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Medicina e Ciência

“A prática da medicina se apoia na ciência apenas quando o conhecimento científico oferece sustentação aos seus interesses corporativos ou quando garante mais poder aos profissionais. Monitorização eletrônica foi introduzida sem nenhuma evidência clara de seus benefícios. Episiotomia e ultrassons de rotina, igualmente. Em contrapartida, décadas de estudos científicos bem desenhados que provam a ineficiência e/ou a maleficência destas condutas são insuficientes para desbancar tais procedimentos de nossas rotinas.

Evidência científica só é boa se nos beneficia ou nos enriquece.”

Henrico di Blasio “L’Uomo e la Scienza”, ed. Metaphisis, pag. 135

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Ciência

Querem mais um pouco da barbárie patrocinada pela medicina? Ciência à venda.

Ainda me choco – mesmo nos dias de hoje – com os positivistas da ciência que a enxergam como uma entedidade espiritual, pura e neutra, que não é contaminada pelo seu tempo, a política, os interesses e os contextos onde aparece. É comum ouvir “mas a ciência diz que…” ou ainda – a pior vertente – “os cientistas chegaram à conclusão que…” como se isso fosse uma determinação divina, uma revelação sobre a qual não se poderia questionar. Não, estas são manifestações de sua época, formas de ciencia direcionadas por valores que só fazem sentido quando olhadas em conjunto com o ambiente político e econômico.

É evidente que entender a falibilidade da ciência, em especial pelos contextos e circunstâncias sociais, significa tão somente humanizá-la, a não suprimi-la. A pior ciência ainda é melhor do que o mais sublime misticismo. Entretanto, a ciência é uma vela firme e poderosa que precisa de vento para nos levar adiante, mas quem produz esse vento somos nós.

Sem reconhecer a face humana e corruptível da ciência ela não pode evoluir.

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Negacionismo

Acho que as pesquisas confundem os dois principais tipos de negacionistas que existem em nosso meio. Há os que desconfiam da ciência – ou não a compreendem. Todavia, há outros que acreditam no progresso científico, até mesmo na teleologia da redenção tecnológica, mas não tem nenhuma fé nas instituições politicamente contaminadas que os difundem. Você pode acreditar nos medicamentos e descrer da indústria farmacêutica que lucra com eles. Você também pode acreditar na viagem à lua enquanto desconfia da máquina de propaganda do Império.

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Autoridades

A ideia de questionar autoridade não é, em essência, ruim. Em verdade, toda a ciência parte dessa insubmissão, não só à perspectiva dos outros, mas em combate constante contra a própria a ignorância. Assim sendo, ver alunos questionando cientistas e autores não é um sacrilégio ou um pecado. Faz parte de uma educação crítica o exercício da contestação. Por outro lado, as perguntas que cabem a estes “alunos petulantes” poderiam ser: “Afinal, em nome do quê você questiona este autor e como chegou a uma resposta diferente da que ele nos ofereceu?.

A resposta dos alunos de hoje não deve variar muito. Elas se referem a revisionismos que contestam o entendimento oficial baseados em autores apócrifos, sem formação reconhecida (Olavo de Carvalho é o ícone), afirmando que toda a estrutura do conhecimento contemporâneo está corrompida e baseada em falsidades e mentiras. Os interesses que haveria por trás dessas “mentiras oficiais” são o “marxismo cultural” (uma tolice divulgada por Jordan Peterson), associada à descrença crescente nas instituições (políticos, cientistas, religiosos, Academia etc.).

Quando falamos que a burrice tomou a dianteira nas narrativas contemporâneas é importante pensar o que significa isso. Não se trata de um amor puro à ignorância, um elogio à tolice. É algo além; uma revolta contra a opressão das instituições.

Todos os dias somos assaltados por notícias de corrupção na administração pública, até porque o poder REAL no Brasil tenta de todas as formas desmerecer a política como cola social. Além disso, vemos a corrupção nas corporações, como os remédios que matam, os médicos que abusam de cesarianas, a corporação médica acabando com os Mais Médicos, com o STF fazendo política partidária, com o exército ameaçando a democracia, com o judiciário corrompido por juízes fazendo política, uma mídia corrupta e golpista e com a Academia sendo uma fogueira de vaidades onde o ensino é relegado a segundo plano e as fraudes nas pesquisas estão sendo denunciadas de forma crescente.

Desta forma, com o aparecimento da internet, a autoridade que se afunilava nessas corporações acabou sendo diluída e espalhada de forma crescente. Não existe mais uma única fonte de informação; podemos questionar tudo e todos com uma pletora de informações, ideias e contraditórios sem precedente na história.

Claro que isso abre espaço para a estupidez e a contestação tosca de verdades bem estabelecidas. Muitas burrices como “Hitler de esquerda” e “terraplanismo” apareceram, mas não há como voltar atrás. A partir de agora nossas evidências precisarão ser conquistadas palmo a palmo e as antigas autoridades intocáveis vão aos poucos desaparecer. Não há volta…

Um exemplo que demonstra como nosso enfrentamento à autoridade faz sentido basta ver a miséria que escreveram juízes como Moro e Gabriela Hardt na sentença de Lula e o que escreveu uma professora da PUC sobre Simón Bolívar e o “marxismo”.

Não há como negar que, dentro do capitalismo, todas estas instituições estão em crise. Existem mentiras e corrupção na política, na ciência, na religião e nas Academias, mas o convite aos alunos deveria ser para que não se entregassem à simples contestação e o nivelamento de tudo em torno do rótulo “opinião” – onde a minha vale tanto quanto a de Stephen Hawking. Não, a ideia seria desafiá-los a caminhar os mesmos passos de dedicação, pesquisa, labuta, contestação e análise que estes pensadores percorreram, para só então nos oferecer uma visão alternativa.

Claro que isso serve para os alunos que desejam saber. Para os que apenas escolhem no que acreditar ou duvidar, uma religião, com suas regras e dogmas, é o caminho mais rápido e fácil.

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Criança

“Na ciência o ceticismo e a dúvida são as mais nobres virtudes; o entusiasmo o pior defeito.”

Em que momento essa criança se perdeu? Em que ponto distante no tempo de sua vida sua história parou? Queria voltar lá e dizer a ela: “Pode chorar, mas seja forte; siga em frente, tire essa roupa de dor, esqueça essa mágoa, perdoe quem lhe machucou e volte a brincar.”

Alfred Bruegel, “Essays of Dark Times“, Ed Fraternitat, pag 135

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