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Felicidade em Cápsulas

A tese do Peter Gotzsche é de que os psicotrópicos usados da forma como o são fazem muito mais mal do que bem. Eu creio que há espaço para as drogas no psiquiatria, mas tenho certeza do que o abuso de prescrições de medicamentos dessa área produz na civilização. Eu diria o mesmo da medicina aplicada ao nascimento humano: por certo que há espaço para a intervenção, mas o abuso é tão marcante que é difícil dizer o quanto de malefício ele já fez e faz para a fisiologia do parto.

O resultado, no que diz respeito ao parto, é que perdemos totalmente o contato com a realidade do nascimento. Perdemos seu odor, seu clima, sua temperatura e gosto. Nós, médicos, só conhecemos a sua representação, seu simulacro, sua imagem refletida na parede da tecnocracia. Continuando o raciocínio do articulista Dino Felluga, no seu artigo “Matrix: Paradigma do pós modernismo ou pretensão intelectual?”, “fizemos um roteiro tão assemelhado com a verdade que aquele se justapôs a esta. Hoje em dia, a realidade é que se desfaz por entre as linhas riscadas do mapa”. Mentimos o parto, falseando a natureza. Mais ainda: ao encobrir a realidade com as múltiplas capas da tecnocracia, fizemos desaparecer do horizonte a pureza da manifestação natural de um fenômeno corriqueiro que, de tão artificializado, que agora é o normal que causa estranheza.

Peter Gotzsche fala, em verdade, de uma indústria farmacêutica inserida no capitalismo que perdeu completamente os limites éticos. Os psicotrópicos se tornaram os “chá de Melissa” da pós modernidade, com a diferença que seus efeitos deletérios são muito mais graves e permanentes. Como eu disse, em mãos muito ciosas e cuidadosas podem oferecer benefício; entretanto, com o bombardeio de propaganda que vincula essas drogas à “felicidade encapsulada”, não basta apenas médicos conscientes, senão que nos fazem falta pacientes que tenham a proteção adequada para enfrentar o canto da sereia da BigPharma.

O problema não está na psiquiatra, na doença mental e sequer na droga: a crítica se concentra no uso abusivo das drogas psicotrópicas e seu efeito deletério em milhões de pessoas pelo mundo. Está muito clara a queixa no livro do Peter Gotzsche, o qual eu recomendaria, assim como recomendo igualmente o da Márcia Angell sobre a falta de critérios para a liberação de medicamentos e os estudos de baixíssima qualidade que os sustentam. Para muitos pesquisadores o problema é tão grave que a completa proibição de qualquer droga psiquiátrica produziria mais benefício do que malefício, tamanho é o estrago que podem causar em mãos pouco hábeis.

Não se trata de criminalizar a psiquiatria ou de estigmatizar a doença mental, mas olhar com cuidado especial a “drogadição legal” e a medicalização extremada da sociedade. O uso de Ritalina por colegiais americanos deveria nos servir de alerta de que há muitos anos ultrapassamos os limites do aceitável. Debater abuso de drogas prescritas é um dever de quem trata pacientes com o uso de medicamentos. Sei do cuidado que muitos médicos conscientes têm com essa questão e entendo a preocupação com os rótulos, mas isso não impede que o uso abusivo de drogas psicotrópicas tenha atingido níveis epidêmicos. Propaganda e uso descriterioso são as principais fontes desse problema.

Não é justo e nem necessário colocar o psiquiatra como “cruel” ou “abusador”. Pelo contrário: ambos, médicos e pacientes, são reféns de uma indústria gigantesca, poderosa, antiética e voraz. Em verdade, Peter Gotzsche também encampa esta minha tese: somos todos – pacientes e médicos – vítimas do capitalismo aplicado à saúde, com suas inquestionáveis consequências nefastas.

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Sommelier de Vacina

Por que nos ensinam a ler o rótulo da margarina e aprender sobre os tóxicos contidos nos alimentos embutidos mas passou a ser CRIME e ato de estupidez questionar-se sobre os elementos constitutivos de uma vacina? E veja: criticar as vacinas – produtos das indústrias mais criminosas do planeta – passou a ser visto como negacionismo. Fazer PERGUNTAS passou a ser um ato terrorista. No mundo inteiro milhares de pessoas relatam transtornos graves em relação ao uso de vacinas, pessoas estas absolutamente hígidas previamente ao seu uso. Por que seria inadequado questionar-se sobre isso?

Muitos dirão que essas fatalidades são matematicamente irrelevantes diante dos benefícios possíveis da vacina. Seria assim como os riscos normais da vida: andar de carro, de avião, atravessar uma rua, etc. Pode ser verdade, mas o que é questionável é a propaganda que tenta silenciar qualquer grupo ou pesquisador que pretenda investigar a fundo a efetividade e a segurança de tais drogas. Isso pode ser qualquer coisa, menos ciência.

Minha postura sempre foi claramente crítica à indústria farmacêutica. Sigo a linha de grandes personalidades como Marcia Angell e Peter Gotzsche que denunciam estas indústrias como “máfias” e “indústrias da morte”. Não tenho uma posição antivacinista (aliás, até já me vacinei), mas exijo que os mesmos critérios de segurança e efetividade que foram usados para riscar do “mapa da boa conduta” drogas como Hidroxicloroquina e Ivermectina (até aqui consideradas ineficazes por diversas instituições importantes) sejam utilizados para avaliar a segurança e a efetividade de drogas usadas em pessoas sãs – como são as vacinas aplicadas nessas epidemia.

Percebam que as tecnologias usadas nas distintas vacinas são completamente diferentes entre si, e por isso mesmo as pessoas PRECISAM ser informadas dos riscos e benefício que a ciência produziu sobre qualquer uma delas. Não é pedagógico tratar os pacientes como “Sommelier de vacina” apenas porque – finalmente!!! – resolveram tomar para si mesmos a conduta de avaliar prós e contras de cada uma das medicações a eles oferecidas.

Chamamos por acaso as gestantes de “Sommelier de Parto” quando elas e seus companheiros decidem – baseados em suas crenças e valores – escolher o tipo de parto que mais se adapta às suas crenças e visões de mundo? Tratamos de maneira jocosa as pessoas que escolhem um estilo de vida mais natural no campo e próximos à natureza como “Sommelier de Oxigênio”?

Então é hora de pararmos com as críticas ao protagonismo das pessoas em relação à sua própria saúde e faz-se necessário que sejamos mais conscientes da propaganda que se espalha descaradamente pelas empresas farmacêuticas, ávidas para que tenhamos uma fé cega e acrítica em seus produtos.

Talidomida e Vioxx mandam lembranças.

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Dom Quixote

Acho que, no lado das esquerdas, serei sempre visto como um Dom Quixote por não me furtar de fazer duros questionamentos à Big Pharma. Todavia, hoje em dia parece obrigatório ao campo democrático e progressista vestir a camiseta das vacinas, e qualquer crítica mais séria sobre este tema é vista como uma “traição”.

Tudo isso porque o tema “vacinas” se tornou um tabu alicerçado no desespero das pessoas diante do inimigo invisível – mas com resultados dramáticos e visíveis. Com isso se permitem inúmeros deslizes éticos (vide fundação Gates em África) com a desculpa de que os fins (salvar a humanidade) justificam os meios (abusos, coerções, danos irreversíveis, mortes, etc).

Pior…. tudo isso ocorre sob o rótulo de “Ciência”, como se a ciência fosse uma entidade mítica e monolítica, e não uma medusa com milhares de cabeças, cada uma delas com suas pesquisas conflitantes e contraditórias. E isso que não estamos citando a corrupção evidente na ciência inserida no capitalismo, que faz com que o pesquisador Peter Gotzsche (Fundador da Cochrane Library) não tenha pruridos para chamar a indústria farmacêutica de “Máfia” e Márcia Angel (editora durante duas décadas do New England Journal of Medicine) se permita dizer que é impossível acreditar em estudos e pesquisas contemporâneas.

Mas… questionar – a ética, os custos, a segurança, a aplicabilidade, a eficácia, etc – das vacinas ainda é tratado como bolsonarismo e terraplanismo. Na verdade esta postura não passa da aplicação de um dos princípios mais importantes da ciência: o saudável ceticismo. Aliás, o mesmo que nos fez desconfiar da Cloroquina como “bala de prata” e panaceia universal.

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