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Jean Wyllys e a Palestina

Eu gosto de algumas posições do Jean e muitas das causas que ele defende, apesar de ser critico de algumas outras. Por isso mesmo, por admirar sua coragem e apoiar algumas pautas (como a humanização do nascimento), eu fiquei profundamente decepcionado com sua ida à Palestina, através de um convite mequetrefe da Universidade para debater “diversidade”, caindo no alçapão do pinkwashing sionista.

Enquanto estava lá, no “convescote racista” do qual participou, ele chegou a escrever alguns textos defendendo sua presença no seminário. As explicações eram eivadas do mais primário dos relativismos, ao estilo “os dois lados tem suas culpas”, “é preciso paz“, “o terrorismo precisa acabar“, “Israel tem o direito de existir“, “não aceitamos antissemitismo“, etc. Para terminar oferece a novidade de propor a “solução de dois Estados”, um judeu e outro árabe palestino.

Ora, qualquer um que se debruça sobre o tema sabe que a solução de dois Estados foi boicotada por Israel. O plano SEMPRE foi, desde 1948, a limpeza étnica e o genocídio. Hoje, com as invasões sistemáticas da linha verde, a solução de dois Estados é impossível, e só resta a solução de UMA Palestina – como nação multiétnica. Uma nação, vários povos. Como a Bélgica ou a Suíça, por exemplo, ou mesmo a África do Sul, que venceu o Apartheid.

Jean é o representante da esquerda sionista no Brasil que precisa ser confrontada, que precisa parar de beber da propaganda de Israel e reconhecer os crimes à humanidade perpetrados contra a população Palestina nativa.

Entretanto, por Jean ser homossexual e negro, ele sabe muito bem o que é preconceito, racismo e exclusão. Tenho a esperança de que esta conversa com Lula seja mais um tijolo a edificar uma troca de postura diante da causa Palestina. As pessoas podem aprender com seus erros e rever suas posturas.

Espero que Jean tenha a sabedoria para apagar esta mácula em sua biografia.

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Dois Estados

Israeli citizens hold Israeli flags and banners during a rally in Tel Aviv on April 19, 2016 to support Elor Azria, an Israeli soldier recently charged with manslaughter after shooting a prone and wounded Palestinian assailant in the head. The rally, attended by an estimated 5,000 people, was a source of controversy in Israel where the top brass have condemned Azria’s actions while far-right supporters and politicians urged his release. / AFP PHOTO / JACK GUEZ

Caros amigos…

Não vai chegar nenhuma solução de “Dois Estados” para a Palestina; não me tomem por ingênuo. Essa solução é uma mentira construida pelo Estado Sionista para enganar o mundo todo. Os acordos de Oslo e Camp David seguiram este mesmo roteiro farsesco, onde desejo sempre foi a supressão da população nativa e original pelo genocídio sistemático (desde 1948 milhões de Palestinos já foram mortos pelas forças de ocupação) e pela limpeza étnica, através das prisões desumanas (inclusive de mulheres e crianças) e pela simples expulsão – como no Nakba – que é um processo, não um evento.

Sim, eu sei o significado de Holocausto e posso lhes garantir que não é uma palavra que só pode ser usada para as mortes de judeus. Houve um holocausto na Armênia, outro na China ocupada, na Coreia, no Congo sob o regime de Leopoldo da Bélgica, nas populações nativas das Américas e agora testemunhamos um massacre na Palestina – que tem o direito de ser chamado de holocausto, por ter o racismo como principal motivação.

Não haverá “democracia” na Palestina enquanto existir um regime de Apartheid e de caráter segregacionista como o sionismo. Não há mais como tapar o sol com a peneira. Abram os jornais e pesquisem na Internet e vejam como o MUNDO INTEIRO já acordou para a vergonha de uma etnocracia racista – a última experiência de colonialismo a sobreviver no mundo atual.

O modelo de dois estados foi BOICOTADO por Israel com as invasões sistemáticas da “linha verde” – os limites de 1967 – e a multiplicação dos assentamentos ilegais, que continuam até hoje. A demolição continuada de casas e vilas inteiras de palestinos teve sua velocidade acelerada nos últimos anos com os governos de extrema direita, mas não há nenhuma hipótese de que um governo sionista de esquerda faria diferente – e a história prova que nunca o fizeram.

Democracia, meus caros, só com um estado multinacional, com voto abrangente para a população palestina, com o reconhecimento do árabe como língua nacional – junto com o hebraico – com escolas mistas, com liberdade religiosa e com governos democraticamente eleitos por todos que lá vivem.

Não venham com conversinhas. Façam o dever de casa primeiro. Não esqueçam que o maior parceiro da barbárie fascista do Brasil é exatamente Israel e seu fascismo.

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Ocasio Sanders

Não quero ser estraga prazeres (ou empata ph*da) mas o entusiasmo que boa parcela da esquerda internacional tem com Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez tem o mesmo aroma de esperança frustrada que o mundo civilizado tinha com Obama. Este, ao fim e ao cabo, sempre se comportou como um Darth (in)Vader para tantos países, levando morte e miséria para milhões por onde o império derrama seu sal. Obama apenas confirmou o papel secundário dos mandatários americanos diante do poder do “deep state“: forças armadas e Wall Street. O apoio ao golpe americano na Venezuela soterrou minhas esperanças em Bernie e a postura de “Estrela da esquerda cirandeira” de Alexandria me faz perder o entusiasmo. Tomara que eu esteja errado

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Ainda sobre Jean

Comecei a gostar das crónicas (com “ó” mesmo) de Alexandra Lucas quando ela escreveu uma emocionante defesa de Woody Allen, rechaçando as mentiras e difamações que muitas mulheres americanas, sedentas de sangue, lançaram contra ele – a exemplo de bolsominions, sem provas e prenhes de convicções. O linchamento das radicais americanas me enojou quando percebi o ódio manifesto contra um homem, branco, rico e maduro cujo único crime foi se envolver com uma mulher mais jovem e com quem está unido há mais de 30 anos. A história do abuso, uma criação fantasmática rechaçada pela polícia e pelos especialistas, povoa a imaginação dessas acusadoras há 3 décadas. Ainda hoje atrizes como Ellen Page e Susan Sarandon espalham estas mentiras sem jamais demonstrarem uma prova sequer de que uma violência tenha sido cometida. O ódio, e só ele, as motiva.

Agora Alexandra escreve sobre a tristeza, que compartilho com ela (veja aqui), de ver uma figura tão importante para a imagem das esquerdas e do universo LGBT escrevendo tolices inimagináveis sobre a Palestina, vítima de um engodo criado sobre a “liberdade gay de Israel”. Em um texto escrito após ser criticado pela visita imprópria a Israel, Jean Wyllys, este personagem, conseguiu em poucos parágrafos reunir uma infinidade de clichés, bobagens, desinformações, preconceitos, ingenuidades e lugares comuns sobre a Palestina, mostrando que sua luta contra a opressão gay e trans em seu país não foi intensa o suficiente para se estender ao sofrimento e opressão a que são submetidos os palestinos, massacrados pelo exército racista de Israel. Sua deplorável conivência com o sionismo apenas mostra que, sem um aprofundamento sobre o tema, qualquer um pode ser vítima da sedução, do “pinkwashing” e da propaganda dos opressores.

Meu desejo – e o de Alexandra – é que Jean viva o suficiente para se desculpar do estrago que produziu na imagem da esquerda brasileira e para a luta Palestina por liberdade e autonomia. Sonho com o dia em que um texto seu comece com as palavras:

“Sobre a Palestina, eu peço perdão…”

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Porque apoio a Palestina Livre

Estudo a questão Palestina há 10 anos e não sou tolo de cair na armadilha do “antissemitismo”, como denunciou Norman Finkelstein. Ninguém mais pode cair nesse tipo de cilada. Israel é um país que foi roubado dos seus habitantes, um país terrorista que ataca mulheres e crianças palestinas. No último ataque a Gaza (2014) foram 2200 mortos sendo 500 crianças. Gaza não tem tanques, exército ou armas. Foi um massacre covarde contra a população civil!!!

Sou anti sionista SIM porque sou contra o racismo. Os palestinos na política de Israel são uma farsa, apenas usados para dar uma face democrática e enganar pessoas que desejam acreditar na falácia de um “Estado Democrático e judeu”, que nada mais é do que uma etnocracia,  assim como era a África do Sul. Os palestinos de Israel são “cidadãos de segunda classe” (como negros na África do Sul) e são proibidos pelas mais de 50 leis racistas a serem maioria no Knesset. Os 6 milhões de  palestinos não tem direito a voto!!!! Ser contra o modelo de limpeza étnica e extermínio palestino não é ser contra os judeus, da mesma forma que ser contra os nazistas não é ser contra os alemães. É preciso ACORDAR!!!!!

Vou citar apenas os meus heróis JUDEUS para que entendam mais sobre a questão Palestina e o neocolonialismo europeu no oriente médio que se baseia em limpeza e genocídio da população que lá vive há séculos. Apenas lembrem que NUNCA houve animosidade contra judeus no Oriente Médio antes da Palestina ser roubada em 1948. Os autores são: 

Illan Pappe

Max Blumenthal

Miko Pellet

Norman Finkelstein

Shlomo Sand

Gideon Levy e

Noam Chomsky

Se quiserem os não judeus leiam – e vejam no YouTube – George Galloway e o ex presidente americano Jimmy Carter. Sejam contra o racismo e combatam o genocídio promovido por Israel. Existem milhares de informações em vídeos e livros sobre o assunto!!!!

Ha muitos anos eu era como boa parte dos ocidentais que acreditavam em Israel, principalmente pela propaganda odiosa anti árabe do cinema americano. O documentário Reel Bad Arabs (tem no Youtube) abriu meus olhos para isso. Acreditava que Israel havia feito o deserto florescer, que era uma “ilha de civilização no meio da barbárie” e outras tantas falsidades criadas para justificar o Nakba – a catástrofe que se iniciou em 1948. Eram todas mentiras: Israel é a própria barbárie no oriente médio, a principal apoiadora do ISIS. Leiam sobre isso!!!!

Todavia, só consegui mudar minha opinião lendo os autores judeus que me mostraram a verdadeira narrativa Palestina e o roubo da sua terra. Foi com Norman Finkelstein e “A Indústria do Apartheid” que eu acordei para estas acusações toscas de antissemitismo para todos que defendem a Palestina. Foi com Miko Peled, o filho do General israelense, que eu entendi a segregação racial por dentro e compreendi a guerra de 67. Foi com Ilan Pappe que eu entendi a limpeza étnica da Palestina que foi arquitetada desde o século XIX. Foi com Shlomo Sand que entendi a invenção do “povo judeu”, que nada mais é que uma criação ficcional para justificar o extermínio árabe. Foi com Noam Chomsky, antigo defensor do sionismo, que entendi que não há nada de judeu em apoiar um sistema as assino e que sempre é tempo para mudar e recolher o lado certo da história. Foi assistindo “5 câmeras quebradas” que pude ver de perto a resistência pacífica dos palestinos e seu sofrimento sob a opressão.  

E acima de tudo, foi através do aprofundamento nas leituras que pude tirar da frente dos meus olhos o véu da propaganda sionista e islamofóbica que me impedia de ver a realidade. Espero que este seja o caminho de todos que desejam a paz, até porque é absolutamente incoerente defender o legítimo direito dos índios brasileiros e negá-lo aos palestinos.

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