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Jesus

“Cada um constrói Jesus de acordo com suas fantasias. Não há nenhuma forma de descrevê-lo de forma minuciosa sem se basear em pura imaginação. Recorrer à Bíblia é um enorme risco, na medida em que são relatos imprecisos de fatos descritos até um século depois de terem ocorrido.

Aliás, ao meu ver Jesus era precisamente isso: um “judeu falando de judaísmo para outros judeus”. Era um dos muitos (centenas) de Messias que vagaram pela Judeia pregando a libertação do povo judeus do imperialismo romano. Ele jamais falou, durante toda a sua curta pregação, para não-judeus; seu universo sempre foi o espaço entre o mar Mediterrâneo e o Rio Jordão.

Jesus era essencialmente um reformista da religião judaica e um agitador político ligado aos Zelotas. A ideia de que era um “enviado”, um “Espírito de luz”, “o filho de Deus”, o “próprio Deus encarnado” ou um ser responsável pela “governança do planeta” mistura “wishful thinking” com delírios etnocêntricos, colonialismo europeu (pois foi lá que o cristianismo em todas as suas vertentes floresceu) e o puritanismo. A concepção virginal e o celibato crístico falam muito dessa visão pecaminosa e religiosa sobre a sexualidade.

Seu projeto político, como se sabe, foi um fracasso retumbante, pois que o Messias seria aquele que cumprisse a profecia de libertação do povo oprimido da Palestina – o que só ocorreu 70 anos depois e por pouco tempo. Não só ele, como centenas de outros “Messias” tiveram o mesmo fim. Todavia, tudo o que se diz sobre a vida mundana de Jesus é criação posterior à sua morte, e não há como saber o que realmente ocorreu.

Assim, se Jesus era um judeu comum, com propostas revolucionárias, agindo politicamente na Palestina para a libertação do seu povo, o Cristo é uma CRIAÇÃO HUMANA do inconsciente coletivo diante das demandas sociais e políticas do seu tempo. O Cristo foi, assim, moldado diante de nossas vontades e fantasias, guardando pouca – ou quase nenhuma – relação com o jovem judeu que caminhou pela Galileia.”

Adam Burke Wellington, “Steps on the Sands of Palestine”, ed. Barack, pág. 135 (tradução pessoal)Adam B. Wellington é um paleontólogo da Universidade de Hamilton, com mestrado em estudos bíblicos que escreveu vários livros sobre a vida do “Jesus histórico”. Colaborou com a coleção “Avatars” descrevendo o Jesus da Galileia em sua vertente socialista. Seu livro mais conhecido em português é “Sombras do Jordão”, da editora Magiar.

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Jean Wyllys e a Palestina

Eu gosto de algumas posições do Jean e muitas das causas que ele defende, apesar de ser critico de algumas outras. Por isso mesmo, por admirar sua coragem e apoiar algumas pautas (como a humanização do nascimento), eu fiquei profundamente decepcionado com sua ida à Palestina, através de um convite mequetrefe da Universidade para debater “diversidade”, caindo no alçapão do pinkwashing sionista.

Enquanto estava lá, no “convescote racista” do qual participou, ele chegou a escrever alguns textos defendendo sua presença no seminário. As explicações eram eivadas do mais primário dos relativismos, ao estilo “os dois lados tem suas culpas”, “é preciso paz“, “o terrorismo precisa acabar“, “Israel tem o direito de existir“, “não aceitamos antissemitismo“, etc. Para terminar oferece a novidade de propor a “solução de dois Estados”, um judeu e outro árabe palestino.

Ora, qualquer um que se debruça sobre o tema sabe que a solução de dois Estados foi boicotada por Israel. O plano SEMPRE foi, desde 1948, a limpeza étnica e o genocídio. Hoje, com as invasões sistemáticas da linha verde, a solução de dois Estados é impossível, e só resta a solução de UMA Palestina – como nação multiétnica. Uma nação, vários povos. Como a Bélgica ou a Suíça, por exemplo, ou mesmo a África do Sul, que venceu o Apartheid.

Jean é o representante da esquerda sionista no Brasil que precisa ser confrontada, que precisa parar de beber da propaganda de Israel e reconhecer os crimes à humanidade perpetrados contra a população Palestina nativa.

Entretanto, por Jean ser homossexual e negro, ele sabe muito bem o que é preconceito, racismo e exclusão. Tenho a esperança de que esta conversa com Lula seja mais um tijolo a edificar uma troca de postura diante da causa Palestina. As pessoas podem aprender com seus erros e rever suas posturas.

Espero que Jean tenha a sabedoria para apagar esta mácula em sua biografia.

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Dois Estados

Israeli citizens hold Israeli flags and banners during a rally in Tel Aviv on April 19, 2016 to support Elor Azria, an Israeli soldier recently charged with manslaughter after shooting a prone and wounded Palestinian assailant in the head. The rally, attended by an estimated 5,000 people, was a source of controversy in Israel where the top brass have condemned Azria’s actions while far-right supporters and politicians urged his release. / AFP PHOTO / JACK GUEZ

Caros amigos…

Não vai chegar nenhuma solução de “Dois Estados” para a Palestina; não me tomem por ingênuo. Essa solução é uma mentira construida pelo Estado Sionista para enganar o mundo todo. Os acordos de Oslo e Camp David seguiram este mesmo roteiro farsesco, onde desejo sempre foi a supressão da população nativa e original pelo genocídio sistemático (desde 1948 milhões de Palestinos já foram mortos pelas forças de ocupação) e pela limpeza étnica, através das prisões desumanas (inclusive de mulheres e crianças) e pela simples expulsão – como no Nakba – que é um processo, não um evento.

Sim, eu sei o significado de Holocausto e posso lhes garantir que não é uma palavra que só pode ser usada para as mortes de judeus. Houve um holocausto na Armênia, outro na China ocupada, na Coreia, no Congo sob o regime de Leopoldo da Bélgica, nas populações nativas das Américas e agora testemunhamos um massacre na Palestina – que tem o direito de ser chamado de holocausto, por ter o racismo como principal motivação.

Não haverá “democracia” na Palestina enquanto existir um regime de Apartheid e de caráter segregacionista como o sionismo. Não há mais como tapar o sol com a peneira. Abram os jornais e pesquisem na Internet e vejam como o MUNDO INTEIRO já acordou para a vergonha de uma etnocracia racista – a última experiência de colonialismo a sobreviver no mundo atual.

O modelo de dois estados foi BOICOTADO por Israel com as invasões sistemáticas da “linha verde” – os limites de 1967 – e a multiplicação dos assentamentos ilegais, que continuam até hoje. A demolição continuada de casas e vilas inteiras de palestinos teve sua velocidade acelerada nos últimos anos com os governos de extrema direita, mas não há nenhuma hipótese de que um governo sionista de esquerda faria diferente – e a história prova que nunca o fizeram.

Democracia, meus caros, só com um estado multinacional, com voto abrangente para a população palestina, com o reconhecimento do árabe como língua nacional – junto com o hebraico – com escolas mistas, com liberdade religiosa e com governos democraticamente eleitos por todos que lá vivem.

Não venham com conversinhas. Façam o dever de casa primeiro. Não esqueçam que o maior parceiro da barbárie fascista do Brasil é exatamente Israel e seu fascismo.

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Porque apoio a Palestina Livre

Estudo a questão Palestina há 10 anos e não sou tolo de cair na armadilha do “antisemitismo”, como denunciou Norman Finkelstein. Ninguém mais pode cair nesse tipo de cilada. Israel é um país que foi roubado dos seus habitantes, um país terrorista que ataca mulheres e crianças palestinas. No último ataque a Gaza (2014) foram 2200 mortos sendo 500 crianças. Gaza não tem tanques, exército ou armas. Foi um massacre covarde contra a população civil!!!

Sou anti sionista SIM porque sou contra o racismo. Os palestinos na política de Israel são uma farsa, apenas usados para dar uma face democrática e enganar pessoas que desejam acreditar na falácia de um “Estado Democrático e judeu”, que nada mais é do que uma etnocracia,  assim como era a África do Sul. Os palestinos de Israel são “cidadãos de segunda classe” (como negros na África do Sul) e são proibidos pelas mais de 50 leis racistas a serem maioria no Knesset. Os 6 milhões de  palestinos não tem direito a voto!!!! Ser contra o modelo de limpeza étnica e extermínio palestino não é ser contra os judeus, da mesma forma que ser contra os nazistas não é ser contra os alemães. É preciso ACORDAR!!!!!

Vou citar apenas os meus heróis JUDEUS para que entendam mais sobre a questão Palestina e o neocolonialismo europeu no oriente médio que se baseia em limpeza e genocídio da população que lá vive há séculos. Apenas lembrem que NUNCA houve animosidade contra judeus no Oriente Médio antes da Palestina ser roubada em 1948. Os autores são: 

Illan Pappe

Max Blumenthal

Miko Pellet

Norman Finkelstein

Shlomo Sand

Gideon Levy e

Noam Chomsky

Se quiserem os não judeus leiam – e vejam no YouTube – George Galloway e o ex presidente americano Jimmy Carter. Sejam contra o racismo e combatam o genocídio promovido por Israel. Existem milhares de informações em vídeos e livros sobre o assunto!!!!

Ha muitos anos eu era como boa parte dos ocidentais que acreditavam em Israel, principalmente pela propaganda odiosa anti árabe do cinema americano. O documentário Reel Bad Arabs (tem no Youtube) abriu meus olhos para isso. Acreditava que Israel havia feito o deserto florescer, que era uma “ilha de civilização no meio da barbárie” e outras tantas falsidades criadas para justificar o Nakba – a catástrofe que se iniciou em 1948. Eram todas mentiras: Israel é a própria barbárie no oriente médio, a principal apoiadora do ISIS. Leiam sobre isso!!!!

Todavia, só consegui mudar minha opinião lendo os autores judeus que me mostraram a verdadeira narrativa Palestina e o roubo da sua terra. Foi com Norman Finkelstein e “A Indústria do Apartheid” que eu acordei para estas acusações toscas de antisemitismo para todos que defendem a Palestina. Foi com Miko Peled, o filho do General israelense, que eu entendi a segregação racial por dentro e compreendi a guerra de 67. Foi com Ilan Pappe que eu entendi a limpeza étnica da Palestina que foi arquitetada desde o século XIX. Foi com Shlomo Sand que entendi a invenção do “povo judeu”, que nada mais é que uma criação ficcional para justificar o extermínio árabe. Foi com Noam Chomsky, antigo defensor do sionismo, que entendi que não há nada de judeu em apoiar um sistema as assino e que sempre é tempo para mudar e recolher o lado certo da história. Foi assistindo “5 câmeras quebradas” que pude ver de perto a resistência pacífica dos palestinos e seu sofrimento sob a opressão.  E acima de tudo, foi através do aprofundamento nas leituras que pude tirar da frente dos meus olhos o véu da propaganda sionista e islamofóbica que me impedia de ver a realidade. Espero que este seja o caminho de todos que desejam a paz, até porque é absolutamente incoerente defender o legítimo direito dos índios brasileiros e negá-lo aos palestinos.

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Pax Israelis

 

 

Este tipo de proposta de paz, em que mulheres árabes e israelenses marcham pedindo paz na Palestina – a Pax Israelis – seria como se os romanos, na vigência do seu império de ocupação pelo mundo antigo, resolvessem fazer marchas pela paz juntando, lado a lado, mulheres romanas e mulheres de territórios ocupados. Esses movimentos apenas ressaltam a ingenuidade dos seus protagonistas. NENHUMA paz perene vai resultar de marchas, panfletos, discursos e lágrimas sem que se toque na ferida aberta do racismo, da exclusão, do apartheid, do confisco das terras, das operações genocidas, das prisões de crianças, dos bombardeios, dos check points, das humilhações e dos muros vergonhosos. As iniciativas pela paz só terão sucesso se atacarem DE FRENTE a questão sionista e o estado etnocrático que a sustenta.

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