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Milícias e Escândalos

Sabem porque eu acho que revelar as ligações do Flávio com o crime organizado e as milícias não vai surtir um grande efeito eleitoral? Na verdade, creio que estas ligações com o submundo não produzem nenhum efeito deletério para as candidaturas da direita. Digo isso porque o brasileiro médio não acha a milícia uma coisa ruim. Lembram do Bolsonaro exaltando os grupos de extermínio da Bahia e convidando para virem ao Rio estabelecer seu domínio? Na época quem reclamou? Quem se escandalizou? Quem deu voz de prisão a ele? O mesmo com os elogios ao Brilhante Ustra. Quem agiu em nome da democracia e dos direitos humanos? Quem bradou contra esse crime?

Poucos….

No Brasil, e em muitos outros lugares, as pessoas não são contra a tortura e o extermínio feitos pela polícia. Olhem os comentários nas notícias de linchamentos de assaltantes, ou dos ladrões que foram perseguidos pela vítima e morreram atropelados por furtarem um celular. Lembrem do governador “Na cabecinha Witzel” e seu elogio à execução sumária e os pulinhos ridículos de comemoração? O brasileiro médio deplora a tortura que sofre, e pelas múltiplas formas que ela lhe atinge, mas não a tortura aplicada aos outros – em especial pretos e pobres.

O mesmo ocorre com a ligação aos grandes escândalos financeiros, como a ligação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Para boa parte do eleitorado da direita brasileira, esse envolvimento apenas demonstra o poder do candidato, capaz de influenciar a pauta nacional e movimentar somas gigantescas. O fato de solicitar intervenção americana na soberania brasileira também é um sinal de poder. De acordo com as definições modernas, que nos permitem chamar os tempos atuais de “A era dos Canalhas“, Flávio Bolsonaro incorporaria os elementos do herói neoliberal, sem caráter e sem escrúpulos, mas vitorioso no embate pelo poder. 

Não quero criminalizar a sensação de insegurança do povo e o alívio que um extermínio do “mal” ilusoriamente oferece, mas não podemos ser ingênuos de acreditar que somos um povo pela paz. Ofereçam milicianos e muitos vão aplaudir. Diante de um sujeito imoral e canalha, muitos vão acreditar que se trata da melhor escolha. Mortes causadas pela polícia da mesma forma passam a ser celebradas. Enquanto tivermos uma sociedade de classes haverá insurgentes contra sua injustiça estrutural, e essa reação fará o pobre achar que estará mais seguro sendo “protegido” por milicianos e contraventores. 

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Imprensa e miséria

O Brasil tem mesmo um jornalismo miserável. Quando o Queiroz refugou ao dizer o nome do hospital em que estivera internado um jornalista de verdade perceberia a manobra e pularia imediatamente no seu pescoço para colocá-lo em contradição. Com duas ou três perguntas faria ele gaguejar e se perder. Ele se entregaria sozinho, apenas com a exposição de suas mentiras.

O que fez a entrevistadora? Nada, deixou passar. Apenas disse “ok”…

Aliás, todo mundo sabia de antemão que a desculpa oferecida por Queiroz seria furada e mentirosa. Todo mundo brincava com a versão que seria apresentada, mesmo que todos saibam que é uma fraude para acobertar a “rachadinha”, manobra típica do baixo-clero

Certamente que o judiciário – como Moro já sinalizou – deixará por isso mesmo e aceitará como verdadeira a versão. Por que haveríamos de duvidar da palavra de Queiroz? Se ele diz que foram carros então está encerrado o caso. Talvez pague uma multa por sonegar, mas é certo que diante do “grande acerto nacional” – com o supremo, com tudo – nada será feito para ir adiante nas investigações.

No fim teremos mais uma farsa grosseira para colorir o grande golpe aplicado contra a democracia

Pior, ainda nossa imprensa chapa-branca acovardada não irá atrás dos carros vendidos e comprados, dos recibos e dos supostos compradores e não investigará um por um os funcionários do gabinete.

Nosso jornalismo de grande imprensa é uma fraude.

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