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Criatividade, filha do desejo

Se não há banqueta de parto, nem mesa adaptável para parto de cócoras, ainda há muitas posições diferentes que podem ser experimentadas. Marido segurando pelas axilas (posição de Odent), apoio na mesa, colo do marido, colo da doula, etc… Sempre tem como produzir soluções criativas

Se vocês me permitem uma comparação chula:

“Era uma vez uma dupla de jovens adolescentes, enamorados e cheios de hormônios que, durante um passeio por um local ermo, subitamente se viram a sós após entrarem em uma casa abandonada à beira da trilha. Depois de um silêncio, onde as respirações ofegantes de ambos ecoaram pela casa vazia, o jovem finalmente abre seu coração para a garota. “Nos últimos meses sonhei todos os dias com a possibilidade de fazermos amor, mas vejo com tristeza que o local onde pela primeira vez nos encontramos a sós não tem uma cama. É uma lástima, mas assim quis o destino. Vamos seguir viagem”

Se parto faz parte da vida sexual normal de uma mulher, as soluções criativas para os dilemas do parto devem se assemelhar àquelas que usamos para o sexo.

Ah, sim…. quando o rapaz estava saindo a moça jogou as mochilas de ambos no chão e usou como travesseiros. E o resto é história….

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Cadetes

Hoje vi pessoas reclamando das regras das escolas cívico-militares como se esses regramento pudesse ser entendido desvinculado do todo. “Qual o problema do cabelo comprido?“, perguntam. “Afinal, por que as saias abaixo dos joelhos?“, dizem sem entender.

Minha resposta é simples: praticamente nenhum problema com cabelos ou saias. Para estes sujeitos o cabelo ou o comprimento da saia tem pouca importância. Os cabelos poderiam ser todos compridos e encaracolados até. Não é essa a questão. O que se busca com estas medidas é a UNIFORMIZAÇÃO. Todo mundo igual. Mesmo cabelo, mesma roupa, sem maquiagem, adereços ou qualquer sinal externo que denuncie a subjetividade, ou que permita ver a alma única que habita aquele corpo.

É pelas mesmas razões que soldados, clérigos, prisioneiros e gestantes se uniformizam: para que possam ser tratados pela sua FUNÇÃO, e não pelo que realmente são. O nosso sistema educacional procura como elemento primordial de sua ação a domesticação dos alunos, a sua conformação às regras e normas, mesmo que para isso seja necessário fragilizar seu espírito inventivo e sua criatividade.

As escolas cívico-militares funcionam na lógica militar, onde se ensina a obedecer cegamente – e jamais questionar!! – as hierarquias artificialmente construídas por uma sociedade de castas. Com estes fortes sinais semióticos, como o cabelo igual, roupas idênticas e obediência servil às figuras de autoridade, se almeja a doutrinação de crianças para a produção de “cidadãos de bem” – ou seja, sujeitos que perderam a capacidade de questionar as injustiças e se satisfazem com migalhas de dignidade.

Cortar os cabelos funciona da mesma forma como funcionam as roupas comuns retiradas das gestantes, ou a forma como as tratamos. Servem como uma potente mensagem de submissão à ordem estabelecida. Aceitar isso muitas vezes é empurrar a primeira peça do dominó…

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