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Rollerball

Quando eu era menino lembro de ir assistir uma superprodução de ficção científica do ano de 1975 estrelada por James Caan chamada “Rollerball”. No ano de 2018 (!!!) era famoso um esporte assustadoramente violento onde boa parte da diversão era a ocorrência graves ferimentos e até mortes durante os confrontos. Apesar – ou em função – da desmedida violência e os casos não raros de morte durante o jogo, o Rollerball tinha popularidade gigantesca e mundial.

A sociedade retratada era uma distopia opressora e totalitária capitalista, onde grandes corporações controlavam a vida e a morte dos cidadãos. O filme sempre me remeteu ao espetáculo mórbido dos concursos de dança de “They shoot horses, don’t they?”, filme de Sidney Pollack de 1969, onde uma sociedade arrasada pela depressão pós 1929 saciava sua necessidade de circo através do sacrifício dos dançarinos.

Curiosamente esta semana houve um feminicídio causado por uma disputa de um casal sobre futebol e hoje vi conhecidos perdendo completamente a compostura e a educação ao tratarem da derrota do seu time no mundial de clubes. Essas coisas não são coincidências.

Na sociedade distópica onde se praticava o Rollerball as pessoas arrefeciam suas angustias e sua infelicidade em um mundo caótico e violento, divertindo-se com as disputas de gladiadores sobre patins que se enfrentavam até a morte. Hoje se matam amores e desfazem amizades pelo futebol, enquanto o Big Brother serve como um catalisador de frustrações e rancores recalcados.

Por certo que se não há pão, que não falte circo. A brutalidade desses espetáculos é a medida exata do buraco gigantesco aberto pelo capitalismo no mundo atual, o qual nos sufoca e oprime.

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Mãe boa, boa mãe

amamentar

A nova edição do BBB terá uma “stripper” que também é mãe de um bebê de 1 ano de idade. Quando foi divulgado que ela ficaria “confinada” na Casa alguns ativistas da amamentação questionaram se ela poderia ser considerada uma “mãe boa” deixando seu bebê longe da sua presença e também sonegando-lhe a possibilidade de ser amamentado. Quanto a estas questões, tenho algumas ponderações.

Brincadeiras a parte, concordo que uma pessoa pode ser avaliada de diversas formas, de acordo com o aspecto que queremos ressaltar. Entretanto, escolher um critério apenas para qualificá-la é injusto e certamente cruel. Eu tive a melhor mãe do mundo mas ela não amamentou nenhum dos seus filhos. Naquela época isso era “feio”, inferior e anticientífico. O correto, o que era estimulado, o que era propagado… era a alimentação por fórmula. Eu e meus irmãos fomos alimentados artificialmente. Minha mãe foi vítima do seu tempo, dos valores que a cercavam e das ideias que naquela época circulavam.

Freud usava regularmente cocaína para se distrair; John Lennon marijuana. Jung transou com pacientes histéricas. Nietzsche era maníaco e neurótico. Sócrates se opunha à democracia. Oscar Wilde, tinha uma vida sexual dupla. Ferdinand Celine era simpático ao nacional socialismo, Heidegger igualmente. Seriam todos degenerados, patifes, perversos? Ou apenas seres humanos com virtudes, defeitos e genialidades inquestionáveis?

Os valores são dos homens e mulheres; os defeitos são de seu tempo.

Julgar “não amamentadoras” é muito mais ruim para o movimento da amamentação do que para aquelas que por alguma razão (escolha ou impossibilidade) não puderam dar seu leite aos filhos. Precisamos trazer para o movimento da amamentação o mesmo debate que propomos para a humanização do nascimento: a “AGENDA POSITIVA”.

Reconheço a importância dos esforços pela amamentação que estão ocorrendo no Brasil, a força das ONGs de proteção ao aleitamento livre, público e irrestrito, a importância de levar adiante as queixas de constrangimentos às mulheres que amamentam e a premência de ESCUTAR as mulheres, para que as suas vozes sejam levadas em consideração e não caiam no vazio. Chega de machismo disfarçado de “decência”; somos contra a moral dúbia que sonega amamentação livre e permite a pornografia desenfreada em todos os meios de comunicação. Naturalizar o corpo não é o mesmo que comercializá-lo livremente para o lucro dos que vivem do escândalo e da futilidade.

Por outro lado, não podemos perder tempo apontando dedos, mostrando o “lado negro da força”. Raio Laser e muita luz para todos!! Precisamos ressaltar a impor\tância da amamentação, e não os malefícios do desmame. Precisamos elevar a mãe que amamenta a um patamar superior na sociedade, mas não podemos perder tempo desmerecendo aquelas que assim não puderam proceder.

Precisamos caminhar em direção à luz, e deixar as trevas de lado.

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