Arquivo da tag: Curdistão

Normose

Nesta vida posso ser acusado de muitas coisas, menos de ter sucumbido à tentação da normalidade.

Dimen Berpa, “Dilemas da Guerra sem Fim”, ed. Paleo, pág. 135

Dimen Kaleb Berpa é um historiador e militante da causa da independência do Curdistão. Nasceu em 1950 em Batman, no Curdistão turco. Filho e neto de militantes pela liberdade do Curdistão, seu avô Berzend Berpa foi líder das tropas curdas na revolução de 1927, na região do Monte Ararat, ocasião em que foi preso e acabou morrendo nas prisões turcas quando da supressão da revolta em 1930. Seu pai, capitão Meiwan Berpa, foi combatente na revolta armada que culminou com a criação da efêmera República de Mahabad, em 1946, mas esta insurreição igualmente fracassou (apesar do reconhecimento da União Soviética) e o território voltou para o domínio iraniano. Dimen estudou história na universidade em Diabaquir às margens do rio Tigre mas jamais abandonou a militância herdada por seu pai e avô. Escreveu vários livros sobre o Curdistão, incluindo-se “História do Curdistão Turco”, “Areias sobre Gaziantep”, e um livro sobre as guerras de independência do nação curda, “Dilemas da Guerra sem Fim”. Dá aulas de história na Gaziantep University e viaja o mundo fazendo palestras sobre a liberdade e a soberania do seu povo.

Deixe um comentário

Arquivado em Citações

Refugiados

A foto acima apressou o fim da guerra no Vietnã, o que fará a que se encontra no fim desse texto? A foto do menino morto na praia nos despertou para a tragédia dos refugiados. As imagens das execuções sumárias e das mais de 500 crianças mortas no último massacre de Gaza por Israel nos despertam lentamente para a barbárie, com a qual ainda somos coniventes.

Não reclamem das imagens; questionem a realidade estúpida e desumana.

Você não vai orar por algo ou alguém que desconhece. Faria uma oração pelos desabrigados e vítimas de bombas terrestres no Curdistão? Não, não faria isso sem ter o conhecimento dessa crueldade. A foto do menino sírio serve para nos despertar, nos mostrar o drama humano dos refugiados. Nos obriga a refletir e questionar. Nos mostra a crueza da morte de uma criança. E nos obriga a tomar posição diante dessa tragédia. A foto cumpriu seu propósito de nos sacudir.

Aylan Kurdi 01

Eu acho que a imagem da criança sem vida na praia tem a capacidade de nos despertar. Por mais cruel que seja, pode ter uma função pedagógica. Ele tinha 3 anos e se chamava Aylan Kurdi. Não conseguimos nos mobilizar sem estabelecer identificações, e a cena nos leva a pensar nos meninos que nos cercam e que poderiam estar com seus pequenos corpos gelados em uma praia abandonada. Enquanto seres humanos forem apenas números nada faremos para mudar esta realidade crua.

A imagem forte e cruel nos oportuniza despertar do nosso sono de insensibilidade. Se não fosse a fotografia do menino na praia estaríamos debatendo a tragédia dos refugiados sírios?

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo, Palestina, Violência