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Esquerdas e direitas na Medicina

Eu prefiro não falar muito sobre a questão das vacinas porque não sou da área, não gosto dessa especialidade da medicina e não tenho conhecimento suficiente para debater. Além disso, como diria Madre Cunegundes, “Maturidade é a capacidade de escolher suas tretas”.

Digo apenas o princípio que me move: não creio que a saúde venha das próteses, das medicinas heroicas, das fórmulas exógenas. A saúde, numa perspectiva ampla, vem através de um equilíbrio dinâmico com a natureza, e aí incluo a água, o ar, o solo, o que ingerimos, as plantas, os animais e as relações sociais. Nesse último aspecto, creio que as doenças vão diminuir muito com o fim da sociedade de classes e a exploração do homem pelo homem. Até lá usaremos muletas químicas…

“Cuecas e janelas nos quartos fizeram muito mais pela saúde do que todos os remédios na história da humanidade”, dizia o antigo pensador. Creio mesmo que a saúde é mais facilmente atingida retirando os elementos patológicos sociais que nos afastam dela do que criando drogas cada vez mais violentas, caras e perigosas.

Lembrei de uma cena de comédia com Mel Brooks. Um chefão corrupto foi fotografado por um jornalista bem na hora em que cometia um crime. Seu capanga lhe ofereceu uma solução: “Quem sabe roubamos toda a edição do jornal de amanhã quando os caminhões de entrega estiverem saindo?”, ao que o chefão respondeu: “E o que os impediria de publicar depois de amanhã?”. O capanga fez uma careta e disse “Nada, mas ganhamos 24h para pensar em algo”. É assim que vejo a solução drogal para nossos distúrbios da saúde. Não digo que os medicamentos sejam inúteis, só não vejo neles a solução para as doenças. Com eles ganhamos apenas um pouco mais de tempo, mas não virá daí a solução.

Mas eu queria falar sobre a politização da Medicina, que me parece cada vez mais intensa. Na polarização que se produziu no pensamento nacional percebo que, no Brasil, a posição majoritária na direita está em valorizar Ivermectina e Cloroquina, ter um certo desdém pelas vacinas e refutar o uso de máscaras. Há também um desprezo renitente pela ciência porque ela representa “o sistema”, o “globalismo”.

A esquerda, por seu turno, apregoa o uso irrestrito e abrangente de vacinas, o isolamento, as máscaras, o rechaço aos medicamentos de ação antiviral “off label” e coloca-se a favor da ciência institucionalizada, como os órgãos de regulação, a OMS e os grandes laboratórios farmacêuticos.

Por curiosidade, eu acompanho há muitos anos a cena política da esquerda americana. Da mesma forma como aqui, criou-se nos Estados Unidos uma esquerda liberal majoritária representada pelo partido democrata e que é chamada “esquerda liberal”, com uma clara e marcada atuação identitária. Alexandria Ocasio-Cortez é a grande sensação desse grupo e dela já me ocupei em outro post. À esquerda dessa turma liberal e pequeno burguesa de jovens universitários está um grupo pequeno, atuante e radical composto por aqueles que se cansaram do discurso “shit lib” imperialista dos democratas: a “esquerda raiz”.

Pois os elementos desta esquerda radical são críticos à vacinação, a favor dos estudos sobre as drogas Ivermectina e Hidroxicloroquina, contrários à sua demonização, contrários ao Fauci e seu poder desmedido, contra vacinas obrigatórias e contra os conglomerados farmacêuticos que manipulam a opinião pública e a própria condução dos estudos. Lá o poder desses gigantes produz muito mais temor do que aqui, onde é comum confundimos “confiar na Ciência” com “ter fé nas empresas farmacêuticas”.

De uma forma abrangente, a esquerda americana “raiz” é muito mais anti imperialista, anti monopolista, pró investigação médica autônoma, descrente das pesquisas da BigPharma, questionadora da validade de muitas vacinas e cética quanto ao controle da pandemia através de doses repetidas. É evidente que existem contextos diferentes. Entretanto, vejo na esquerda raiz americana (anti democrata e anti republicana) um ceticismo muito maior com as grandes empresas farmacêuticas. Lá essas imagens de gente emocionada se vacinando causam um certo mal estar. Tipo “como vocês podem ter tanta fé em empresas tão bandidas?”

Nos Estados Unidos a posição de esquerda radical em relação à pandemia se assemelha à nossa direita, e os da esquerda daqui se parecem com os liberais democratas de lá. Isso tudo me mostra que esses tratamentos médicos farmacológicos tratados como bandeiras ideológicas não produzem nenhuma ajuda ao entendimento do processo, mas mostram a confusão que ainda temos no cenário da saúde pública dentro das democracias burguesas.

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Sommelier de Vacina

Por que nos ensinam a ler o rótulo da margarina e aprender sobre os tóxicos contidos nos alimentos embutidos mas passou a ser CRIME e ato de estupidez questionar-se sobre os elementos constitutivos de uma vacina? E veja: criticar as vacinas – produtos das indústrias mais criminosas do planeta – passou a ser visto como negacionismo. Fazer PERGUNTAS passou a ser um ato terrorista. No mundo inteiro milhares de pessoas relatam transtornos graves em relação ao uso de vacinas, pessoas estas absolutamente hígidas previamente ao seu uso. Por que seria inadequado questionar-se sobre isso?

Muitos dirão que essas fatalidades são matematicamente irrelevantes diante dos benefícios possíveis da vacina. Seria assim como os riscos normais da vida: andar de carro, de avião, atravessar uma rua, etc. Pode ser verdade, mas o que é questionável é a propaganda que tenta silenciar qualquer grupo ou pesquisador que pretenda investigar a fundo a efetividade e a segurança de tais drogas. Isso pode ser qualquer coisa, menos ciência.

Minha postura sempre foi claramente crítica à indústria farmacêutica. Sigo a linha de grandes personalidades como Marcia Angell e Peter Gotzsche que denunciam estas indústrias como “máfias” e “indústrias da morte”. Não tenho uma posição antivacinista (aliás, até já me vacinei), mas exijo que os mesmos critérios de segurança e efetividade que foram usados para riscar do “mapa da boa conduta” drogas como Hidroxicloroquina e Ivermectina (até aqui consideradas ineficazes por diversas instituições importantes) sejam utilizados para avaliar a segurança e a efetividade de drogas usadas em pessoas sãs – como são as vacinas aplicadas nessas epidemia.

Percebam que as tecnologias usadas nas distintas vacinas são completamente diferentes entre si, e por isso mesmo as pessoas PRECISAM ser informadas dos riscos e benefício que a ciência produziu sobre qualquer uma delas. Não é pedagógico tratar os pacientes como “Sommelier de vacina” apenas porque – finalmente!!! – resolveram tomar para si mesmos a conduta de avaliar prós e contras de cada uma das medicações a eles oferecidas.

Chamamos por acaso as gestantes de “Sommelier de Parto” quando elas e seus companheiros decidem – baseados em suas crenças e valores – escolher o tipo de parto que mais se adapta às suas crenças e visões de mundo? Tratamos de maneira jocosa as pessoas que escolhem um estilo de vida mais natural no campo e próximos à natureza como “Sommelier de Oxigênio”?

Então é hora de pararmos com as críticas ao protagonismo das pessoas em relação à sua própria saúde e faz-se necessário que sejamos mais conscientes da propaganda que se espalha descaradamente pelas empresas farmacêuticas, ávidas para que tenhamos uma fé cega e acrítica em seus produtos.

Talidomida e Vioxx mandam lembranças.

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Poder e Ciência

Basicamente quando se procura um tratamento lançamos mão da melhor evidência sobre uma determinada doença, com o estudo mais abrangente possível e com o maior rigor científico que se possa aplicar. Não creio que possa haver algum profissional da saúde que esteja em desacordo com esta afirmação. Se a medicina não é uma ciência – mas uma arte e um saber – ela certamente se apoia na ciência para aplicar tratamentos e implementar exames e terapêuticas.

Entretanto, esse não é – nem de longe!! – o problema da aplicação de conhecimento científico aos pacientes e seus sofrimentos. O drama reside na adaptação destas evidências aos choques de poder inevitáveis que vão ocorrer quando se está diante de descobertas capazes de abalar sistemas de poder bem sedimentados. No caso das vacinas, para usar um exemplo em voga, são BILHÕES de dólares que estão sendo disputados pelas “biotechs” de vários países na luta feroz por fatias bilionárias de mercado com essa pandemia. A experiência nos mostra que nenhuma ética na história da humanidade resiste a tanto dinheiro – e o poder que dele emana.

Pensem bem: se as evidências funcionassem no sentido de implementar mudanças ou determinar protocolos, 90% dos remédios de uma farmácia comum seriam jogados no lixo, pois são comprovadamente inúteis e/ou perigosos – em especial os psicotrópicos. A maioria das cirurgias seriam abandonadas, em especial algumas altamente lucrativas como as intervenções cirúrgicas cardíacas. Muitos exames inúteis (boa parte das ecografias, por exemplo) seriam abandonados, assim como as mamografias de rotina. No campo da obstetrícia, não haveria episiotomias, cesarianas seriam exceções (nem 15% dos casos) e sequer haveria médicos atendendo partos, pois as evidências comprovam que eles são os piores atendentes de parto disponíveis, atrás de parteiras e médicos de família. A presença de doulas seria obrigatória em todos os hospitais.

Percebam como a “verdade” que emana dos estudos e das pesquisas não é suficiente – por si só – para implementar mudanças. É preciso haver pressão política para que uma verdade deixe de ser oculta e passe a ser a vertente hegemônica de entendimento de um fenômeno qualquer na sociedade.

Olhar para a ciência como uma entidade mítica e isenta, amorfa e imparcial, é um erro brutal. A ciência que nos chega aos sentidos é trazida por sujeitos como nós e feita por homens e mulheres com interesses, preconceitos, desejos e falhas. Seu trabalho sofre todo tipo de pressão para apresentar resultados. Acreditar que a ciência possa se expressar num vácuo cultural, infensa à vaidade humana e ao poder, é pura ingenuidade – que pode custar vidas.

Sobre essas drogas que são propagandeadas como “positivas para tratar a Covid19” existe um conflito muito grande. A respeito da Ivermectina há uma verdadeira cisão entre especialistas. Novos estudos – em especial um que surgiu há poucos dias na Argentina onde esta droga foi usada em profissionais da saúde – confirmam que pode existir um resultado muito positivo com seu uso, o qual não pode ser desprezado por preconceitos de ordem científica ou política.

Recomendo esse vídeo do senado americano para ver o quanto o debate por lá é muito mais intenso e aberto do que por aqui.

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Prince Charming

The search for chloroquine, ivermectin and now dexamethasone bears a resemblance to the search for love in a man or woman, an ideal of happiness that depends in someone to complete us and offer what we lack. In all cases the answer is always out there, in something that will rescue us from loneliness, degeneration and death. Exogenous healing has never gone out of style.Prince Charming never stopped visiting our dreams.


“A busca pela cloroquina, ivermectina e agora a dexametasona guarda uma semelhança com a busca do amor em um homem ou a mulher, um ideal de felicidade e em alguém a nos completar e oferecer o que nos falta. Em todos os casos a resposta está sempre lá fora, em algo que vai nos resgatar da solidão, da degeneração e da morte. A cura exógena nunca saiu de moda.O Príncipe Encantado jamais deixou de visitar nossos sonhos.”

Patricia Highsmith, Punxsutawney Chronicles, june 12th,

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