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Verdades

Não existe “verdade ou mentira. Aliás, não existem sequer fatos, apenas perspectivas. A “verdade” é uma ficção contada por quem controla a narrativa, por aqueles que detém o discurso hegemônico.

Verdade e mentira se inserem nessa luta pelo discurso autoritativo, e não podem ser analisados de forma positiva. Sempre existirá uma disputa por narrativas, pois que essa é a essência humana. Já a verdade é uma construção coletiva que depende de poder e persuasão para estabelecer hegemonias. A construção da “verdade” nunca é solitária e pessoal, mas uma construção de uma coletividade. Você pode ter sua opinião pessoal e seu viés, mas não pode produzir seus próprios fatos. A disputa por versões da realidade é inalienável do humano. As muitas versões construídas sobre qualquer tema estabelecem uma disputa entre perspectivas e julgamentos. Vence a versão mais poderosa, mesmo quando falsa.

É óbvio que nosso ego sempre cultivará a ilusão de tudo saber, basta escutar qualquer sujeito falando de suas perspectivas Entretanto, a “verdade” não é uma construção subjetiva ou pessoal; ela se constrói socialmente nos choques paradigmáticos tão bem descritos por Thomas Kuhn em sua obra “A Estrutura das Revoluções Científicas”.

Por isso a verdade contemporânea é de que a terra é esférica, mesmo que visões pessoais a tratem como plana. Não esqueça que o terraplanismo já foi a vertente hegemônica de saber sobre a forma da terra!!!

Assim como no modelo darwiniano de sobrevivência das espécies, a sobrevivência das ideias também obedece as mesmas regras. Não são os mais fortes ou os “corretos” que sobrevivem na natureza, mas os mais adaptados. Mutatis mutandis, algumas ideias toscas – e inclusive comprovadamente falsas – sobrevivem pela sua maleabilidade e pelos poderes e interesses que a sustentam.

O capitalismo é apenas uma dessas ideias que sobrevivem pela força e pelo poder de quem o mantém, mesmo dando sinais inequívocos de decadência e incapacidade de solucionar os graves entraves do planeta.

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