Arquivo do mês: setembro 2024

Manifestações em Tel Aviv

Não podemos esquecer que os protestos em Tel Aviv, que na melhor das hipóteses poderiam derrubar Netanyahu, nada tem a ver com um repúdio da população israelense ao massacre em Gaza, nem com os assassinatos na Cisjordânia; sequer desejam buscar um entendimento com o Hamas e as outras forças da resistência Palestina. Não, são manifestações de descontentamento da franja mais fascista da população israelense com a questão dos reféns e as mortes que ocorreram, causadas pelos próprios ataques do exército de Israel à população civil de Gaza. Cerca de 61% dos israelenses não tem confiança na forma como o governo está atuando em Gaza, não confiam no seu primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ou sua habilidade em formar um novo governo em caso de eleições antecipadas. Estas pessoas, que agora protestam nas ruas de Tel Aviv para a soltura dos reféns, continuam com os mesmos jargões que caracterizaram por anos as manifestações da extrema direita sionista: cantam a plenos pulmões “Morte aos Árabes” entre outros cânticos racistas e supremacistas. A sociedade israelense tornou-se doente; mesmo que estudos projetem que 260 mil pessoas podem morrer nos próximos meses se a guerra continuar, isso não mobiliza ou cria empatia na população de Israel. e as últimas pesquisas apontaram que 98% dos entrevistados acreditam que a matança deve se intensificar, e que nenhum estado palestino jamais deverá ser criado. Porém, é forçoso ter em mente que, diante de outras figuras da extrema direita israelense, Netanyahu é considerado “moderado“. Outras figuras conhecidas da política israelense têm palavras muito mais odiosas – como Itamar Ben-Gvir, que defendeu apaixonadamente os torturadores – convocando a população a tratar como heróis os acusados de abuso nas masmorras israelenses ou pedindo, como a embaixadora americana Linda Thomas-Greenfield, a “solução final” para os palestinos que insistem em lutar por sua terra.

De nossa parte cabe intensificar os boicotes de todos os produtos israelenses, em especial o comércio de armas – que são testadas em crianças palestinas e em civis desarmados. Nada que venha de Israel deve ser consumido. O boicote contra Israel deverá se cada vez mais intenso, brutal, tanto em produtos quanto no terreno da arte, cultura, literatura e tecnologia. O bloqueio acadêmico – com o encerramento de qualquer intercâmbio com universidades sionistas – deverá se aprofundar ainda mais, isolando qualquer contato com o sistema de ensino sionista. Israel é um país terrorista, que está levando a cabo um “genocídio televisado”, e deve ser isolado e conduzido à condição de pária internacional. Nesta semana o Brasil interrompeu a compra de material bélico de Israel, diante do protesto de inúmeras organizações e instituições humanitárias e de apoio ao povo palestino, mas esta medida ainda é frágil e limitada. É necessário lutar pelo rompimento total das relações entre os países. Sabemos da importância do Brasil como exemplo aos países do sul global, e o exemplo de ruptura levaria a um efeito em cascata, que seria um golpe decisivo para o enfraquecimento de Israel. Se isso ocorrer, o estrangulamento financeiro que se seguirá levará ao colapso – que alguns analistas consideram iminente – da economia do país, e com isso se tornará inevitável a insurgência popular. Também é esperado que aumentem os protestos nos campi das universidades americanas – em número de universidade e de participantes – forçando que, inobstante quem seja o futuro presidente, tenha uma atitude mais comedida no apoio aos fascistas israelenses.

É forçoso entender que a crise no Oriente Médio não é algo novo ou ocorreu de forma inesperada. Ela se dá no momento de profunda fragilidade do imperialismo e como parte integrante da grande crise do capitalismo internacional. Portanto, não é adequado acreditar que este assunto pertence ao Oriente Médio ou mesmo que se trata de uma questão entre os colonos israelenses e os palestinos que há 7 décadas lutam por sua terra. Não; a palestina é uma ferida aberta do imperialismo. A luta dos Estados Unidos para manter de pé sua colônia na Terra Santa é um esforço para garantir uma sobrevida ao imperialismo. Combater Israel e suas atrocidades, o colonialismo e o apartheid, a opressão e as torturas são formas de ajudar a construir um mundo multipolar, com mais oportunidade para os países emergentes como o Brasil. Portanto, é nossa tarefa colaborar para que este conflito termine com a vitória da paz e da autonomia dos povos, e uma palestina plural, livre e democrática.

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Arquivado em Causa Operária, Palestina

Medidas distintas

Hersh Goldberg-Polin, an American, was one of the captives that perished. Like the other captives, he met his demise at the hands of his fellow Zionists. The Hannibal directive states that Israel doesn’t even respect the lives of its own citizens. The most vicious people on the planet, Israeli zionists murder everything that moves in order to further their racist goals. However, upon viewing the photos from his funeral, I am compelled to conclude that a single American caused thousands to lament the tragedy of his death during the war; concurrently, 186 thousand Palestinians perished, the majority of whom were children, plus one million went hungry, and thousands more were left permanently amputees.. Not surprisingly, no palestinian victim has a face, a family, a life, not to mention the massive television coverage that this boy received. Zionists may be monsters, but it’s obvious that they wish to unleash their inner colors on their adversaries. Please remember that a “progressive zionist” does not exist. You are also a monster if you condone the atrocities in Gaza (and now the West Bank) and believe that bombing and starving children is the best way to resolve a political issue.

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Arquivado em Palestina

Filhos

Do ponto de vista pessoal a decisão de não ter filhos é inquestionável. Não apenas é um direito de qualquer individuo como é algo que deve ser respeitado como uma opção válida para a vida. Prefiro que aqueles que não gostam de filhos não os tenham, ao invés de ser obrigado a testemunhar o triste espetáculo de pais e mães que não amam seus próprios filhos. Ser filho de um pai que não gosta e/ou não valoriza a importância da paternidade é uma tristeza imensa; hoje sabemos da significado profundo da figura paterna e seu efeito protetor sobre o futuro de qualquer criança. Entretanto, pior ainda será se esta falta de afeto vier de sua mãe, pois o vazio de amor materno se configura uma tragédia insuperável. Portanto, nenhuma crítica à decisão soberana de sujeitos e casais sobre controlar seu destino reprodutivo; trata-se de um direito inalienável de todo sujeito.

Já do ponto de vista social, enquanto tendência de comportamento, creio que este movimento childfree algo lamentável pois ameaça a própria existência da espécie humana e expõe uma “doença cultural”, na qual a manutenção da vida humana sucumbe diante da exaltação de prazeres egoísticos – como viajar ou andar sem roupas pela casa, segundo consta no texto do casal na matéria veiculada na Internet. Em termos culturais, e até sociológicos, o discurso de estimular casais a não terem filhos pode – e precisa – receber o devido contraponto. Em verdade, isso já acontece. Muitas pessoas questionam as motivações “reais” das pessoas que não desejam filhos, mesmo que aparentemente exponham racionalizações eficientes, como “a pobreza no mundo”, a “violência urbana”, “as dificuldades crescentes no capitalismo” e etc. Entretanto, questionar racionalmente orientações que não são produzidas pela razão só poderá trazer como resposta uma frágil explicação encobridora. A razão verdadeira para ter – ou não – filhos está escondida nos estratos mais profundos do inconsciente.

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Arquivado em Pensamentos

Aplausos

Quando aplaudimos as arbitrariedades de um mero Ministro do Supremo como Alexandre – cujo poder não é popular, não passa pelo voto e que foi colocado nessa posição por um golpista – estamos aplaudindo o fim das liberdades e da democracia, o poder que emana do povo. O que agora nos parece benéfico (a derrota de um asqueroso e maléfico bilionário fascista como Elon Musk) em um futuro próximo (ali na esquina, podem apostar) será contra a esquerda, com uma canetada, contra Lula ou contra o PT, contra a liberdade de protestar, contra os partidos revolucionários (como sempre ocorre), contra os comunistas e contra a imensa maioria do povo brasileiro. Colocar um poder ilimitado nas mãos de um autoritário como Alexandre de Moraes é uma temeridade inadmissível. Nossa memória recente nos apresenta inúmeras vezes nas quais, diante dos dilemas da interpretação adequada da lei, o Supremo Tribunal Federal se manteve ao lado da burguesia brasileira e contra a escolha legítima do povo por seus representantes. Foi assim também no golpe de 64, na deposição injustificável da presidenta Dilma e na prisão de Lula.

Não esqueçam que Alexandre de Moraes foi o secretário de justiça do Estado de São Paulo que, em um ato de extremo oportunismo e hipocrisia, protagonizou um espetáculo onde cortava pés de maconha vestido como uma variante sem cabelo do Rambo. Esse foi o sujeito que manteve Lula preso para facilitar a vitória da extrema direita, mesmo contra o artigo 5o da Constituição. Foi ele quem tirou os canais do PCO do ar sem qualquer justificativa – a não ser por encontrar neles muitas críticas contundentes à sua atuação. Apostar em Alexandre de Moraes como “protagonista” da democracia ou das liberdades é uma tolice imensa – tão equivocado quanto apostar em Sergio Moro como “guerreiro anticorrupção”, ou acreditar nos paladinos do Ministério Público (Deltan & Cia) como “ilibados defensores da lisura administrativa”. A tarefa dos Ministros do Supremo se restringe apenas a fazer com que se cumpra a lei, não inventar novos regramentos baseados em sua particular visão de mundo ou interpretar as leis já existentes de acordo com interesses pouco republicanos das classes dominantes. Quando a vítima for a esquerda – repito, apenas aguardem – para quem vamos reclamar? Vamos questionar a perda dos nossos direitos para este mesmo poder supremo que inventa leis e espreme a constituição para tirar dela o que lhe interessa? Será que, mais breve do que esperamos, estaremos escutando um sonoro “Eu avisei!!” pela nossa insistência em oferecer poder a quem não pode ser questionado?

A liberdade não desaparece com lágrimas; como um por do sol no Arpoador, ela morre sob aplausos.

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Arquivado em Causa Operária, Política