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Supremacismo como cola social

Um sujeito, que não sei de onde é mas escreveu em português, fez um post imenso no qual tentava defender o Estado de Israel chamando-o de uma democracia “inacabada”, mas afirmando que o governo de Netanyahu diminuía a “grandeza histórica” do sionismo. Depois de responder ao seu post, ele me bloqueou. Não vou dizer que fiquei surpreso com a atitude do sionista, mas achei que minhas palavras mereciam mais consideração. O teor do texto, enfadonho, redundante e cansativo ficava claro nas duas primeiras linhas: defendia Israel pela perspectiva do sionismo liberal que, na essência, concorda com a tese da “autodeterminação do povo judeu”, a tomada à força da Palestina, a inevitabilidade da expulsão e o mito do “ataque” dos árabes contra os poucos e desarmados judeus. Por outro lado, o texto discorda deste governo, que chama de “extrema direita israelense”. Tipo, Netanyahu “passou da conta”.

Respondi da forma como achei correto e, pelo conteúdo das minhas respostas, ele me impediu de continuar debatendo. Acredito, como Breno Altman, que “sionismo de esquerda” é um oximoro, pois não pode haver uma ideologia progressista e solidária, como o socialismo, que aceite o apartheid, o racismo e a exclusão como plataforma central de sua atuação.

Não existe grandeza histórica alguma no sionismo. Ele sempre foi uma ideologia de morte, supremacismo e exclusão. Quem admite a história exaustivamente repetida de “Pátria para os judeus” esta adotando o racismo como guia para seu entendimento da Palestina. Trocar (como ele propõe no texto) a forma como se identifica de sionista para “israelense” – sem abandonar o racismo abjeto e obsceno do sionismo – não vai produzir nenhuma mudança. O articulista, como sempre o fazem os sionistas, relativiza o massacre palestino, como se a questão palestina fosse uma “situação difícil”, mas todos sabemos onde quer nos levar.

Sim, quer chegar no sionismo de esquerda, ou sionismo liberal. Ou ainda mais profundamente cínico: o “sionismo humanista”, querendo dar a entender que os massacres, as torturas, as 30 mil crianças mortas, os 50 mil mutilados, os hospitais e mesquitas destruídos, os jornalistas, médicos e enfermeiras assassinados e todos os demais crimes de guerra fossem responsabilidade tão somente de uma fração doentia de extrema direita da sociedade israelense. Assim, a culpa da barbárie e da obscenidade assassina não recairia sobre a população de Israel, mas apenas m Netanyahu e seu grupo.

Essa estratégia morreu, e as evidências são mais do que claras. A sociedade israelense tornou-se doente, psicopática, perversa e assassina. Não sou eu quem afirma; está nas manifestações de rua, nas redes sociais, nas palavras dos políticos. São as pesquisas que confirmam. Não se refere a um grupo que tomou o poder: é a identidade apodrecida, desumana e supremacista do sionismo. É essa ideologia, semelhante à de Adolf Hitler, que destruiu a sociedade de Israel. Por isso eu afirmo que anos de doutrinação sionista produziram uma sociedade essencialmente supremacista, que desumaniza os palestinos a ponto de produzir genocídio. Netanyahu é o resultado dessa sociedade, não sua causa. Enquanto os sionistas se preocupam com insultos e com a inevitável queda na visão que as pessoas têm do Estado de Israel, nós estamos preocupados com as crianças e jovens que o seu sionismo mata e mutila. Vejam o que dizem as pesquisas com a população de Israel, pois elas espelham os valores que ela cultiva. Esta é a mesma sociedade que compra ingresso para sentar em uma poltrona no “Cinema Sderot“, na colina contígua a Gaza, para assistir as crianças e mulheres palestinas sendo bombardeadas.

Então eu pergunto: que argumento poderia ser suficiente para demonstrar que a sociedade israelense é deteriorada e monstruosa? Qual discurso poderia ser usado para quem relativiza genocídio? Que argumento você usaria diante de um “alemão de esquerda”, um social democrata em 1930, que dissesse que “matar judes tem que ser analisado no contexto. É uma situação difícil”?

Ou seja: como dialogar com um fascista?

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Tiro no Pé

A deputada Érika Hilton (PSOL-SP) propôs uma emenda ao PL da Misoginia determinando que “O exercício da liberdade de expressão, de manifestação do pensamento, de convicção religiosa, filosófica, científica, acadêmica ou política NÃO constitui causa de exclusão da ilicitude”Ou seja: mesmo que você traga uma perspectiva filosófica, científica ou religiosa, se for caracterizada como “misoginia” (por quem?) isso não constituirá exclusão de ilicitude. Não adianta estar embasado, ter conteúdo de fé ou ser um ensaio filosófico: se falar “mal” das mulheres será considerado crime. Imagine a situação de um pesquisador que analisa a orientação espacial de homens e mulheres e descobre que mulheres têm dificuldades em grandes espaços, e isso explicaria a dificuldade com mapas ou para fazer baliza. Basta escrever um artigo científico que mostre essa deficiência nas mulheres e pronto: você é um criminoso misógino. E, sim, pode escrever o que quiser sobre os homens; críticas ao patriarcado são até mesmo estimuladas

Vemos entáo que, através dessa aberração jurídica, a super poderosa defensora das mulheres não esconde que seu objetivo é violar frontalmente a Constituição, criando uma quimera que abre as portas para o mais abjeto supremacismo. Assim como faz a Alemanha, ameaçando colocar na cadeia por até 14 anos qualquer cidadão que ousar questionar a existência do Estado terrorista de Israel, essa parlamentar quer criminalizar críticas a um gênero específico – as mulheres – mantendo os homens livres para serem esculachados e criticados. O nome disso é supremacismo e, assim como o sionismo, que se baseia no hocausto para se blindar de ataques, faz crer que o patriarcado pode justificar a proibição de críticas. Entretanto, criar leis e excepcionalidades jamais vai atuar em favor das mulheres e, pior, vai manter a ideia de que mulheres previsam ser eternamente tuteladas.

“Sim, mas qual a diferença das leis existentes que criminalizam o racismo?” Ora, talvez nenhuma, e por isso mesmo deveriam ser ambas combatidas. Censura é censura, para comunistas, cristãos, negros, sionistas, brancos, gays e mulheres. Ou a sociedade aceita que pessoas pensem diferente de nós ou então teremos estabelecida uma franca ditadura do pensamento. O Estado vai determinar o que você pode pensar ou dizer. Liberdade de expressão implica o direito de idiotas falarem abertamente sobre sua idiotice, mas acima de tudo, determina que as pessoas com quem não concordamos possam se expressar livremente. Não existe censura do bem!! Mais cedo ou mais tarde a censura se volta contra os oprimidos. Censurar críticas às mulheres é um tiro no próprio pé, e não ajuda as mulheres. Censura, por melhor que sejam as intenções, nunca funciona!!

Todavia, no atual contexto, duvido muito que a esquerda compreenda o valor do combate à censura. A esquerda se tornou autoritária, cega e surda aos desejos do povo. Por isso sceitou em suas fileiras esse discurso e essa postura identitárias, que criam divisões e isolam cidadãos em nichos, criadas em torno de suas identidades, fragmentado a classe operária e enfraquecendo as lutas sociais. Criar uma blindagem de censura para qualquer discurso que possa criticar as mulheres não vai diminuir nenhuma morte, mas vai tornar ainda piores as relações de gênero. Aviso: o resultado do proibicionismo e do punitivismo é sempre paradoxal. Ao contrário de proteger as mulheres estas medidas tendem a criar ressentimento e desconfiança. Ou seja, será um desastre para as próprias mulheres, e vai prejudicá-las ao invés de protegê-las.

PS: será essa crítica usada para me acusar de misoginia? Como saber?

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Sionismo liberal

Agora todo mundo está vendo que do nada, por magia e por encanto, as pessoas começaram a ter atitudes contra j*deus no mundo inteiro. Assim, sem nenhuma razão aparente estamos diante de uma onda de antissemitismo. Essa mudança repentina no comportamento de cidadãos do mundo inteiro parece um pouco estranha, não? Não será porque canalhas de Israel já mataram mais de 80 mil árabes e cristãos civis, entre libaneses e palestinos? Certamente que essa antipatia contra os seguidores da Torah não é pela tortura sistemática de prisioneiros nas masmorras de Israel, e nem porque treinaram cães para abusar sexualmente de prisioneiros. Por certo que não será pelo enorme número de crianças palestinas com balas na cabeça e no peito, atingidas pelos snipers assassinos de Israel. Deve haver outra explicação. Só pode ser um ódio gratuito. E de novo Israel é a vítima do mundo. Nunca é pelo apartheid, pelos assentamentos ilegais, pelas prisões sem devido processo legal, pelos ataques à comunidade árabe. Mas, resta a pergunta: se os sionistas não são culpados, de quem srerá a culpa? Claro, dos palestinos, que jamais se renderam. Mas também virou prática entre os “sionistas de esquerda” (um oxímoro) chamar qualquer critica ao sionismo – seja pelo genocídio, pelas ocupações ilegais ou os assassinatos constantes – de “antissemitismo”. Todos que combatem o governo de Israel há décadas já receberam este tipo de acusação.

No entanto, perceberam como este ataque perdeu completamente a força nos últimos tempos? O que outrora amedrontava, por colocar no sujeito o rótulo de racista e/ou negacionista do holocausto, hoje virou um clichê gasto, usado por quem não tem mais argumentos e não consegue rebater a avalanche de acusações contra Israel. Hoje é possivel dizer que se você não for acusado de antissemita é porque não esta denunciando corretamente o genocídio sionista. Depois dos massacres em Gaza, ninguém mais consegue acreditar na retórica dos liberais, que ainda insistem na tese de que o problema com Israel é exclusivamente culpa de Netanyahu e a extrema direita fascista de Israel. Infelizmente, isso não condiz com a verdade. Pesquisa recente do Israel Democracy Institute (IDI) indicou que mais de 75% dos judeus israelenses apoiavam a continuação da guerra. Ou seja, a população judaica da Palestina apoia o massacre, e uma boa parte acha que foi pouco o que foi até agora realizado. Michal Woldiger, membro do Knesset disse: “Não existem inocentes em Gaza. Sim, crianças devem ser mortas também. Não existe outra maneira”. Pensem, essa mulher tem filhos e uma vez os carregou em seus braços. Quando uma mãe diz que crianças devem ser mortas numa guerra criada e levada a cabo por adultos qualquer sinal de humanidade já abandonou seu coração há muito tempo. Não resta nada, sobrou apenas um monstro de ressentimento, ódio e supremacismo.

Desumanizar os palestinos sempre foi a tarefa inicial do projeto sionista, e eles agora estão sendo mortos pela suprema ousadia de resistir. Mas enganam-se aqueles que acreditam, como os sionistas “moderados”, que se trata de um problema da extrema direita israelense capitaneada por Bibi Netanyahu. Não, essa parlamentar de Israel não é o resultado das políticas de Netanyahu, mas a razão pela qual esse canalha está no poder. Ele apenas representa estes degenerados sionistas supremacistas, produzidos na esteira de produção industrial de fascistas de Israel. O primeiro ministro israelense é tão somente o reflexo da sociedade que o sustenta, a consequência brutal de um modelo supremacista e racista, e não a sua causa.

“Sionismo democrático, liberal, trabalhista, humanista: sim; supremacismo territorial com roupagem de promessa bíblica: não.”

Como conseguem ainda defender esta tolice? Sionismo significa retirar os palestinos das terras em que habitavam há séculos para criar uma etnocracia que só se sustenta pelo terror. Imaginar que é possível criar um sionismo democrático excluindo os palestinos da equação é mais do que ingenuidade; é perversidade pura, supremacismo travestido de “libertação dos oprimidos”. Lembrem apenas que essas afirmações são idênticas à pregação de Adolf, que tratava a questão alemã como uma revanche do “povo alemão oprimido” pela conjuntura internacional e pelo acordo criminoso de Versailles, muito prejudicial para a Alemanha porque impôs perdas territoriais, limitações militares e pesadas obrigações financeiras que muitos alemães viram como humilhantes e injustas. Ora, as desculpas para massacrar os povos – ora judeu, agora palestino – aparecem sempre com uma roupagem bonita, certo? Compra quem quer. Mas Marx já deixava bem clara esta equação ao dizer que a história se repete, primeiro como tragédia … e depois como farsa. O sionismo é a farsa da emancipação judaica. Nada mais é do que a a roupa moderna do velho colonialismo europeu, expoliador, racista, violento e genocida.

A causa dessa disputa de narrativas é o modelo de terror implantado por Israel desde sempre, a começar pelo ataque ao hotel King David levado a cabo pelos terroristas do Irgun. Toda a história de Israel foi baseada na morte, na expropriação, no abuso sexual, na impunidade e no assassinato, basta ler com cuidado a história desse país! Enquanto aqueles que apoiam a causa palestina são chamados de “antissemitas” é preciso proteger e apoiar os semitas de Gaza, porque os sionistas liberais se ocupam defendendo poloneses e ucranianos em suas fantasias semitas ridículas. A sociedade israelense, que aplaude a tortura nas prisões e transforma torturadores em ídolos populares, tornou-se degenerada e doente. E isso não tem nada a ver com os judeus ou judaísmo, mas com essa perversão racista chamada sionismo. Assim como criticar o nazismo não significa ser anti-alemão ou anti-cristão, então não há porque acreditar nesta confusão oportunista. Ninguém mais compra docilmente as mentiras da hasbara.

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Golfinhos e mosquitos

Um dos objetivos mais claros do sionismo sempre foi a desumanização da população nativa da Palestina. Uma das formas de realizar esta tarefa é jamais chamando os palestinos pela sua identidade nacional. No lugar disso, usam um nome genérico para eles como “árabes”, de forma a cortar qualquer ligação visceral e ancestral daquele povo com sua terra.

A desumanização objetiva a impossibilidade de estabelecermos com estes povos um ponto de identificação e empatia. Para esse tipo de conexão é necessário enxergar no outro elementos que existem igualmente dentro de nós, criando uma ponte de afinidades. Assim, é possível sofrer pela morte de golfinhos, baleias, cães e gatos, mas quase nenhuma lágrima derramamos pela morte de atuns, tubarões, mosquitos e serpentes. O primeiro grupo parece ter os mesmos sentimentos que nos animam, mesmo que de forma embrionária e pouco desenvolvida; o segundo grupo parece completamente destituído de alma, e por isso é que matá-los não nos causa grande desconforto.

Para levar a cabo o Nakba e sua continuação, chegando até o genocídio de Gaza na atualidade, esta foi a grande tarefa dos ideólogos do sionismo. Era uma tarefa primordial não reconhecer neles as emoções que fazem parte da nossa arquitetura emocional. O amor pelos filhos palestinos, pelos irmãos e amigos, não é o mesmo que vemos nas crianças loiras europeias. A dor deles não é a mesma que nos tortura os sentidos. parecemos ser diferentes em essência.

Nesta semana, cinco pessoas morreram em um ataque a tiros no Centro Islâmico de San Diego, na Califórnia, entre eles os dois atiradores e um segurança, Amin Abdullah. O centro islâmico, localizado no bairro de Clairmont, em San Diego, é a maior mesquita do Condado de San Diego, e visitado por milhares de seguidores da fé islâmica. Os atiradores foram encontrados mortos dentro de um carro, provavelmente após tirarem suas próprias vidas.

Um exercício interessante seria imaginar se esse crime tivesse ocorrido dentro de uma sinagoga americana, lotada de jovens judeus exercendo sua fé, levado a cabo por um sujeito de origem árabe. Por certo que a opinião pública estaria sendo inflamada pela imprensa sionista, dizendo tratar-se de um crime de terrorismo, um ataque antissemita, oferecendo combustível para a crescente islamofobia do país. Alguns, mais afoitos, estariam conclamando multidões para uma represália indiscriminada ao Islã, não obedecendo a nenhum critério ou linha de demarcação geográfica. O ataque contra uma comunidade judia seria visto como uma grave ameaça aos judeus e ao judaísmo, um crime de ódio religioso.

Entretanto, as vítimas do ataque eram muçulmanos americanos. Não eram “como nós”, e por isso a questão será tratada como a ação isolada de dois garotos incel, um problema geracional, um assunto privado que diz respeito aos problemas psicológicos de adolescentes mimados numa cultura armamentista. A ninguém da imprensa americana ocorrerá chamar esta ação de “terrorista’. O lobby sionista americano, que controla a mídia corporativa, já está tratando de limpar a cena do crime, para que não se fale da motivação óbvia desse massacre. Entretanto, sabemos que não se trata de uma questão local, mas um novo capítulo de uma série chamada “Terrorismo sionista contra o Islã”. Quando a polícia investigou o automóvel onde os dois adolescentes morreram, encontrou escritos anti-islâmicos desenhados nas próprias armas, cartas estimulando ódio racial e imagens e textos que sugeriam quen seriam combatentes diante de uma “guerra santa” contra o Islã. Nada disso ocorreu de forma espontânea, pela livre vontade dos atiradores; trata-se do resultado direto do envenenamento a que foram submetidos por uma longa lavagem cerebral.

É importante atentar para mais uma tentativa de silenciar as vozes que acusam essas mortes como parte do terror sionista, que tem no sionismo internacional sua origem, projeto e execução, usando mentes frágeis de adolescentes como massa de manobra para estes crimes.

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Ataque americano

Muitos ainda insistem na defesa dos Estados Unidos como se este país fosse um “bastião em defesa da democracia”, mas bem o sabemos que esta postura é fruto de mais de um século de massiva propaganda que, ao mesmo tempo que exalta a democracia burguesa, tenta desumanizar e vilificar seus oponentes. Os árabes – como pode ser visto em “Reel Bad Arabs” – são, de longe, as principais vítimas dessas campanhas de descrédito, em função da importância geopolítica de Israel. Ora, nada poderia estar mais longe da verdade do que colocar os Estados Unidos como defensor dos valores democráticos, mas aqueles que ainda defendem o imperialismo o fazem como que dominados por uma religião irracional, carregando suas palavras de chavões desbotados pelo tempo, relíquias cafonas e empoeiradas da guerra fria. Usam até a retórica do Milei – um Bolsonaro ainda mais aloprado – que não passa de um maluco fracassado que empurrou a Argentina para o fundo do poço, piorando o que Macri já havia feito. Outro detalhe chamativo é a tentativa de atacar o Irã defendendo o “direito das mulheres”, como se houvesse qualquer interesse na defesa de mulheres muçulmanas, mortas de forma genocidária em Gaza há vários meses. Não, nunca foi esse o interesse, mas ele é usado como “peça de propaganda” para aglutinar identitários na causa imperialista.

O paradoxo que vemos agora é testemunhar a direita mais retrógrada cair “como um patinho” na retórica “woke”, o que demonstra que na falta de argumentos a direita aceita apoiar até mesmo o discurso dos identitários. A meu ver, apesar de críticas necessárias às questões de gênero em países do Oriente Médio, quando examinamos a realidade da situação das mulheres do Irã, é evidente que elas têm muito mais liberdade do que as ocidentais, basta ver o acesso delas às faculdades como engenharia e física, que no ocidente são majoritariamente masculinas. Ao lado disso, vemos o quanto as mulheres no ocidente são expostas e objetualizadas ao extremo, mas matar crianças e mulheres usando a desculpa de que, terminada a matança, as mulheres poderão mostrar os cabelos, é o extremo da perversidade, o cúmulo do pensamento assassino que a direita tanto dissemina. Criticar as vestimentas de uma cultura – e mesmo a prática perniciosa de alguns radicais – como forma de analisar a liberdade faz parte da retórica oportunista de quem se nega a olhar para qualquer assunto com a devida profundidade.

Escrevo este texto imediatamente depois do ataque americano às instalações nucleares do Irã, e antes da óbvia retaliação que virá. É importante deixar claro que os próprios especialistas americanos (vide abaixo), passada a fumaça e a poeira das bombas jogadas no deserto, deixaram claro que nada de grave aconteceu, nenhuma estrutura foi destruída e nenhum artefato nuclear danificado (havia sido removido há muito tempo). Enquanto isso, 1/3 de Tel Aviv está severamente danificada, e a tendência é se tornar muito pior. Somente os cegos e fanáticos não conseguem enxergar que o fundamentalismo sionista, racista, supremacista está desaparecendo, derretendo, sendo transformado em pó. O regime extremista e terroristas dos sionistas dará espaço a uma democracia próspera e vibrante depois de um belo espetáculo de destruição do regime racista em Israel. Agora estamos escutando os primeiros vagidos de uma nação palestina plural, democrática, sem muros, sem mortes, sem apartheid, sem racismo, sem supremacismo, sem “povo escolhido” e sem a tirania dos capitalistas e abusadores sexuais de Israel. Em breve veremos palestinos – judeus, cristãos e muçulmanos – livres das amarras totalitárias do sionismo.

Enquanto isso, Trump está correndo risco de vida, e querem nos fazer crer que ele será morto pelos iranianos. Netanyahu, em verdade, disse que isso iria acontecer; ele avisou explicitamente sobre a morte de Trump, e disse que o Irã desejava matá-lo. A verdade é que quem vai tentar isso será o Mossad, pois assim fazendo ganhará duplamente: eliminando um presidente rebelde e conseguindo uma ótima desculpa para a guerra total.

Neste ataque parece mesmo que Trump só bateu o ponto para justificar aos seus patrões sionistas de que algo foi feito contra o Irã. Na verdade, essas ações teatrais deixam cada vez mais claro que Trump está com medo de morrer.

“Um ato teatral. A grande boca de Trump o colocou em uma encruzilhada. O Irã não jogaria seu jogo. Então ele foi obrigado a bombardear o Irã para salvar a própria imagem. Para isso, bombardeou duas instalações vazias que já tinham sido atacadas por Israel e lançou seis bombas contra uma instalação indestrutível (Firdos), alegando destruição, apesar do contrário ser verdade. É isso; um ataque “controlado”, um fiasco. E este é o homem cujos apoiadores chamam de o maior líder do mundo. Ele é uma vergonha nacional”. (Scott Ritter)

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Tensão e guerra

Escrevo estas notas enquanto o céu de Talabib se ilumina com as bombas que chegam do Irã. Era de se esperar que a República Islâmica do Irã, mais cedo ou mais tarde, iria fazer a sua necessária retaliação aos ataques sionistas. Entretanto, sabemos bem que a agressividade de Israel é a maior demonstração de sua fragilidade. Tanto no plano internacional quanto interno, o país está em frangalhos. É impossível esconder hoje, como foi feito durante quase oito décadas, as atrocidades e os crimes cometidos contra a população da Palestina.

A operação de 7 de outubro destruiu o projeto sionista de uma forma irrecuperável. Não há mais como sustentar a ideia racista e supremacista que se constitui na estrutura central de Israel, sua espinha dorsal. O genocídio, as matanças de crianças, a diretiva Hannibal, o bloqueio de ajuda, a destruição dos hospitais, a mortandade de 10% da população, em sua maioria mulheres e crianças, as torturas denunciadas nos calabouços israelenses, a morte de jornalistas, médicos, enfermeiras e toda a podridão do apartheid foram jogadas nas telas de TVs e celulares do mundo todo. Ao contrário dos massacres cotidianos dos últimos 77 anos, agora a Internet expõe de forma crua o sofrimento do povo palestino e a perversão homicida da sociedade israelense. Não há mais como desver o que testemunhamos, e não há mais como Israel se tornar uma nação entre as nações. Israel é um cadáver que apodrece à vista de todos, mas enquanto o corpo não é enterrado, somos obrigados a ver o horror de sua decomposição, enquanto o mundo inteiro testemunha o horror e o racismo que imperam na sociedade israelense. Ficou claro que esse ataque israelense ao Irã foi puro desespero do Império em decadência. Fica evidente que Israel está morrendo, se desfazendo, e esse ataque revela um corpo em decomposição. Não há mais como sustentar Israel, uma aberração supremacista e genocida, um enclave europeu fascista encravado no Oriente Médio.

A meu ver, esse país não tem mais muitos anos de vida. É sintomático que 10% da população já tenha abandonado o país, voltando para seus lugares de origem, e por certo muitos mais vão trilhar esse caminho. Essa guerra provocada – com a desculpa do enriquecimento de urânio – é o sintoma do fim de Israel. Fica claro que está se comportando como a Argentina dos anos 80, entrando em colapso e nos estertores da ditadura militar, provocando uma guerra contra a Inglaterra para unificar o país em torno de uma ameaça externa. De nada adiantou; o regime caiu de podre.

Este é um sintoma inquestionável do fim de um projeto racista e colonial. É evidente que por trás das decisões agressivas de Israel existe a conivência ou a explícita cooperação americana, basta ver que os mísseis que atingiram Teerã partiram do Iraque, enclave imperialista no Crescente Fértil. A esperança de Israel é que os Estados Unidos mantenham a decisão de bancar o conflito, entrem na “guerra santa” e ajudem seu protegido.

Entretanto, isso não é certo, porque a situação interna dos americanos é caótica, com tropas nas ruas, motins, manifestações populares e um presidente fragilizado. Será difícil convencer a opinião pública americana a fazer sacrifícios e enviar tropas em nome de Israel. Principalmente agora, no momento em que o apoio a este país atingiu seus níveis mais baixos na história americana – sem falar do rechaço internacional. Alguém crê que mais uma vez veremos jovens americanos morrendo em uma guerra estúpida? Colocar os Estados Unidos em guerra contra um país distante, que não ameaçou diretamente os Estados Unidos, e com o risco de colocar o comércio de petróleo do mundo em colapso? Serão eles tolos o suficiente para produzir um novo Vietnã?

A situação é desesperadora para a velha ordem. Enquanto o mundo multipolar não se configura como a força hegemônica no planeta, viveremos a tensão, o medo e as guerras.

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Oportunismo

Caetano Veloso, em recente show, segurou a bandeira da Palestina, numa demonstração de adesão à luta dos palestinos por liberdade e autonomia. Todavia, é importante voltar no tempo um pouco e lembrar que, antes da sua visita a Israel em 2015, numa apresentação para latinos e brasileiros moradores de Israel, os cantores e compositores Caetano Veloso e Gilberto Gil foram confrontados por Roger Waters para desistir da visita que fariam a Israel, cancelar seus shows e se unirem à causa pela Palestina. Caetano desconsiderou solenemente os pedidos de Roger e outros ativistas, debochou das palavras de Miko Peled, dançou e cantou com os sionistas de Tel Aviv e jamais se desculpou pela sua presença na Palestina ocupada, em concertos regiamente pagos pela nação invasora.

Gilberto Gil fez ainda pior: além de ganhar seu dinheirinho cheio do sangue das crianças palestinas, ainda assinou abaixo-assinado de apoio aos sionistas depois do 7 de outubro. Ambos são gênios da música, talentos indiscutíveis, mas ignorantes e reacionários, a ponto de se colocarem ao lado de uma ideologia nazista e genocida.

O mesmo se pode dizer de Jean Wyllys, figura que ruma celeremente para o mais absoluto esquecimento. Enquanto parlamentar, foi a Israel em um “trenzinho da alegria” e com boca livre, financiado pelas universidades israelenses – situadas em terras palestinas invadidas – com o claro intuito de fazer propaganda do regime de apartheid e reforçar a imagem de Israel como eterna vítima no cenário internacional. Foi escolhido a dedo por ser abertamente gay e ter uma postura francamente identitária, o que auxilia na conhecida estratégia de pinkwashing“, característica da “hasbara” (propaganda estatal de Israel). Esse também jamais pediu perdão por se postar ao lado do apartheid, do supremacismo, do abuso e do racismo mais asqueroso vigente em nossa época.

Sim, Caetano, Gil e Jean Wyllys não foram os únicos a se deixar encantar pelo dinheiro fácil que vem de Israel. No início desse ano ocorreu outro “trenzinho“, desta vez composto de profissionais da imprensa que visitaram Israel – com todas as despesas pagas (jabá) – para limpar a barra do sionismo. Entre eles estavam Pedro Doria, fundador e editor do Canal Meio; Tatiana Vasconcellos, âncora da Rádio CBN; Filipe Figueiredo, criador do podcast Xadrez Verbal; Leila Sterenberg, que atua semanalmente nos programas do canal do IBI; Janaina Figueiredo, repórter especial do jornal O Globo; e Marcos Guterman, diretor de Opinião no jornal O Estado de S. Paulo.

Entretanto, quando essa adesão ao sionismo vem de figuras públicas adoradas pela esquerda, eu acredito que a traição é mais dolorosa. Mesmo quando sabemos que não é justo confundir o autor com a obra, é inevitável a frustração. Caetano Veloso continua sendo um dos maiores gênios da cultura brasileira, um revolucionário da arte, criador do tropicalismo, músico e poeta da maior qualidade. Entretanto, como agente político, é um arrogante, um alienado e alguém que sempre se jogou para o lado que lhe pareceu pessoalmente mais favorável, mesmo que isso significasse apoiar os genocidas e canalhas mais abjetos. Todavia, sua genialidade não pode nos deixar cegos diante do seu oportunismo. Sua adesão tardia à luta pela libertação da Palestina não pode apagar de nossa memória sua posição de adesão franca ao sionismo.

Desculpe, Caetano… eu não sou cachorro, não.

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Porto Alegre e o Sionismo

A Câmara Municipal de Porto Alegre instalou uma Comissão Parlamentar Brasil-Israel por iniciativa da vereadora Fernanda Barth.

Trata-se um fato grave na cena atual: uma representação parlamentar de uma capital brasileira cria um grupo de apoio a Israel, no momento em que este país pratica um genocídio cruel e covarde contra o povo palestino em Gaza e na Cisjordânia. Para dar suporte a esta matança, lançam mão das velhas mentiras repetidamente contadas sobre um suposto antissemitismo, um vitimismo interminável e fantasioso que tornaria justas as medidas desumanas e cruéis contra mulheres e crianças em Gaza. Parece que mais de 50 mil mortos, 70% deles mulheres e crianças, e a nova ofensiva covarde contra palestinos abrigados em tendas – que já matou quase 500 pessoas nas últimas 24h – não mobiliza a alma desses parlamentares representantes da extrema-direita da cidade.

Esta iniciativa parlamentar se ocupa de falsear a verdade sobre Israel. Não é mais possível esconder o verdadeiro caráter desse enclave dos interesses europeus no Oriente Médio. A ideologia sionista, racista e colonial, é financiada pelo imperialismo e pelos Estados Unidos desde o evento do Nakba, em 1948, e sua existência se assenta na opressão insistente e sistemática da população nativa da região. Só podemos imaginar que os responsáveis por esta comissão parlamentar ignoram a história ancestral e recente da região, talvez recebendo financiamento das instituições sionistas como o Mossad ou a CONIB, ou quem sabe apoiados financeiramente pelos empresários sionistas da cidade.

Antes de propor uma comissão de apoio ao massacre sionista, estes vereadores deveriam estudar os escritores judeus que escreveram sobre a realidade dos fatos ocorridos na Palestina. Entre os principais críticos do racismo e do Apartheid estão Shlomo Sand, ex-professor em Tel Aviv; Norman Finkelstein, professor em Princeton, Estados Unidos e Ilan Pappé professor na Universidade de Exeter, Reino Unido. Além deles, Max Blumenthal (jornalista do Greyzone), Gideon Levy (jornalista israelense, colunista do Haaretz), Miko Peled (ativista), Noam Chomsky (escritor) e Gabor Matté (médico e especialista em trauma). No Brasil, o jornalista judeu Breno Altman desenvolve um trabalho essencial de conscientização sobre os crimes do sionismo contra a população palestina. São dignas de nota também duas figuras históricas da ciência e da psicanálise, como Albert Einstein e Sigmund Freud que rejeitaram de forma explícita as propostas racistas, supremacistas e sectárias do sionismo nascente, talvez porque anteviam que esta ideologia fascista acabaria produzindo a limpeza étnica, o Apartheid e o genocídio palestino.

Estes intelectuais condenaram com veemência o massacre, os crimes, o genocídio e a limpeza étnica na Palestina, e são todos judeus. Entre eles cito especialmente Miko Peled, que contradiz todas as mentiras sobre as “guerras de defesa” e é um israelense cujo pai foi general (Matti Peled) na guerra de 67. Essa comissão espúria e imoral, que apoia genocidas e opressores, não conseguirá enganar por muito tempo com sua narrativa fraudulenta!!! Ao fim vai sobressair a verdade: os verdadeiros judeus apoiam a Palestina e Sionismo não é judaísmo. Na verdade, o sionismo racista e supremacista trai os principais valores universalistas do judaísmo.

Faz-se necessário um contraditório urgente dos representantes progressistas da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, e que se crie na Câmara uma Comissão de Apoio à Soberania da Palestina.

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Supremacismo

Toda vez que alguém vem me dizer que o identitarismo é algo bom, que alguém precisa “proteger mulheres, gays, negros, trans, etc”, que ele nasceu para dar voz às populações oprimidas e historicamente perseguidas e que seu objetivo é a equidade e a justiça social eu lembro que esta é a exata definição dada pelos supremacistas sionistas, ao explicar porque a violência destrutiva desproporcional no ataque aos palestinos é justa. Também os sionistas aparentemente tinham um objetivo nobre; após séculos de perseguições, expurgos e pogroms, era justo que desejassem um lugar seguro para si. O problema é que, para esta tarefa, era necessário roubar a terra onde há séculos vivia outra população, e aqueles que se opusessem a este plano. Por esta razão, ainda hoje matam de forma genocidária seus inimigos e depois exigem que seus crimes sejam vistos de forma condescendente por nós. Afinal, “depois de tudo que nos aconteceu”.

O sionismo que massacra crianças na Palestina surge exatamente desse pensamento exclusivista e supremacista. Essa perspectiva é o embrião de inúmeras tragédias como o nazismo, a KKK (Ku Kux Klan) e o sionismo, que nada mais são que o resultado direto de uma visão de mundo onde um grupo – ou uma identidade – exige ter mais direitos do que os outros grupos, seja porque são o “povo escolhido”, por ser este seu “destino manifesto” ou pelo seu sofrimento no passado. Assim floresce entre estes grupos a ideia de que as leis e regras que são aplicadas aos outros não são aplicadas a eles, por serem diferentes, especiais ou superiores, de acordo com sua própria análise. Entretanto, uma das mais importantes conquistas civilizatórias da humanidade foi a compreensão de sermos todos iguais. Assim, a lei e os juízes devem tratar a todos igualmente, independentemente da sua raçagêneroidentidade de gêneroorientação sexualnacionalidadecor da peleetniareligiãodeficiência ou outras características, sem qualquer tipo de privilégio, discriminação ou preconceito. A ideia de grupos ou identidades especiais – inferiores ou superiores – é ilegal e incompatível com os princípios de liberdade e de equidade.

A luta contra os preconceitos só pode ocorrer no lento processo de maturação das sociedades. Uma sociedade igualitária não vai se tornar hegemônica pedindo “mais amor”, criando “diversidade de aparências” ou judicializando preconceitos, mas exterminando a origem dessas distinções. Estas, como bem o sabemos, estão centradas nas iniquidades econômicas brutais construídas pelo processo civilizatório e consolidadas pela sociedade de classes. O combate aos preconceitos todos – raça, gênero, identidade e orientação sexual – é uma necessidade urgente, mas estas chagas planetárias somente serão desmontadas quando nossa sociedade tiver equilíbrio econômico, por meio da distribuição justa das riquezas produzidas. Enquanto tivermos sociedades divididas em classes, onde o trabalho vale menos do que a concentração de capital, nada será modificado. Para mudar esta realidade precisamos menos “amor” e mais luta de classes.

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Interesses conflitantes

Eu sabia há muito tempo que o Antony Blinken era cidadão israelense. Na época que descobri perguntei como podia um sujeito na sua posição – algo como o Ministro de Relações Exteriores – ter cidadania de outro país. É a questão que fica no ar: como um sujeito que serve a dois senhores se situa quando existem conflitos de interesses evidentes. Por exemplo, nas relações com os países árabes ou de inimigos de Israel. Existe um evidente constrangimento, pois um secretário de Estado de uma país não pode ter compromissos com outro, pois as chances de desacordos não são desprezíveis. O mesmo aconteceria se Bolsonaro conseguisse cidadania italiana quando teve essa ideia – e efetivamente tentou – para usar posteriormente como rota de fuga. Felizmente os italianos não caíram no truque. Como ele se posicionaria se houvesse alguma disputa com os italianos – como efetivamente houve há poucos anos no caso Batistti?

Outra questão é o fato de jovens judeus de outros países estarem combatendo no exército de Israel. É o caso do líder sionista no Brasil que atuou como soldado em Israel, André Lajst. Como permitem isso? E se o Brasil tiver um conflito com Israel? Como podemos aceitar um soldado de outro país aqui no Brasil, sendo cidadão brasileiro, com direito ao voto e até com a possibilidade de concorrer como candidato nas eleições, de vereador a presidente?

Por outro lado, a existência de um israelense como secretário de Estado americano, demonstra a força do lobby sionista nos Estados Unidos. Apesar de os judeus serem apenas 2.4% da população americana – por volta de 7,5 milhões de pessoas – seu poder é gigantesco, e se expressa através do dinheiro, capaz de comprar quase todos os parlamentares das duas câmaras americanas. Assim, se você não beijar a mão do AIPAC (o mais poderoso lobby sionista) sua carreira política é exterminada, seja porque não terá recursos para uma campanha milionária, seja porque haverá um empenho brutal na destruição de sua reputação por parte das redes de comunicação ou mesmo da brutal inteligência israelense – o Mossad. E não são poucos os exemplos de sujeitos destruídos por esse lobby.

Ou seja: a fachada democrática nos Estados Unidos, através de sua democracia liberal, serve para esconder uma evidente ditadura burguesa, um totalitarismo estabelecido pelo dinheiro, deixando o controle do país inteiro para frações minúsculas da sociedade, que comandam a vida de todos. Isso se expressa inclusive na imprensa americana, quase totalmente dominada por sionistas. As grandes redes são grandemente interessadas na manutenção de um entreposto americano no oriente médio, mesmo que às custas de limpeza étnica, colonialismo, apartheid, holocausto palestino e o assassinato sistemático de crianças e mulheres. Os Estados Unidos e Israel acabam produzindo, na prática, um único grande estado sionista, controlado por uma minoria de sionistas judeus e apoiado por cristãos americanos do “cinturão da Bíblia” que aceitam a mitologia supremacista e racista do “povo escolhido de Deus”. Para um país que tinha seu próprio Apartheid até meados dos anos 60 do século XX, isso em nada deveria surpreender.

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