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Baste-se

Não se apegue demais às pessoas. Um dia elas te contam um plano de vida maravilhoso do qual você não faz parte. Por mais solitário que possa parecer, o desapego é o caminho mais seguro para trilhar esta estrada. Em suma, baste-se.

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Posses

Como seria um mundo sem a bizarra acumulação de coisas que nos caracteriza? Pode parecer utópico, mas não inédito, basta pensar que mais de 95% do tempo em que vivemos na Terra esse foi nosso modo de convívio: pouco “cargo”, poucas posses, nada de supérfluo ou redundante e a ideia de possuir somente o indispensável que possa ser carregado de um lugar para outro.

Digo isso porque a mobilidade será uma força muito grande neste século. A facilidade de transporte e a possibilidade de trabalho remoto serão a tônica das próximas décadas. Talvez em um futuro não muito distante os empregos serão de dois tipos: aqueles em que a presença física e o “sedentarismo” (entendido como a obrigatoriedade de viver em um determinado lugar) continuarão indispensáveis, como a área da saúde, os políticos e funcionários públicos, e todos os outros, que poderão ser feitos à distância.

Para quem vive em movimento as “coisas” mais atrapalham que ajudam, como para os caçadores e coletores que perambulavam em um planeta pré agricultura.

Em um mundo sem fronteiras, mesmo nos empregos presenciais você poderia trabalhar como médico, enfermeira, engenheiro, advogado, artista, técnico de informática, agricultor, cozinheiro, etc nos serviços do mundo todo, viajando e conhecendo culturas diversas. Legislações internacionais garantiram esta rotatividade. Voltaríamos a ser “caçadores e coletores” em outro nível, acumulando apenas conhecimento, experiência e boas memórias, carregando e mantendo apenas o essencial.

Acredito que a ganância e a sanha acumuladora que ainda nos seduzem vão acabar desaparecendo pela própria necessidade das sociedades humanas diante da escassez crescente de recursos. Não há como um planeta sobreviver à destruição que estamos impondo. Um novo mundo surgirá com menos coisas para carregar e mais conteúdo imaterial para transmitir.

O signo desse século será o desapego.

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Desapego

Eu posso entender as pessoas, como meu pai, que sofreu muito depois que mais de 60 anos de convívio com a minha mãe foram interrompidos pela sua partida. Talvez essa perda fez desgastar muito da sua vontade de permanecer nesse plano. Admiro esse amor que despreza o tempo e a senescência da carne. No caso dos meus pais houve uma união que se manteve firme e forte, algo cada dia mais difícil de encontrar em um mundo de amores fugazes e inconstantes.

Apesar da imagem positiva que sempre guardei dessas uniões, não vejo nelas um valor absoluto. Não há porque acreditar que os casamentos – de qualquer tipo – deveriam continuar para além do tempo em que são úteis e construtivos a ambos. Parece que todos admiram e invejam relações duradouras, mas poucos são aqueles que sabem os martírios que por vezes estão escondidos por trás dessas uniões.

É comum a gente se apiedar do sobrevivente que fica entre nós quando a morte leva o parceiro. A gente diz “coitado” ou “tadinha” porque sabe que a morte de um será devastadora para o outro. Já a morte de alguém que nos é indiferente não nos maltrata nem desanima. Parece que amar é investir na dor de perder.

“Amam-se tanto que o amor deles é sua maior fragilidade”. Como um avarento que, de tão apegado às posses, sofre por antecipação pelo medo de perder sua riqueza. Talvez o segredo esteja mesmo no despojamento. Desapegar-se não apenas das cargas e riquezas materiais, mas também dos afetos, dos ressentimentos, das mágoas e ódios… e dos amores. Quanto mais apego, mais dor

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Desapego

Minha decisão de morar de modo muito simples foi fortemente influenciada pelo Caminho de Santiago. Lá podemos ver de forma marcante que as “coisas” em nossa vida funcionam muito mais como peso do que por sua utilidade real, sejam carros, casas, roupas, utensílios, etc, e que desprender-se delas é uma parte importante do nosso caminho em direção à alegria das coisas simples.

Só depois de morar em uma casa pequena me dei conta do quanto de inutilidade existe no nosso modelo de vida. Vivemos existências perdulárias cercadas de redundâncias coloridas. As casas grandes precisam ser preenchidas com mais coisas, porque seus vazios denunciam a tolice dos exageros.

Nas casas pequenas a exiguidade do espaço nos faz repensar a utilidade dos artefatos. Depois de um certo tempo nos damos conta de que a qualidade de vida em nada foi prejudicada com a auto expropriação de centenas de badulaques e do lixo sofisticado que carregamos. E também nos damos conta que não possuímos coisas, mas que elas nos possuem.

Roupas? 10 calças? 20 sapatos? 3 carros? Camisas e ternos? Sério que precisamos tudo isso? Será que não somos todos – dentro do capitalismo – acumuladores patológicos em uma sociedade que preenche seu vazio de valores com coisas e objetos cuja utilidade é questionável?

Penso nas mansões dos artistas de Hollywood, gigantescas obras recheadas de inutilidades, apenas para que tantos quartos vazios não os lembrem todos os dias da miséria de uma sociedade em que milhares dormem nas ruas pela falta de um canto para repousar.

Viver na simplicidade, como fazia Gandhi, parece ser uma forma muito mais leve de carregar a vida

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