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Apartheid

racismo

Para alguns é difícil compreender a diferença entre racismo institucionalizado e racismo como excrescência cultural. É realmente difícil explicar isso para quem se nega a enxergar a potência de uma norma institucional. Para muitos a promulgação da Lei Áurea não precisava ter acontecido, e poderíamos ter banheiros, escolas, cinemas e ônibus separados para brancos e pretos, afinal… não faz diferença alguma se estiver na lei ou nos costumes, não é?

Para estes mesmos, a luta de Martin Luther King foi inútil porque a polícia americana continua matando mais negros do que brancos. Portanto, se o racismo existe, porque não regulamentá-lo? (entendam a ironia, pelo amor de Deus)

Mandela? Pffff… um inútil idiota. Afinal, para que toda a sua luta, que consumiu uma vida inteira, para acabar com o racismo se a economia ainda hoje continua na mão dos brancos africaners?

Muitos, municiados por estas falácias, se negam a enxergar a força simbólica das leis. Mudá-las, em direção à justiça social, é um motor poderoso na direção da paz e da equidade.

Eu fico espantado com o quanto existe de gente de bem que nunca percebeu que as leis discriminatórias produzem uma MARCA na sociedade, uma “mancha” que é muito mais grave do que a existência de uma cultura ainda discriminatória e injusta por força da inércia de seus preconceitos. Não perceber essa diferença é grave, pois produz uma equalização TOLA. “Ah, já que o Brasil é racista e os Estados Unidos também, qual o problema de criarmos leis que separam as raças?“. Ou então: “Ah, já que Israel tem Apartheid, qual o problema de fazermos isso também com nossos índios e aplicarmos um genocídio LEGAL aos povos nativos?

Não entender essa diferença é a faísca da selvageria e da brutalidade, a qual facilmente acende os piores instintos fascistas.

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Palavras e Palestina

Palestinas

Minha proposta é mudar as palavras e a forma de nos reportarmos aos problemas entre israelenses e palestinos, e isso pode ser um bom começo. NÃO EXISTE “conflito” entre esses dois polos em disputa, da mesma forma como não havia conflito entre nazistas e judeus na Alemanha de Hitler. Para que haja um conflito é necessário que ocorra uma paridade relativa de forças, o que evidentemente não havia no Holocausto e também não ocorria na vigência do Apartheid na África do Sul. Os nazistas massacraram os judeus neste período negro da história, assim como a população branca sul-africana oprimiu por décadas os negros que lá viviam. A mesma situação de disparidade de forças ocorre no Oriente Médio onde um povo sem exército, sem armamento, e sem condições mínimas de vida é subjugado há 70 anos por um grupo invasor que se apossou de suas terras e tem um dos exércitos mais poderosos do mundo. Desta mesma forma, a ocupação da Palestina e o aprisionamento a céu aberto dos Palestinos em Gaza e Cisjordânia não podem se configurar “conflitos”, mas sistemas claros de opressão contra uma sociedade e um povo.

“Segundo Norberto Bobbio, pode-se definir conflito a partir de seus componentes. “Existe um acordo sobre o fato de que o conflito é uma forma de interação entre indivíduos, grupos, organizações e coletividades que implica choques para o acesso e a distribuição de recursos escassos. No caso da guerra, fala-se não do conflito pessoal, mas do conflito social.

O conflito, em algumas escolas da sociologia, é enxergado como o desequilíbrio de forças do sistema social que deveria estar em repouso, isto é equilibrado, quanto à forças que o compõe. Segundo essa teoria, não se enxerga mais o grupo como uma relação harmônica entre órgãos, não suscetíveis de interferência externa.”

O conflito pode ser compreendido como “um despertar simultâneo de dois ou mais motivos que sejam incompatíveis” (R. Minadeo) e está associado a “situações onde a capacidade da sociedade em resolvê-lo por meio de mecanismos reguladores, tais como tribunais ou estruturas sociais (por exemplo, clãs) fracassou, e as partes envolvidas no mesmo recorrem à violência.”

Veja mais aqui sobre conflitos…

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