Mandato dos Sete Montes

A revolução comunista precisa ultrapassar essa Constituição e criar uma nova carta magna para o Brasil. Enquanto isso não ocorre, a decadência do modelo capitalista vai produzindo o absurdo e o bizarro cotidianamente. Entretanto, essa guerrilha aberta entre católicos e protestantes – simulando a luta ancestral da Irlanda – eu deixo para os religiosos debaterem. Nós que somos comunistas não adoramos ídolos, sejam eles Nossa Senhora ou Bolsonaro.

Cabe, todavia, um alerta. O Brasil, nas mãos do Flávio Rachadinha, pretende se tornar uma grande Israel, que alguns tanto admiram. Com isso a morte dos “palestinos brasileiros” – os pretos e pobres das favelas – será naturalizada, da mesma forma como é o destino de milhares em Gaza. Ou a direita nunca suspeitou do amor que a família Bolsonaro sempre devotou ao racismo e ao supremacismo de Israel?

Aliás, até eles mesmo sabem que a luta do Flávio contra os católicos e seus símbolos não é de agora. Flávio e Jair Bolsonaro – ambos católicos de formação – uniram-se à rafuagem evangélica mais apodrecida e corrupta, como Edir, Malafaia, Waldemiro e quetais, com evidentes propósitos eleitorais. Por trás disso, a Teologia do Domínio, o poder político para a “Gang do Templo”, com o objetivo de criar um grande Evangelistão, que nada deverá ao Talibã em termos de violência moralista e conservadora.

Segundo os defensores do “Mandato dos Sete Montes”, entre eles essa turminha evangélica sionista brazuca (que se enche de grana com turismo chinelão para Israel), os cristãos deveriam ocupar posições estratégicas nesses campos para transformar a sociedade conforme valores cristãos. A ideia central é que a sociedade estaria organizada em sete grandes áreas de influência, simbolizadas como “montes”:

Família
Religião
Educação
Governo e política
Mídia e comunicação
Artes e entretenimento
Economia e negócios

Na formulação mais branda – que se poderia chamar de identitária ou representativa – isso significa apenas participar e exercer influência. Na versão mais radical ou “dominionista”, significa conquistar o controle das instituições e submeter a vida pública a uma determinada interpretação do cristianismo. Quando Tariflávio diz que vai “entregar o Brasil a Jesus Cristo”, isso é a formulação “hard core” de dominação do pensamento nacional, que regride ao século XIX e institui uma religião oficial no Estado – outrora laico. Não há outro termo senão “retrocesso maligno”.

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