Arquivo da tag: jornalistas

Imprensa Livre

Por que pagar para ler notícias?

Hoje em dia vemos o surgimento das “Mídias independentes” que se contrapõe à mídia corporativa. O advento da Internet oportunizou a multiplicação ad infinitum de fontes de informação – algumas de alta qualidade e outras pura enganação. A diferença é que nas mídias tradicionais os anunciantes atuam – direta ou indiretamente – na escolha de pautas, nas ênfases e no próprio trato da notícia. Afinal, ninguém (nenhuma corporação) vai pagar os altos custos dos noticiários para correr o risco de ter o nome de sua empresa enxovalhado.

Há alguns anos abrimos uma clínica em uma cidade média do Interior do RS. Depois disso fomos convidados pelo diretor do jornal – um típico “coronel” da informação – para anunciarmos em seu veículo, o único diário impresso da cidade. Ele de cara me informou: “Minha política aqui é a seguinte: se alguém vem ao jornal para reclamar dos médicos eu ligo direto para vocês antes de publicar”. Nenhum constrangimento em confessar que seu jornal era para proteger os poderosos.

E não são apenas empresas. Aqui no RS o conselho de Medicina compra muitas horas na rádio da maior empresa de comunicação local para, com isso, interferir nas pautas médicas. Ora… que produto o CRM tem para vender? Apenas a imagem da medicina, que é passada nos noticiários, inclusive escondendo notícias desagradáveis sempre que possível (como a Globo faz com a Vaza Jato). Essa é uma das práticas mais antigas, que mostra o poder da informação no mundo contemporâneo. Podemos confiar em uma imprensa que pode ser facilmente comprada pelo poder do dinheiro?

Por outro lado a mídia independente, para não sofrer pressões do capital, precisa que o ouvinte/leitor/telespectador seja o único financiador, para que suas pautas não sejam controladas pelo poder econômico, fazendo da audiência o único cliente a ser contemplado. Sem rabo preso e sem constrangimentos de nenhuma natureza por parte do poder econômico.

Esta é uma forma de estimular um jornalismo livre, cuja única fidelidade seja a utopia da imparcialidade. A alternativa a isso existe em outros países: uma empresa pública de comunicação, que não seja atrelada aos governos (uma empresa do Estado) e que possa inclusive lhe fazer oposição.

Por exemplo: para criar um congresso médico e impedir que as palestras do evento sejam comandadas por espaços comprados pela indústria farmacêutica (como nos congressos nacionais e internacionais de medicina) o cliente final (parteira, dotô, doula, psi, etc) precisa pagar para que o congresso seja LIVRE das influências do poder econômico – dos equipamentos, dos hospitais e da Big Pharma – as gigantes vendedoras de drogas.

Por isso é que é urgente criarmos IMPRENSA LIVRE, sem amarras com o sistema econômico.

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamentos, Política