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Whistleblower

A “whistleblower” do Facebook nada mais é que mais uma dessas figuras patéticas do século XXI que fazem sucesso por apoiar censura em nome da “proteção das adolescentes”. Que a mão pesada da democracia seja dura com você. Eu pergunto: quando é que vamos ultrapassar essa fase absurda de proteger com autoritarismo e censura os sentimentos feridos de adolescentes feitos de açúcar?

E aqui no Brasil a esquerda está LOTADA de gente que acha a censura algo tipo… “veja bem, eu sou contra, mas você tem que entender que nos tempos de hoje, por favor, acredite, sou contra censurar, mas as fake news, precisamos fazer algo”.

Estamos deixando que algo que era padrão OURO nas reivindicações da minha juventude – a liberdade de expressão, e inclusive a liberdade de ser ofensivo e mal educado – seja colocado debaixo do tapete em nome dos sentimentos de uma geração floco de neve.

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Jumanji

É

curioso que, quando se trata de defender a liberdade, a extrema esquerda e a extrema direita se aproximam. Quem aceita escamotear as liberdades em nome de uma pretensa proteção de certos grupos são os direitistas e os liberais, exatamente o solo fértil que permite o identitarismo florescer.

Exemplo de proximidade das extremas: a liberdade de ser ofensivo.

Triste, mas ainda assim é muito engraçado. A esquerda liberal americana agora usa como mote para as massas: Trust science = shut up and obey.

Isto é: a direita é que se coloca como revolucionária e anti sistema, enquanto a esquerda aceita passivamente as vozes de autoridade. Não admira que esta esquerda esteja perdendo jovens para a perspectiva da direita, que oferece a oportunidade de enfrentamento – e mudança – da ordem estabelecida e com um discurso muito mais “propositivo”. A pandemia – e o medo – nos tornou acomodados, passivos espectadores da festa da BigPharma e das atitudes opressivas e autoritárias.

Eu não deveria me surpreender, mas quem está namorando com a ideia da censura agora é a esquerda. Afinal, “as fake news podem causar danos incalculáveis”. Vejo isso e sinto calafrios, e acho engraçado porque para mim é inevitável que apareçam algumas analogias assustadoras. Apelem para a memória e recordem que inúmeras histórias de aventura juvenil começam com esse “plot” – ao estilo Jumanji, A Múmia, Indiana Jones, Superman (zona fantasma!!), Jungle Cruise e uns 50 outros que me vem à lembrança.

A trama é simples: garotos de bom coração, movidos pela ingenuidade ou por pura curiosidade, abrem uma caixa, um jogo, uma porta, uma tumba, entram numa casa abandonada, esfregam uma lamparina ou qualquer outra atitude banal. Imediatamente, esta ação desperta o terrível mal que estava adormecido há séculos, às vezes milênios, que volta para espalhar horror e vingança. O resto do filme se resume à tarefa de botar o monstro de volta no lugar de onde escapou.

Colocamos a censura dentro da caixa após a ditadura brutal e assassina de 1964. Achamos que estávamos seguros e havíamos aprendido com o terror e as mortes. Pura ingenuidade. Como no filme Jumanji, a caixa agora faz “tum-tum, tum-tum, tum-tum”, batendo como um coração ansioso e apressado.

Agora, depois de uma chuva de mentiras e falsidades que mudaram o rumo das eleições aqui, nos Estados Unidos e em outros países, colocando idiotas, psicopatas e autoritários no poder, estamos de novo pensando em soltar o monstro da censura de dentro de sua cela. A justificativa é boa: não podemos permitir que “mentiras circulem livremente”. Ora… em 1964 a justificativa era a mesma, e aposto que feita de bom coração. Para eles, a “mentira do comunismo” deveria parar de transitar na mente dos jovens.

Fico com essa curiosidade: quem será a Solange Hernandez (madrinha da censura nos anos 60-70) do século XXI para decidir o que é – ou não – mentira? Quando a censura poderá ser usada? Quem serão os notáveis a decidir? Serão eleitos ou deixaremos os CEOs do Facebook escolherem por nós? Suas escolhas serão livres (ra ra ra) ou moduladas pelos interesses das empresas que os financiam? Quem controlará os “fact checkers”?

“Ah, mas agora os tempos são outros. As fake news podem matar milhares de pessoas no mundo todo”. Pois eu afirmo que a falta de debate e criminalização do contraditório, onde “verdades científicas” passam a ser tratadas como dogmas religiosos, tem a potencialidade de matar muito mais. Aceitar mordaças na área da ciência é atacar a estrutura central que a sustenta.

Nos filmes de aventura a libertação do monstro ocorre nos primeiros 10 minutos; todo o resto da película é gasto na sua difícil captura. Se aceitarmos a censura mais uma vez achando que ela vai nos ajudar, podem ter certeza que teremos de novo duas décadas tentando colocá-la de novo na prisão, de onde não deveria jamais ter saído, por melhores que sejam – ontem e hoje – as razões para soltá-la.

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Pensamento monolítico

Sabe qual era um dos grandes slogans da minha juventude na luta contra a ditadura militar dos anos 60-80?

“ABAIXO A CENSURA”

Pois há alguns dias o YouTube CENSUROU milhares de páginas e canais que traziam uma visão crítica, alternativa, questionadora ou explicitamente contrária às vacinas. Assim, falar de vacinas fora da linha OFICIAL passa a ser algo passível de bloqueio e censura. Uma espécie de MacCartismo da indústria farmacêutica, que visa impedir o choque de perspectivas. Vi gente da área da ciência e da Academia aplaudindo…

A política de censura não tem nada de progressista, nada de avançada e nada a favor da saúde pública. Trata-se de criar um pensamento MONOLÍTICO, e que não vem de agora, pois iniciou-se lá atrás com a censura ao Trump, mas quando ocorreu todo mundo comemorou ou deu risadinhas debochadas. Pois agora as BigTechs decidem que um tema científico como vacinação não pode aceitar visões conflitantes, e a desculpa que usam para reavivar a censura são as MESMAS utilizadas pelos macartistas nos Estados Unidos para perseguir comunistas: é necessário em nome da segurança do povo, perigo eminente, disseminação de mentiras, etc.

Os meios de comunicação estabelecem, assim, uma DITADURA DAS COMUNICAÇÕES, e vendem estas atitudes como sendo ações para derrubar o “negacionismo” e a favor da “ciência”. Peço apenas que lembrem que proibições e visões únicas não combinam com ciência, a qual se baseia em choques e contraditórios. Não há produção científica sem conflito de ideias e disputas sobre pontos de vista.

A censura acaba com qualquer debate, e apenas denuncia que os grandes conglomerados de informação internacional – Google, Facebook, Twitter, YouTube – associados às grandes indústrias farmacêuticas podem fazer o que bem entenderem, inclusive ressuscitar a censura no mundo – e ainda fazer muita gente acreditar que é para o bem de todos.

Não quero debater validade das vacinas, mas esta censura provavelmente vai produzir um efeito oposto em médio prazo. No início o silêncio, mas depois muita gente vai se interessar por um tema que foi proibido pelos grandes conglomerados capitalistas do mundo.

Será que dentro de poucos anos teremos que voltar a exigir o fim da censura? Hoje é a vacina, amanhã será o comunismo, o socialismo, a liberação das drogas, o aborto livre etc. Vamos aceitar estas imposições e continuar quietos?

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Sobre o humor

É curioso ver o quanto o humor é atacado nos tempos atuais, em especial porque em tempos de identitarismos e de cancelamentos os próprios humoristas tiveram que refrear sua propensão a fazer piadas sobre tudo e todos. A grande queixa é que o humor “pode ferir as pessoas” e os humoristas não deveriam fazer de sua arte uma arma para gerar sofrimento, exclusão, preconceito e divisões.

Parece justo, desde que se entenda a diferença entre piada e “humor bullying”. Existe entre elas uma diferença muito grande que poucas pessoas – até mesmo por oportunismo – se negam a ver. É possível – e eu diria, é necessário – fazer piada com QUALQUER coisa. Sim, inclusive mortes de crianças, câncer, tragédias e até abusos, desde que o texto do gracejo respeite o CONTEXTO. A piada não pode ser o veículo que carrega o preconceito. Ela não pode ser usada para que uma mensagem obtusa, excludente ou claramente ofensiva seja levada adiante sem pagar o preço de uma posição aberta e estampada. “Ah, relaxa, é só uma piada”, frequentemente é usado para esconder uma manifestação de puro racismo, sexismo, lgbtfobia, preconceito de classe, etc. O humor não deveria se prestar para isso, mas para quebrar a arrogância que cada um constrói sobre si mesmo ou o grupo ao qual pertence.

O HUMOR É SAGRADO e eu não acho que existam etnias, gêneros, comportamentos ou orientações sexuais que possam exigir isenção à acidez natural e benéfica de uma piada. Um chiste humaniza a todos nós, mostrando nossas quedas, falhas, desacertos e aspectos ridículos. Nos reinos antigos o Menestrel tinha pleno direito de fazer gracejos com o Rei e sua família, porque assim humanizado o povo se sentia mais próximo dele – e assim podia ser mais facilmente manipulado e roubado.

Portanto, creio ser importante garantir o direito à piada, ao gracejo e ao humor… sobre QUALQUER coisa, sem limites (a não ser os legais, se houver) e sem censura. Como diria um famoso piadista americano quando perguntado se era possível fazer piada com “câncer infantil”, sua resposta foi excelente: “Claro que pode, mas é melhor que seja muito boa”. Ele dizia que tocar em um ponto tão delicado como este para fazer humor é possível, mas é importante que a qualidade da piada e seu contexto sejam tão bons a ponto de romper a barreira que naturalmente usamos para nos defender destes temas.

Aliás, para mim um dos piores tipos de exclusão em um grupo é saber que meus iguais se negam a fazer gracejos a meu respeito apenas porque acham que minha condição – seja ela qual for – me impediria de rir de mim mesmo.

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Censura gringa

Dar a uma empresa americana o direito de censurar o que se fala no Brasil é uma tolice inaceitável e uma ação suicida. Uma burrice e um tiro no pé. Hoje é o idiota propagador de Fake News, mas amanhã será alguém da esquerda por liderar uma marcha contra o governo. Aplaudir esse cancelamento é como elogiar o Bonner por bater no Bolsonaro.

“Cria cuervos y ellos te comerán los ojos”

Nossa esquerda está recheada de liberais que não conseguem perceber a estupidez de armar os inimigos. Festejar ações do judiciário (como muitos fizeram com as ações de Moro na Lava Jato) ou das empresas americanas de mídia só porque circunstancialmente nos beneficiam é uma declaração inacreditável de imaturidade política.

Se você acha que o Alan dos Santos passou dos limites que seja julgado pela justiça brasileira e não por burocratas do Vale do Silício (ou gente contratada por eles). Se ele cometeu crimes que a lei brasileira o puna, mas que não seja apagado pelos critérios morais do Mark Zuckerberg!!!

Pessoas que lutam contra o apartheid de Israel e contra o genocídio palestino são continuamente censuradas no YouTube e no Facebook, sendo tratadas como “terroristas”, apenas porque o dono do Facebook é conhecido apoiador do estado de Israel. Mesmo os pacifistas são cancelados!!! A liberdade de expressão não pode estar sujeita ao humor e às paixões de um ou outro milionário.

Entendem agora como é grave dar a estes caras o poder de escolher quem eles “cancelam” e quem promovem?

Acordem liberais.

Os liberais infiltrados na esquerda são uma praga. Defensores da censura deveriam voltar para a escola para entender que nossa soberania não pode ser entregue a um fascistinha americano para ELE decidir o que pode ou não ser publicado aqui.

Se as TVs não podem falar o que quiserem – por serem concessões públicas – porque não usar a mesma regra para o Facebook? Por que permitir que uma narrativa americana e imperialista controle as mentes dos brasileiros?

Muitos agora se aprisionam à figura nefasta do Alan dos Santos e não conseguem perceber o monstro da censura gringa que está por trás. No esqueçam que Alan dos Santos é bolsonarista e trumpista, e todas as Big Techs do Vale do Silício apoiaram Biden. Não se pode admitir ingenuidade nessa guerra de narrativas.

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