Milícias

Sabem porque eu acho que revelar as ligações do Flávio com o crime organizado e as milícias não vai surtir um grande efeito eleitoral? Na verdade, nenhum efeito…

Digo isso porque o brasileiro médio não acha a milícia uma coisa ruim. Lembram do Bolsonaro exaltando os grupos de extermínio da Bahia e convidando para virem ao Rio estabelecer seu domínio? Na época quem reclamou? Quem se escandalizou? Quem deu voz de prisão a ele? O mesmo com os elogios ao Brilhante Ustra. Quem agiu em nome da democracia e dos direitos humanos? Quem bradou contra esse crime?

Poucos….

No Brasil, e em muitos outros lugares, as pessoas não são contra a tortura e o extermínio feitos pela polícia. Olhem os comentários nas notícias de linchamentos de assaltantes, ou dos ladrões que foram perseguidos pela vítima e morreram atropelados por furtarem um celular. Lembrem do governador “Na cabecinha Witzel”, seu elogio à execução sumária e os pulinhos ridículos de comemoração? O brasileiro médio deplora a tortura que sofre, e pelas múltiplas formas que ela lhe atinge, mas não a tortura aplicada aos outros – em especial pretos e pobres.

Não quero criminalizar a sensação de insegurança do povo e o alívio que um extermínio do “mal” ilusoriamente oferece, mas não podemos ser ingênuos de acreditar que somos um povo pela paz. Ofereçam milicianos e muitos vão aplaudir. Mortes pela polícia da mesma forma. Enquanto tivermos uma sociedade de classes haverá insurgentes contra sua injustiça estrutural, e essa reação fará o pobre achar que estará mais seguro sendo “protegido” por milicianos.

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Arquivado em Política, Violência

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