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Mentiras

“A maturidade apenas suaviza os jogos que fazemos e o teatro de nossas ações. Não há vida humana sem que nossas atitudes sejam apenas um pálido e distorcido espelho de nossos sentimentos. E, de uma certa forma, isso é o que nos torna humanos; sem essa distância nossas ações seriam enfadonhas e previsíveis. Mentir e mentir-se é tão essencial à alma quanto respirar.”

Jeanne Woolworth-Beeck, “Any Wheel”, ed. Pegasus, pág 135

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Idealizações

Toda a paixão por uma causa leva fatalmente à idealização. Mulheres, negros, índios, partos, gays, trans, socialismo, religião e todas as outras causas nobres sucumbem – mais cedo ou mais tarde – a este tipo de arapuca.

Não há como evitar. Se o motor é a paixão, e sendo ela irracional, como evitar que estas ideias fujam das rédeas frágeis da razão? Com o tempo o ativista percebe que seus pés se afastaram tanto do chão firme que não existe mais contato possível com a realidade. Tudo em volta é etéreo e moldável, como o desejo, e a realidade é vista através de um funil que tanto focaliza um fato quanto apaga o mundo ao redor

A maturidade de uma luta parte do arrefecimento desse afã juvenil, que tanto impulsiona quanto oblitera a visão. Amadurecer é aceitar o recuo das paixões para que se estabeleça um contato mais racional com nossas causas e propostas.

Como no amor.

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Preconceitos

A publicidade que foi dada ao escritor medíocre que afirmou não gostar de sexo com mulheres de mais de 50 anos é muito mais chamativa do que sua frase tosca e provocativa. Primeiro, vamos deixar claro que seus gostos pessoais não podem ser julgados; seus conceitos generalizantes, sim, mas este é um outro assunto. Eu, por acaso, acho as mulheres de 50 esplendorosas, mas esta é uma visão subjetiva sobre a qual não cabe julgamento.

Entretanto, ficou muito curiosa a reação a esta afirmação grosseira. Homens e mulheres (em geral coroas como eu) indignados com a manifestação o chamaram de “feio”, “horroroso” e de “maracujá de gaveta” (uma mistura de velho, feio e enrugado). Pergunto: por acaso preconceito com a idade é pior que preconceito com feiúra alheia? A resposta ao preconceito dele foi uma chuva de…. preconceitos. Eu, como feio, me senti ofendido por tabela. Não somos nós também dignos de receber amor?

Esse escritor completamente desconhecido conseguiu, através dessa estratégia de marketing, fazer como o assassino na cena final de Se7en: obrigar os outros a mostrar o mal que tem dentro de si mesmos, mas que só enxergam nos outros.

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Tempo

lucas-oliver

Vou repetir, à minha maneira, a frase que Sartre uma vez teria dito para uma aluna: “Sei traduzir, pelo olhar de vocês, o quanto me consideram velho. Consigo perceber pelos comentários, risos e expressões que um fosso de tempo se abre entre nós. Todavia, esta percepção só se dá de fora para dentro; não consigo sentir-me da forma como me olham, apesar de aceitá-la como verdadeira e justa.”

Lembrei disso ao fazer essa foto. Eu sei que me chamam de velho, e meus não-cabelos não me permitem dúvidas. Entretanto sinto como se fosse na semana passada que eu mesmo estava passeando com meu filho pequeno me segurando pela mão.

A marcha do tempo é cruel e inexorável, mas sem ela teríamos caos e estagnação.

“Necessidades nos dizem da natureza, os desejos da fantasia. As primeiras do corpo, as outras da alma. As necessidades finitas, já que biológicas, os desejos infinitos, posto que etéreos e insaciáveis.”

“Em tempos de insensibilidade e pragmatismo a gratidão é um farol brilhante a nos indicar o melhor caminho. Lembre de agradecer e elogiar. É grátis, é simples e lhe permite mudar o mundo ao seu redor.”

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