Arquivo da tag: Dória

A máscara caiu

Branquesia racista se manifestando a pleno nas redes sociais. Aplausos ao governador genocida se escutam por toda parte. Estão se sentindo soltos, não? O que antes era falado apenas em voz baixa – e entre risos – nos churrascos das famílias italianas e alemãs agora é dito abertamente no Facebook. Bolsonaro liberou o que existe de pior em cada um de nós, mas para alguns este é o momento sublime de libertação de todo seu ódio, seu ressentimento e seu racismo mais abjeto.

A turma reacionária abriu a gaveta de baixo da cômoda e tirou de lá a caixinha que se escondia debaixo da pilha de papéis. Dentro dela, entre fotografias obscenas, a máscara do racismo por tanto tempo escondida agora pode ser vestida sem pudor. É “cool” ser preconceituoso; está na moda aplaudir e festejar execuções públicas, em especial de negros e pobres de periferia. É bacana desprezar o meio ambiente e atacar gays e transgêneros. Ser perverso e canalha está na “crista da onda”. Ser mau… é bom.

Abrimos a caixa dos nossos sentimentos mais baixos. Estamos nos tornando o país mais pervertido do planeta. Somos a escória do mundo. A banalidade do mal triunfa enquanto a solidariedade agoniza.

A máscara caiu…

Somos o país onde a escravidão mais resistiu e seremos o último a apagá-la de nosso cotidiano. O mesmo racismo que motivou as massas na Alemanha à destruição é o motor das manifestações que comemoram morte e extermínio – de gentes e natureza.

Só a catástrofe salvou a Alemanha. Só a catarse nazista limpou este país do racismo e do desprezo aos outros povos. Acredito que o Brasil terá o mesmo destino; só uma hecatombe provocada pela indignação coletiva de pretos, pobres, periféricos, favelados e a gigantesca legião de desprezados fará a limpeza que o país precisa.

Deixe um comentário

Arquivado em Política

O Discurso da Direita

Vejo duas características sobressaindo no discurso de direita, em especial naqueles mais “exaltados” ou cuja revolta os faz pensar em “intervenções”. Em primeiro lugar a ideia do gestor “apolítico”, o empresário sem filiação partidária (ou cujo nome seja maior que o do partido), o cara tão rico que nao precise roubar (minha fantasia predileta) e o sujeito acima das “divisões” ideológicas para assim insinuar figuras grotescas que adentram a coisa pública, como Dória, Berlusconi, Silvio Santos, Huck ou mesmo Bolsonaro (que é político, mas que em 26 anos nada fez além de esbravejar e disseminar ofensas). A via da administração “sem ideologia” – a exemplo da “escola sem partido” – é uma tentativa de consagrar a visão conservadora como a visão “correta” da sociedade, contra a qual se insurgem as outras, que desestabilizam a “ordem natural das coisas“.

A segunda característica é a fantasia de políticos impolutos e honestos eleitos por uma população que é famosa por dar “jeitinho” e em que a corrupção das pequenas coisas faz parte do seu cotidiano, sendo financiados por uma canalha empresarial escravagista, racista e elitista. Esse tipo de proposta nos leva ao cinismo e diretamente a um voto nas aparências. Quem mentir melhor, ganha. Falar de “franciscanos” no poder também me remete a um período em que a direita brasileira mais se identifica: a idade média. Fanáticos religiosos no poder, como o prefeito do Rio, é o mergulho mais certeiro na idade das trevas.

Essas propostas da direita se enquadram dentro de uma visão de combate à corrupção que é plantada na população toda vez que os partidos de esquerda obtém o poder e insinuam uma mudança nas classes sociais. Portanto, nada mais são do que cortinas de fumaça para afastar a todos da luta verdadeira: a justiça social e o combate à iniquidade.

Deixe um comentário

Arquivado em Política