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Casamento

Na verdade eu acho que ainda é arriscado colocar “amor” e “casamento” na mesma frase quando estamos olhando para figuras da história. Essas instituições milenares não podem ser analisadas pelo prisma do “amor”, e por isso acredito ser justo colocar esta palavra entre aspas quando ela é analisada na perspectiva do tempo. Relações amorosas a unir as pessoas são um acontecimento recentíssimo na história da humanidade, algo de poucas gerações apenas.

Aliás, o casamento enquanto estrutura social sempre foi bastante estável, mas o grande responsável pela sua destruição foi o próprio amor. Enquanto o amor era dedicado a outras coisas – filhos, por exemplo – o casamento enquanto instituição estava a salvo. Foi sua entrada na equação dos encontros sociais o deflagrador da sua ruína, o desmanche do sólido castelo construído desde o início do patriarcado.

O amor e suas consequências significam a destruição dos casamentos. Se estabilidade social fosse um objetivo a buscar ele deveria ter se mantido na forma protocolar e insípida como foi 99% do tempo em que vivemos na terra.

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Tristeza

Quem acredita nessas ideias deve pensar que ninguém se suicida em Paris ou São Petersburgo. Talvez ache que estar deprimido numa favela ou trancado num quarto em Dubai faz alguma diferença (desde que tenha as necessidades básicas supridas). Não romantizem a pobreza, mas também não idealizem a riqueza, acreditando que a posse de bugigangas possa livrar alguém de tormentos e sofrimentos psíquicos.

Quem já sofreu desse mal, ou já teve alguém ao lado sofrendo de depressão, pôde perceber que a sedução das alegrias externas não os afeta. Quem diz que curaria sua depressão com uma visita ao shopping, uma viagem à Europa ou uma casa melhor não está deprimido; está apenas sofrendo de capitalismo.

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Dinheiro e Felicidade

Dinheiro realmente não compra felicidade, mas via de regra precisa ter muito dinheiro para perceber isso. Que o digam os ricos que se suicidam e destroem a sua vida tão logo se enchem de dinheiro. Gosto da frase que diz “Ele era tão miserável que não possuía nada além de dinheiro”. Freud deixava claro que a felicidade é a realização de um desejo infantil e para as crianças o dinheiro não existe. Portanto, não há como ser feliz acumulando-o, pois que eles nada significam para elas. Todas as queixas se baseiam em uma série de frustrações que ocorrem pela falta de condições econômicas, sem reconhecer que, uma vez que estas sejam eliminadas, outras chegam para ocupar seu lugar.

As necessidades são limitadas, enquanto os desejos são infinitos. Por necessidades entendemos aquilo que nos mantém vivos e funcionais: comer, beber, dormir, ter abrigo, receber afeto. Comprar um carro, uma casa maior ou roupas melhores não são necessidades, mas desejos, e estes são como as múltiplas cabeças da Hidra de Lerna da mitologia grega; para cada cabeça destruída com o consumo, outras duas aparecem em seu lugar.

Por outro lado, afirmar que o dinheiro não traz a felicidade não significa uma elegia à pobreza. Pelo contrário, apenas deixa claro que todo aquele que procura dinheiro com o claro objetivo de se tornar feliz estará trilhando uma rota de inequívoca frustração.

Aliás, na percepção de Freud, o nome que damos a realização de uma fantasia é “pesadelo”. Todavia, a abundância e a satisfação dos desejos não deve ser considerado algo maligno ou perverso em si, e nem deve ser tratado como tal, porém é extremamente perigoso acreditar que o acesso aos bens de gozo material pode produzir em alguém a almejada felicidade.

Talvez o mais sábio seja mesmo ser feliz com tudo o que a vida oferece gratuitamente.

(Pervert’s Guide to Cinema, Slavoj Zizek fala sobre Vertigo – “Um Corpo que Cai”)

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Faturas

As vezes penso que as alegrias que a vida oferece nada mais são do que adiantamentos da Deusa Álea – a divindade das incertezas – com a garantia de uma futura cobrança, em um jogo de soma zero onde para cada felicidade momentânea conquistada surgiria no futuro uma fatura a pagar com juros de tristeza, dor e decepção.

Por isso a culpa; por isto nenhum gozo é livre. Um freio que se puxa diante do sorriso dos miúdos, do convívio, no compartilhar, na imensa fortuna de assistir uma criança abrindo os olhos ao mundo, enquanto você, ali ao lado, assiste os milagres brotando diante dos seus olhos incrédulos.

E depois o medo e a tristeza de lembrar que a conta tem de fechar, que esta dívida precisa ser paga, zerada, e que é preciso a dor, a miséria e a penitência caso queira sorver da vida o que ela pode lhe dar.

A culpa pelo prazer é dos maiores fardos. Livrar -se desse peso é uma tarefa estupenda, cujo esforço por vezes ocupa uma vida inteira.

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Dinheiro

Dinheiro não traz mesmo felicidade, mas por certo pode apaziguar angústias, desde que sejam do tipo que podem ser pagas ou compradas. E, realmente, não cabe romantizar a miséria, pois que não deve ser positivo viver seu cotidiano lutando pela mera sobrevivência.

Da mesma forma também não cabe romantizar o dinheiro e a abundância, pois não há pessoa mais miserável que um sujeito tão pobre que nada possui além de dinheiro.

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