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Cacarecos

Que tal um Natal com poucos cacarecos?

Pensem bem antes de dar presentes em festas comerciais!! No fim das contas pode sair muito caro. O stress, a exposição ao vírus, o custo inflacionado dos brinquedos a (in)utilidade do presente, etc. Será mesmo que vale a pena tanto esforço em troca de um carinho que pode ser recebido com a simples presença e a comunhão?

Não esqueça que o presente verdadeiro nessa negociação capitalista é o impacto no sujeito causado pela fugaz gratidão infantil. Ela dura poucos minutos e depois o apetite de afeto das crianças exigirá mais presentes, e assim indefinidamente. O desejo é infinito, os recursos não…

Meu conselho é que sejam fortes e resistam à pressão. Crianças que recebem presentes demais tornam-se insensíveis às coisas, aos objetos. É uma adição como qualquer outra; depois de um certo tempo só doses mais fortes conseguem produzir a endorfina necessária para o disparo da onda de prazer.

Não usem as crianças como lenitivos para seus traumas infantis. Graças às inúmeras faltas da infância é que desenvolvemos o desejo de conquistar algo mais na vida. “Toda conquista se faz a partir dos escombros de um fracasso”. Não permita que seus traumas prejudiquem seus filhos e netos. Acreditem no potencial deles em desenvolver criatividade, alegria e sucesso sem a necessidade de acumular coisas.

O Natal é o melhor momento para ensinar as crianças como suportar a frustração consumista.

Tenham todos um Feliz Natal com pouca coisa…

Veja outro post meu aqui

… e leia mais sobre o tema aqui

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Presentes

Eu sempre achei a correria de presentes de fim de ano uma angústia maléfica, mais do que desnecessária, que se oferece às crianças. Não é segredo que as pessoas felizes não consomem. Sua realização pessoal e a harmonia de seus sentimentos não gera a necessidade de artifícios externos. Desta maneira,  o trabalho árduo dos publicitários é criar a infelicidade nos consumidores, para imediatamente lhes vender o remédio: “cargo”, a coisa, o produto.

Somos assim guiados por um hipnotismo social consumista que se inicia inoculando a sensação de impotência, falha e falta. O pior é que este padrão se inicia na infância, onde suas raízes são fincadas no solo fértil da personalidade nascente. Não existe nenhum consumista que não tenha o princípio do seu vício muito precocemente estabelecido na primeira infância. Por essa razão eu acredito que afastar as crianças deste tipo de ciclo vicioso de falta – saciedade – frustração é uma tarefa que cabe aos pais iniciar o quanto antes.

Nossa decisão – minha e de Zeza – de abolir os presentes de Natal, dia das crianças e até aniversário, tem uma história. Meus filhos foram os primeiros netos por parte dos meus pais e quando tinham uns 7 e 4 anos começaram a perguntar o que ganhariam de Natal. A partir disso se iniciou um “zunzum” por parte dos avós e das tias sobre quem daria o quê para quem. A Zeza notou que isso passou a ser, além de um assunto entre eles, uma fonte de ansiedade e expectativa.

Havia uma espécie de “cobrança” antecipada, como se as pessoas tivessem que pagar um pedágio pela alegria que o convívio com meus filhos lhes oferecia. Para além disso, havia um comércio velado. “Se você me der um presente eu lhe pago com uma demonstração calorosa de amor“. Quem resiste?

Porém, a pergunta que eu me fazia era: o que, em verdade, era “o presente”? Seria o brinquedo (afeto materializado) ou o amor encenado que eles nos ofereciam em troca? 

Zeza percebeu esse distúrbio e decretou, com seu jeito sempre meigo (irony mode on) de fazer essas comunicações: “Não quero nenhum presente para os meus filhos, senão não viremos à ceia”.

Sargentona… mas hoje acho que a sua decisão foi de profunda sabedoria. Ela sabia que essas atitudes nos pequenos geram comportamentos que muito dificilmente eliminamos na vida adulta. Ela intuía que precisava cortar o mal do consumismo pela raiz e assim fizemos.

Claro que meus filhos ganharam presentes na vida, até hoje, mas nunca determinados por uma data ou por uma obrigatoriedade. Se houvesse necessidade ou vontade isso seria feito, mas procuramos retirá-los o quanto antes de uma vida que ligava felicidade ao consumo de coisas.

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Presentes

Uma pergunta, para estimular a reflexão: Quando a gente dá um presente, que tipo de mecanismo psicológico se produz, qual o processo mental que ocorre e quem verdadeiramente recebe o benefício? Digo isso porque vejo muitos avós dando presentes para os netos (mas não apenas avós; tias, mães, etc…), mas o verdadeiro presenteado me parece ser quem efetivamente DÁ, e não quem recebe. As descrições que elas me fazem deixam muito claro que o presente funciona (inconscientemente, é claro) como uma forma de pagamento para o verdadeiro produto: o agradecimento que o segue. Quando uma criança recebe um brinquedo (que ela joga fora logo depois) e agradece dizendo “Obrigado vovó, eu te amo!” eu me questiono quem realmente recebeu e quem ofereceu. O problema é que muitas pessoas usam presentes exatamente com o intuito de receber afeto de volta, criando nas crianças a noção de que existem mediadores nas demonstrações de afeição e carinho. Isso eu acredito ser profundamente deletério para o desenvolvimento dos pequeninos.  

Max sempre me disse: “As coisas verdadeiramente importantes na vida são absolutamente gratuitas“.  

Eu não compro presentes para os meus filhos desde que eles eram pequenos. E fazia de propósito. Natal na minha casa era com chazinho, bolo, avós, tias, e sem presentes. Eu me negava a entrar no círculo vicioso dos presentes. Não há como fugir dessa troca de favores regulado pelo dinheiro, a não ser com uma atitude drástica. Quando meus filhos eram pequenos a Zeza, reuniu os avós e algumas tias e disse: “Não quero presentes para os meus filhos. Natal não é para isso. Não quero criar uma mentalidade consumista em crianças pequenas.” E eu apoiei inteiramente.  

Eu creio que dar presentes para crianças pode ter um efeito deletério, inadequado e também pode produzir efeitos ruins em longo prazo. Mas é claro que não é o presente em si que é ruim, mas a carga afetiva que o acompanha. Criar uma mentalidade consumista em crianças, onde o dinheiro media carinho e amor, pode destruir a ideia central de que a afeição deve se bastar por si, e não ser comprada. É claro que comprei presentes para meus filhos durante vida deles, mas também me perguntei quem é que estava ganhando alguma coisa, e me questionei sobre o “preço” verdadeiro que estava sendo pago. Dar presentes mascara, muitas vezes, necessidades afetivas de quem presenteia. E não estou generalizando, mas (como disse na primeira linha) provocando uma reflexão sobre o verdadeiro valor dos presentes, dados e recebidos.

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