são tão somente palavras de ordem que fazem sentido no furor do ativismo. Na vida real há problemas, intervenções necessárias, cesarianas e todo tipo de merda possível, que em boa parte das vezes não tem a ver com a violência do profissional, mas com o uso adequado de sua arte para oferecer segurança às mães e aos bebês. Muitas vezes esses pacientes sofrem pela fantasia exagerada que criam sobre seus partos e não por uma real falha do profissional que as atendeu.

Para ser justo é preciso escutar com a razão, e não apenas com o coração.

Entretanto, o que eu afirmo em nada invalida a existência de violência obstétrica, que quanto mais invisível é mais intensa se apresenta. A descrição das pacientes NUNCA deve ser desconsiderada, ao mesmo tempo que não se pode desconsiderar a fala dos profissionais. A experiência nos oferece a oportunidade de entender que um parto não depende apenas dos cuidadores. Eles são uma parte fundamental do processo, mas não podem garantir nenhum resultado. Infelizmente muitas mulheres acreditam que as equipes de atenção humanizada podem solucionar bloqueios de ordem psicológica e emocional, alguns deles com mais de 30 anos de construção.

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Freud, sempre ele…

sigmund-freud

A frase original é de Sigmund Freud é “O que João diz de Pedro fala mais de João do que de Pedro”.

Essa é uma técnica de análise que sempre achei válida. Nunca peça para alguém descrever a si mesmo, pois somos os piores avaliadores de nossas próprias almas. Todavia, ao descrevemos a outrem, deixamos escapar o que pensamos de nós mesmos, e estas imagens aparecem refletidas no espelho que o próximo nos oferece.

Assim, fuja daqueles que ostentam dedos acusatórios apontados contra tudo e todos; eles, na verdade, apontam para a própria sombra.

Sempre…

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Patrulha em tempos de Internet

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Faz alguns dias eu estava almoçando com meu pai e conversando sobre um determinado personagem contemporâneo. Depois de enumerar muitas de suas virtudes e qualidades meu pai falou: “Ele é muito competente, mas pesa contra si o fato de ser negro”.

Para todos os outros componentes da mesa a manifestação passou batida, e por uma razão bem simples: estavam todos inseridos no contexto da conversa e percebiam que a frase tinha um significado bem específico: em uma sociedade ainda dividida pelas raças, o fato de ser negro imporia a ele cargas, pesos, desconfianças e cobranças que provavelmente não ocorreriam caso fosse branco. Não se tratava de um juízo de mérito, mas uma constatação das dificuldades advindas da condição de negro em uma sociedade ainda tingida pelas cores do racismo.

Além disso, todas as pessoas presentes sabiam que o autor da frase é um notável combatente contra qualquer tipo de discriminação, e teve a vida pautada por uma visão humanista.

Entretanto, o que ouvi me atingiu como a nenhum dos outros presentes, e a razão disso é que nenhum dos parceiros de mesa tinha como eu a compulsão por escrever publicamente sobre temas controversos. Nenhum deles tinha visto uma frase sua ser pinçada de um contexto e usada contra si mesmo, através de uma interpretação viciosa e violenta, que contraria não apenas o resto do texto, mas toda uma vida dedicada a combater discriminações, abusos ou violências.

É claro que as pessoas que se ocupam em praticar o “desvirtuamento do discurso alheio” falam muito mais de si mesmas do que do sujeito a quem criticam e caluniam. Os textos difamatórios contra colunistas que expressam opiniões controversas fala muito mais da desonestidade e imoralidade dos acusadores do que dos próprio articulistas. Os ataques a queridas amigas da Internet que defendem a humanização do nascimento também mostram a face mais sombria e vil dos próprios acusadores, muito mais do que alguma falha por elas cometida.

Entretanto, descobri em minha surpresa um ensinamento: em tempos de redes sociais é importante ter cuidado redobrado com as ironias (que quando descontextualizadas dizem o oposto do que se pensa) e as frases de sentido sutil que podem ser transformadas, dependendo apenas da maldade que habita no coração de quem as lê. Lembrei do ensinamento de Jesus: “Em tempos de Internet, seja teu escrever sim-sim, não-não“.

Ainda disse ao meu pai: “Entendo sua frase e seu contexto. Entendi ainda mais, que ela servia como crítica a uma sociedade que avaliará a competência de um sujeito mais pela sua cor do que por suas qualidades. Todavia, tivesse sido ela escrita em um post da internet e inúmeras pessoas poderiam torturá-la, afastá-la das suas frases irmãs, sequestrá-la para longe da intenção de quem a proferiu e obrigá-la a confessar o que nunca desejou afirmar.”

Meu pai sorriu e tristemente concordou …

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A Culpa é dos Outros

julgamento

Meu filho, porque você comeu o bolo que estava aqui em cima? Mamãe falou que estava quente e não era para comer!
A criança faz cara de choro e aponta para o irmão.
– Mas o  mano também comeu!
A mãe põe as mãos na cintura e o encara com olhar de falsa brabeza:
– Meu filho, desde quando apontar a culpa nos outros diminui o seu erro?

Quem não passou por esta cena?

Apenas quem não teve infância, ou uma mãe zelosa para apontar o certo e o errado para um filho. Pois surpreendentemente, este tipo de lógica usada pelo garoto ainda é muito frequente nos discursos que vejo sobre temas relativos à mulher. Analisem apenas estes dois fatos atuais:

O aborto passa por uma fase de intenso questionamento e avaliação por parte da sociedade civil. Evidentemente as mulheres – seu corpo e sua autonomia – são os mais visados. Parece que a sociedade ocidental patriarcal acende um sinal vermelho sempre que as liberdades femininas são acenadas, mesmo as mais sutis. As antigas estruturas falocêntricas da cultura parecem se abalar diante de qualquer iniciativa que ofereça às mulheres uma liberdade maior para a escolha de seus destinos e para gerenciar com autonomia a sua vida. Por serem elas “matrizes” tendemos a entendê-las como contêineres fetais que carregam algo que é, acima de tudo, nosso.  As mulheres ainda estão longe de garantir o pleno protagonismo de seus corpos.

Entretanto, quando li os primeiros escritos atuais sobre o aborto fiquei um pouco surpreso com o conteúdo de vários deles. Ao invés de testemunhar uma chuva de argumentos em favor da liberdade de escolha,  enfocando a questão de saúde pública envolvida, as mortes evitáveis de mulheres ou a falha dos sistemas policiais de obstaculizar o aborto clandestino no mundo inteiro,  eu me deparei com argumentos ao estilo o “aborto do homem“.

Esse argumento se baseia no fato de que milhões (ao que parece 5 milhões) de crianças não tem o nome do pai na sua certidão, e que isso seria um “aborto de pai“. Quando eu vi essa ideia pela primeira vez eu pensei: “Caraca, o que tem a ver uma coisa com a outra? Porque um pai abandonar um filho é o mesmo que não permitir que ele venha a nascer? Estão tentando comparar maçãs com brócolis! Qual a razão para criar mais culpados nesta equação?“.

Ainda não consigo aceitar que um pai fugir de suas responsabilidades pudesse ser comparável ao aborto, o impedimento de um nascimento. Ambas as situações são problemas sociais que precisam ser atacados: o aborto clandestino e a falta de presença e/ou suporte do genitor no cuidado com seus filhos. Entretanto, o aborto não passa a ter uma compreensão melhor se nós encontrarmos falhas – inquestionáveis – nas condutas masculinas relacionadas à criação de filhos! O argumento do “aborto do pai” em NADA ajuda a descriminalizar ou legalizar o aborto, apenas usa a mesma retórica da criança que comeu o bolo ainda quente. E isso, ao meu ver, apenas exalta uma culpa feminina que tem vergonha de se expressar, da mesma forma como o menino que comeu o bolo sente-se culpado e tenta exonerar esta culpa apontando para o irmão. Não é necessário criar mais culpados para libertar as mulheres do jugo do patriarcado e oferecer-lhes autonomia. O aborto do pai é um erro retórico que apenas atrasa o debate.

Outro cenário: um adolescente toma 30 “shots” em uma competição de quem suportava mais bebida alcoólica em uma festa de “bichos” de uma universidade paulista. Em consequência da intoxicação aguda por álcool ele vem a falecer. A sociedade consternada se pergunta: De quem foi a culpa? Universidade? Cultura?  Sociedade? Família?” Alguém insinua a estúpida e extemporânea pergunta: “Onde está a mãe desse menino que permitiu que isso acontecesse?

Para uma mulher enlutada pela mais dura das dores, a mais cruel das tristezas, o silêncio quebrado pelo soar de um telefone na madrugada, não poderia haver nada pior do que ser acusada por esta tragédia. Posso apenas imaginar a dor amplificada de uma mulher que perde o filho e depois é açoitada por acusações infundadas e absurdas.

Ora, muitas dessas tragédias ocorrem a despeito de todos os esforços que fazemos para que elas sejam evitadas. Eu sou pai e avô, além de ser tio de dezenas de sobrinhos “capetas”, e já tive minha cota de sustos e pânicos. Apontar o dedo para uma mãe nestas condições é mais do que injusto; ultrapassa todos os limites da crueldade. Fazer isso é desconsiderar as circunstâncias e contextos, as forças do grupo e as necessidades de expressão do ego em uma época tão complexa da vida como a adolescência.

Eu mesmo já bebi em uma festa da faculdade. Tomei todas, apenas para saber do que se tratavam as alterações de consciência que eu testemunhava no hospital de Pronto Socorro. Saí cambaleando da festa em direção à minha casa, e no meio do caminho caí. Perdi todos os meus documentos (e só soube dias depois), mas fui socorrido por um gentil passante que me ajudou a entrar em um táxi. Mas poderia ter sido assaltado, esfaqueado, atropelado. Poderia ter morrido por uma dessas tragédias que estão no jornal de hoje.

Seria justo culpar a minha mãe – ou o meu pai!!! – por uma bebedeira juvenil de um menino que antes disso nunca havia bebido, e que depois disso nunca mais se embriagou?

Certo, é estúpido e injusto oferecer esta conta para uma sofrida mulher pagar. Mas diante dessas acusações eu esperava uma defesa aberta da maternidade, um pedido de consciência sobre estes casos, uma solicitação de ponderação sobre os múltiplos elementos que levam a estas tragédias. Eu queria apenas serenidade e menos apontar de dedos. Entretanto, sou obrigado a ler algumas matérias cujo argumento principal é: “Ah, estão acusando a mãe do adolescente? Mas e o pai? Porque não falam dele?

Essas pessoas realmente acreditam que esta mulher terá menos peso a suportar se direcionarmos esta carga para seu marido? Acreditamos mesmo que a dor de uma perda como esta fica menos dolorida se acrescentarmos INJUSTAMENTE outros culpados? A angústia que uma mulher sofre por optar por um aborto fica menor quando sabemos que os homens também fraquejam e abandonam filhos?

Por quê o discurso de algumas feministas (a minoria) insiste nesta dicotomia infantil? Porque não investir em desculpabilizar as mulheres que escolhem pelo aborto ou oferecer aconchego e abraços para uma mãe cujo filho se foi numa brincadeira trágica de faculdade? Porque é necessário atirar a culpa para os “inimigos”, os homens?

E porque, afinal, continuamos a escolher os homens como inimigos quando o patriarcado e o machismo é que deveriam ser os verdadeiros alvos?

Quando me perguntam porque as modificações na sociedade são tão lentas no que diz respeito aos direitos das mulheres eu sempre respondo que enquanto as mulheres aceitarem este discurso equivocado as conquistas continuarão lentas.

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