Os direitistas não conseguem entender qualquer tipo de organização social sem um dono, não é? Para estes, a fraternidade e a justiça social são utopias sem sentido. O mundo precisa ter imperialismo, Cuba necessita um dono que cumpras as ordens da Matrix. O mesmo com a China e a Coreia Popular. O mundo é determinado pelo imperialismo e o Brasil também deve se subordinar. A América Latina, com sua gente escura, merece ser o quintal americano; é o que determina nosso “destino manifesto” de inferioridade. Somos escravos por natureza, e eles – os brancos ricos e europeus – nossos mestres e donos. Mais além, qualquer país que se rebelar contra essa ordem será estrangulado, e os outros países devem aplaudir a crueldade dos nossos donos.
Olhem que curioso: Cuba, Vietnã e Coreia Popular são comunistas. Venezuela, Palestina e Irã são capitalistas. Entretanto, todos estes são atacados severamente pelo imperialismo americano porque compartilham um elemento em comum: não se ajoelharam diante do imperialismo, não se venderam, traçaram seu próprio destino, não se curvaram ao poder imperialista e romperam com a postura de vassalagem. É isso, e não o sistema econômico (como pode ser facilmente visto), o que torna um país uma “ditadura” e seus soldados “terroristas” (ou “traficantes”, dependendo do interesse).
O problema no Brasil é que por questões culturais, e por uma classe média entorpecida e reacionária, ainda não criamos no nosso povo a chama revolucionária para expulsar os interesses imperialistas do nosso país. Enquanto isso, continuamos atrasados, produtores de soja, desindustrializados, reféns do agro e constantemente ameaçados por militares tolos, corruptos e incompetentes.
Eu tenho inveja do povo do Irã, de Cuba, da Coreia Popular e da Palestina. Apesar das suas dificuldades e contradições, são cidadãos de países adultos, enquanto o Brasil continua em sua infinita adolescência, incapaz de sair de casa por medo de enfrentar a vida adulta.

