Arquivo da categoria: Citações

Proibições

Proibir os comentários perversos e ofensivos da internet acreditando que isso possa “limpar” o ambiente das redes sociais é o mesmo que passar massa e tinta nova nas rachaduras da casa imaginando que assim ela ficará mais firme e segura. Prefiro combater os monstros no claro do que escondidos na escuridão do silêncio. A censura nunca é boa para a verdade, mas pode ser útil para quem usa a falsidade e a mentira como ferramentas. Como diria Douglas Hawthorne, “Se há uma virtude nas redes sociais esta é a capacidade de mostrar a feiura que a hipocrisia esconde“.

Admoeser Rufus, personal communication

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Ermitão

Você não veio sozinha ao mundo, não sobrevive sozinha, precisa dos outros para manter-se e não se completa; a ideia de que “eu me basto” é arrogante. O ser humano é gregário muito mais por necessidade do que por desejo. Somos frágeis quando solitários, e nosso estrutura psíquica está estruturada para uma vida colaborativa. Cada ser que nasce é auxiliado por dezenas de pessoas, basta imaginar a família, as parteiras, os amigos, todos colaborando, como em um grande círculo de proteção para garantir nossa existência. “É preciso uma vila para cuidar de uma criança”. Assim, nascemos endividados com toda a comunidade que nos amparou.

A solidão nunca é opcional, pois ela representa o sofrimento que nos afeta por estarmos sós, mas a escolha pelo recolhimento não implica necessariamente em solidão. Todavia, mesmo o mais ermitão do humanos precisou de uma imensa multidão de almas para conquistar seu isolamento, já que apenas para criar seu corpo físico milhares de outros humanos contribuíram com sua genética.

Alexei Vodanov, “Pavlov and the first spark”, Ed. Parisien, pág. 135

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Brega

Não haveria amor sem declarações rasgadas e tolas. Todo amor é brega, porque amar é fragilizar-se, reconhecer seu desejo, aceitar sua incompletude. E cada vez que além declara seu amor brega, em uma estrela distante, de uma galáxia fugidia, uma cigarra cintilante começa a cantar uma música do Amado Batista.

Yendis Lahgam, “Amor e seus Confins” Ed. Parole, pág 135

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Felicidade

A alegria explícita em um mundo que exalta a depressão é vista como uma forma de subversão ao modelo social. Ser feliz agride frontalmente um sistema baseado no consumo, porque é evidente que as pessoas felizes não tem buracos a preencher com coisas compradas. Toda a propaganda procura lhe tornar infeliz, mostrando o quanto a falta de objetos lhe diminui e oprime. Com isso poluímos a existência com bugigangas, penduricalhos, tralhas pesadas que carregamos com pesar e esforço. A felicidade, entendida como a disciplina dos desejos e a valorização dos afetos, é a forma mais efetiva de libertação espiritual, muito mais do que qualquer religião ou fortuna.

Agnes Edwiges Stanton, “A River for every Bridge”, Ed. Sampaoli, pag. 135

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Pontes

Como é curiosa e perfeita a sabedoria da natureza, que faz correr um curso de água por baixo de cada ponte construída.

Edouard Lefay “Quotes from the underworld”, Ed. Sullivan, pág 135

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Misandria

Deveria o feminismo repetir os erros do machismo?

A imensa maioria dos homens daria a vida para proteger a vida de uma mulher, fosse ela sua esposa, mãe, filha ou mesmo uma desconhecida. É isso que nos demonstra a história da humanidade e nosso entorno. Sim, existem canalhas espancadores e abusadores, mas apenas uma parcela ínfima e insignificante de homens desprezaria os códigos masculinos e machucaria uma mulher. Ainda assim, existem aqueles que desejam acreditar que esta “franja maldita” de homens feridos seja o retrato da própria masculinidade.

Toda a civilização foi construída por homens objetivando proteger as mulheres e seus filhos. Olhem ao redor e vejam as maravilhas criadas pela engenhosidade masculina e observem como são usadas para o bem de todos, homens e mulheres. A frase “mulheres e crianças primeiro” deveria fazer soar um sino de alerta. Quem a disse, e repetiu por milênios, não o fez por amor às mulheres e seus significados no mundo? Se existem homens perversos e cruéis com as mulheres – por certo uma minoria – por que não haveria o mesmo número de mulheres a odiar, desprezar, torturar e desconsiderar os homens? Ou por acaso devemos acreditar que as mulheres são mais doces, amorosas, nobres e dignas que os homens? Seriam elas mais inteligentes? E se disséssemos isso de negros em relação aos brancos, não seria esse um preconceito malsão e inaceitável? Por que aceitamos para os gêneros o que repudiamos nas “raças”?

Mulheres e homens compartilham as mesmas virtudes morais e intelectuais, mas também as mesmas tragédias e dramas, determinados pela condição humana. Querer determinar um gênero mais inteligente, capaz ou honesto que outro – elementos da essência moral e intelectual da humanidade – é um erro grosseiro, que apenas estimula ódio e divisionismo. Quando esta divisão foi aplicada às raças produziu o holocausto, e hoje quando é usada para tratar um gênero como superior ao outro apenas atrasa as propostas de um entendimento mais equânime e justo.

Esse ódio aos homens precisa parar.

Maggie Maxwell Wilkinson, “The Spirit of Innovation”, Ed. Oxford Press, pág 135

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Emaranhado

Machado de Assis também estava errado ao dizer que “o ladrão já nasce feito”, e que a ocasião apenas oportuniza o crime. Essa proposta é de um essencialismo brutal e imobilizante pois, se admitirmos que o caráter é inato, infenso aos condicionantes sociais e às necessidades artificiais criadas pelas sociedades de classe, então teremos de aceitar os determinismos lombrosianos de que o caráter deformado é uma marca de nascença, e nenhum processo educativo seria possível.

Não aceito esta perspectiva, e creio mesmo que a ocasião também faz o ladrão. Basta uma leve investigação no mundo ao seu redor para perceber que muitos sujeitos de caráter dúbio atravessam a existência com aparência de honestos apenas porque a ocasião adequada não lhes foi ofertada pelo destino. Outros, sucumbem à pressão dos desejos e se atiram nos atalhos da vida, mas suas falhas apenas se tornam escândalo quando a porta da oportunidade se abre. Prefiro crer que entre o Santo e o Criminoso se ergue um tênue e translúcido véu, onde o acaso têm um fator preponderante em sua tessitura, e que a razão para suas rotas divergentes se esconde no emaranhado de escolhas e circunstâncias que os envolvem.

Dionélio Souza Ribeiro, “Encruzilhada das Letras”, Ed. Panteão, pág 135

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Genialidade

Eu penso que todas as coisas que já fiz, tanto as “boas” quanto as “ruins”, são basicamente sintomas, fenômenos adaptativos psíquicos aos dilemas, dramas, tragédias e desafios que a vida me apresentou. Ou seja: pouco foi realmente produzido por uma inquestionável virtude ou esforço; quase tudo veio como resposta a uma inquietude, um desconforto ou uma dor.

Também vejo o quanto isso ocorre com quase todo mundo; aquele sujeito especial, capacitado ou mesmo genial provavelmente criou suas habilidades e talentos a partir de buracos, faltas, vazios que geraram mecanismos compensatórios muitas vezes plenamente inconscientes. Algo parecido com a vida de vários pensadores europeus, muitos deles feridos pela gigantesca falha afetiva causada pela perda precoce do pai em suas vidas.

Desta forma, a genialidade humana seria muito mais obra das desgraças – grandes ou pequenas – que se abatem sobre nós, agindo como a irritação da areia no interior das ostras, que acaba por provocar nelas a produção das tão admiradas pérolas. Resta reconhecer que somos o produto das nossas quedas tropeços e erros; o resultado do que fazemos de nossas dores

Marie Thérèse D’Arvigny, “La Fleur Cachée”, Ed. Roche-Ambroise, pág. 135

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Homeostase

As doenças/distúrbios/transtornos que as crianças manifestam é o que melhor conseguem fazer para a solução dos seus problemas – a maioria deles inéditos em suas curtas vidas. Por mais erráticos que possam ser os sintomas, eles representam a suprema luta da energia vital no sentido de promover a homeostase. O mesmo acontece com os adultos, porém a emergência dos mecanismos de adaptação racional oferecem uma amplitude maior aos mecanismos de defesa. De uma forma geral, qualquer doença tem essa característica: a tentativa de produzir adaptações psíquicas e fisiopatológicas às inúmeras agressões externas às quais somos submetidos durante o transcurso da vida.

Rabindranat Gupta, “स्वास्थ्य के पतले जाल”, (As Finas Teias da Saúde), Ed. Ganges pág 135

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Crenças

A crença em uma vida futura não é mesmo uma questão de escolha. Imaginar ser possível educar alguém para aderir ao ateísmo ou às crenças de sobrevivência de um princípio espiritual é ilusório. Acreditar em uma vida que não se esgota na matéria densa é um sentimento, não uma construção racional; sua negação também. Assim, as pesquisas em um sentido ou outro apenas reforçam ou refutam estas crenças para os sujeitos já conectados a estas perspectivas. Atacar os polos deste matiz – os crentes e os niilistas – tratando-os como estúpidos ou ingênuos é injusto e inadequado e, para mim, tem o mesmo sentido de criticar a orientação sexual de alguém usando argumentos racionais. Resta o fato de que a postura agnóstica é a mais honesta de todas: não sei os mistérios do mundo e da vida, do infinito e da morte. Portanto, não é justo ser definitivo sobre o que desconhecemos e muito menos ser peremptório sobre a imensidão do que ignoramos.

Rev. Augustus Margolyes, “Das Incertezas Inóspitas”, Ed. Paulines, pág. 135

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