
Eu entendo a dor, sei o quanto essa geração viu a importância da seleção brasileira decrescer no grande cenário mundial nos últimos 24 anos. Sei quanto dói perder para um país que tem a mesma população de alguns bairros de São Paulo. Porém…
Os ataques aos jogadores são injustos, porque nossos atletas são apenas comuns. Neymar é o nosso último craque excepcional e ele sofreu demais com as seguidas lesões, a falta de continuidade na equipe e também o excesso de dinheiro que nós pagamos a ele, assim como pagamos a todas estas estrelas. Quando o dinheiro de contratos e negócios paralelos é obsceno, e o futebol se torna apenas a vitrina que eles usam para vender seus produtos – entre eles as BETs – a fome passa. Como já dizia Renato Portaluppi, “só se joga com fome”, e por isso garotos de apartamento não prosperam no futebol. Da mesma forma, meninos milionários perdem o principal combustível para a excelência.
Uma análise mais ponderada por fim vai reconhecer a mediocridade dos nossos jogadores, a falta de talentos que desmontam nosdiscadversários e que possam decidir uma partida, assim como fizeram Pelé, Garrincha, Romário, Ronaldo, etc. Não temos um Messi, um Mbapé ou um Haaland no nosso time, que decidem um jogo na única bola que recebem. Tivemos o jogo nas mãos por duas vezes contra os noruegos e não conseguimos marcar, por falha dos atacantes. Incapacidade? Inexperiência, talvez.
A maturidade também vai surgir quando pararmos de criticar a personalidade de Neymar para justificar nossos fracassos em campo, usando para isso seu bolsonarismo, seus negócios e seu comportamento. Ele estava na seleção para jogar bola, e não numa seletiva para genro.
Mas eu sei exatamente como é essa dor, por isso vou aguardar que o luto passe e comecem a surgir as análises mais serenas e mais racionais.