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Posses

Como seria um mundo sem a bizarra acumulação de coisas que nos caracteriza? Pode parecer utópico, mas não inédito, basta pensar que mais de 95% do tempo em que vivemos na Terra esse foi nosso modo de convívio: pouco “cargo”, poucas posses, nada de supérfluo ou redundante e a ideia de possuir somente o indispensável que possa ser carregado de um lugar para outro.

Digo isso porque a mobilidade será uma força muito grande neste século. A facilidade de transporte e a possibilidade de trabalho remoto serão a tônica das próximas décadas. Talvez em um futuro não muito distante os empregos serão de dois tipos: aqueles em que a presença física e o “sedentarismo” (entendido como a obrigatoriedade de viver em um determinado lugar) continuarão indispensáveis, como a área da saúde, os políticos e funcionários públicos, e todos os outros, que poderão ser feitos à distância.

Para quem vive em movimento as “coisas” mais atrapalham que ajudam, como para os caçadores e coletores que perambulavam em um planeta pré agricultura.

Em um mundo sem fronteiras, mesmo nos empregos presenciais você poderia trabalhar como médico, enfermeira, engenheiro, advogado, artista, técnico de informática, agricultor, cozinheiro, etc nos serviços do mundo todo, viajando e conhecendo culturas diversas. Legislações internacionais garantiram esta rotatividade. Voltaríamos a ser “caçadores e coletores” em outro nível, acumulando apenas conhecimento, experiência e boas memórias, carregando e mantendo apenas o essencial.

Acredito que a ganância e a sanha acumuladora que ainda nos seduzem vão acabar desaparecendo pela própria necessidade das sociedades humanas diante da escassez crescente de recursos. Não há como um planeta sobreviver à destruição que estamos impondo. Um novo mundo surgirá com menos coisas para carregar e mais conteúdo imaterial para transmitir.

O signo desse século será o desapego.

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Minimalismo

Dias atrás vi um belo documentário no Netflix, o qual recomendo com fervor: Os Minimalistas. Trata da história de uma dupla de jovens que resolveu se desfazer de quase tudo e viver uma vida o mais despojada possível, tateando os limites do desapego material. Ao assistir à narrativa fiquei envergonhado de perceber o imenso grau de fetichismo que ainda depositamos (depósito) em coisas, de roupas, objetos, utensílios a tamanho de casas.

Somos verdadeiramente governados por objetos que gravitam ao nosso redor, deixando de lado os verdadeiros valores da vida. Todos os conceitos do Minimalismo já existem na minha cabeça como elementos racionais há muitos anos, e a própria opção por viver no meio da natureza e em comunidade vai nesse sentido. Como próximo passo cabe a mim a difícil tarefa de que tais ideias baixem um pouco do alvo inicial e atinjam o coração.

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Felicidade

men greeting sun

O segredo do consumo é o incentivo à infelicidade.

Pessoas felizes não consomem além de suas necessidades. O que nos leva a comprar de forma desenfreada é a ilusão de prazer que é vendida com qualquer produto. O problema é que, após cada compra, percebemos que a felicidade não veio; o pedido é feito, mas não é entregue. Ao invés de questionarmos a proposta inicial (a felicidade que se vende) e investirmos mais em valores perenes e menos no efêmero dos fetiches do comércio, decidimos comprar mais e mais, na esperança de que o próximo produto, o modelo mais sofisticado, a última novidade possa, por fim, nos oferecer o que tanto procurávamos.

Em verdade, tudo o que é de fato importante na vida é totalmente gratuito…

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