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Lactofilia

Vênus de Willendorf, cujas mamas voluptuosas mostram que nossa atração por elas é tão antiga quanto a própria humanidade

A questão se torna sempre delicada exatamente quando grupos que defendem as mulheres respondem até com violência a qualquer insinuação de que a amamentação faz parte do arsenal erótico feminino. Associar amamentação e prazer é uma espécie de tabu que ainda resiste em nossa cultura.

Por outro lado, o fato de um homem (ou mulher) ter fixação erótica em mamas ou mesmo em mamas com leite, ao meu ver não tem nenhum problema ou “pecado” envolvido. Os objetos de desejos e as fantasias não são boas ou ruins, são manifestações do inconsciente. Para mim são como podolatrias (pés), adoradores de nádegas, de cabelo, mãos, sapatos, etc. São fetiches (uma parte que sintetiza o todo) inofensivos e naturais.

O que pode ser questionado é quando existe a “passagem ao ato” e este se torna inoportuno para quem está produzindo leite. Se um homem (ou mulher) se excita com leite jorrando de sua parceira, namorada ou amiga e esta prática é consensual, qual poderia ser o problema? Qual o pecado poderia existir pela excitação ligada à vivências remotas da infância??

Nenhuma, eu creio. Entretanto, se essa busca de satisfação implica em abusar, constranger, enganar, expor indevidamente ou importunar mulheres lactentes… aí se torna um ato inadequado e até punível pela lei. É nesse momento que uma fantasia pode se tornar crime, e só a partir desse ponto.

Aparece nessa temática, mais uma vez, a luta – ao meu ver equivocada – de alguns grupos contra a objetualização da mulher. Ora, mais uma vez eu digo: não há nada de errado em objetualizar o corpo da mulher, visto que o erotismo masculino é mesmo de caráter objetual. O problema está em REDUZIR a mulher a um corpo a serviço do prazer masculino, desconsiderando suas dimensões subjetivas, inclusive – e principalmente – sua própria sexualidade.

Assim, a lactofilia seria danosa quando – como qualquer outra expressão da fantasia sexual humana – não levasse em consideração o OUTRO, no caso a mulher, desprezando seus sentimentos, emoções, integridade física, e direito à privacidade. Enquanto fantasma do desejo humano, entretanto, a lactofilia é como qualquer outra expressão da sexualidade. Não há como criticá-la em termos morais, pois que se situa aquém desses valores.

De resto, a análise histórica do desejo pelas mamas é sempre necessária e correta. Somos fixados nas mamas pois que elas representam a continuidade da vida humana e significam nossa sobrevivência. Nada mais compreensível que fetichizá-las.

Os americanos tem uma cultura muito mais “mamófila” do que a nossa. Aqui, creio que pela “abundância” de africanos falantes do kimbundo – de onde veio a palavra “bunda”, de “mbunda” e com esteatopigia (uma mera suposição, claro) – somos muito mais “bundofílicos“. Mas, do ponto de vista antropológico, faz todo o sentido esta veneração à sublime arquitetura das mulheres, pois ambas exaltações das partes femininas nos levam à origem da proteção da vida. Ancas grandes para partos fáceis e muitos, além de mamas profusas e fartas para amamentar nossos filhos com o leite que carregam.

Querer criminalizar este olhar masculino sobre o corpo das mulheres além de inútil agride as próprias forças libidinais que nos trouxeram até aqui.

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Fetiches

fetiches
Fiquei pensando sobre os fetiches e me veio à mente a pergunta é: não temos um preconceito irracional sobre a expressão dos fetiches, desconsiderando sua natureza e aplicando sobre eles valores morais? Um homem que expressa seus fetiches aparentemente bizarros – fazer sexo vestido de mulher, vestido de bebê ou caubói, em lugares exóticos, com múltiplas(os) parceiras(os), etc. – pode ser criticado, humilhado e censurado pelas sua “escolhas”, a forma como recobre de realidade suas fantasias. A questão, entretanto é mais complexa. Os fetiches e as fantasias não são escolhas racionais e livres; são emanações do inconsciente e vinculadas aos estratos mais profundos do psiquismo humano. Nenhum sujeito escolhe racionalmente ser espancado durante o sexo como forma de gozo, mas estas atitudes expressam significados muito profundos e da ordem do inconsciente. Todavia, não seria o romantismo uma manifestação fetichista socialmente aceita e valorizada? Essa foi a ideia que algumas amigas mulheres me trouxeram e que eu achei ser muito interessante. O romantismo de homens e mulheres é tão fetichista quanto uma orgia ou uma fantasia “bizarra”. O romantismo pode fazer diferença para o(s) parceiro(s), pois que são convidados a participar ou ser cúmplices dele. Todavia ele é igual a qualquer outra fantasia para o sujeito que a produz.

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Felicidade

men greeting sun

O segredo do consumo é o incentivo à infelicidade.

Pessoas felizes não consomem além de suas necessidades. O que nos leva a comprar de forma desenfreada é a ilusão de prazer que é vendida com qualquer produto. O problema é que, após cada compra, percebemos que a felicidade não veio; o pedido é feito, mas não é entregue. Ao invés de questionarmos a proposta inicial (a felicidade que se vende) e investirmos mais em valores perenes e menos no efêmero dos fetiches do comércio, decidimos comprar mais e mais, na esperança de que o próximo produto, o modelo mais sofisticado, a última novidade possa, por fim, nos oferecer o que tanto procurávamos.

Em verdade, tudo o que é de fato importante na vida é totalmente gratuito…

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