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Um assento reservado no Inferno

Cada vez que eu vejo a lavagem cerebral de gente que chama o Putin de “carniceiro”, “louco”, “assassino” por sua invasão à Ucrânia eu fico pensando o quanto estas percepções são criadas e disseminadas pela gigantesca máquina de propaganda que controla nossas mentes. Longe de ser apoiador de um direitista autoritário como Putin, tudo o que eu gostaria é que o presidente eleito da Federação Russa fosse julgado com a mesma régua com a qual os presidentes americanos são avaliados.

Até 6 de maio de 2022 o número oficial de mortes de civis da Guerra na Ucrânia era de of 4.253 (1.617 homens, 1,064 mulheres, 100 meninas, and 105 meninos, assim como 67 crianças e 1.300 adultos cujo sexo é desconhecido) – e um número quase igual de feridos. Sim, nos primeiros 100 dias de guerra houve um número de mortes igual àquelas produzidas pelo trânsito brasileiro no mesmo período – que mata em média 32 pessoas por dia em nossas ruas e estradas. Podemos dizer que os soldados russos – treinados para matar e defender – são mais cuidadosos com a vida alheia que os nossos motoristas.

Algumas agências clamam que os números são bem maiores, mas não oferecem dados alternativos confiáveis e comprovados. Mesmo que fosse o dobro dos números oficiais, ainda assim seria uma guerra em que existe uma óbvia preocupação em não matar, não destruir e uma tentativa obsessiva em preservar vidas.

Agora analisem as invasões americanas na Síria e Iraque, apenas para citar guerras recentes provocadas pelo Império onde é evidente um sentimento xenófobo e islamofóbico. A maioria dos americanos – mas também nós, as colônias – não tem noção do massacre ocorrido lá e acham que morreram “dezenas de milhares”. Isso está muito longe da verdade, pois como disse o general Tommy Frank – general responsável pela operação inicial de invasão – “não contamos corpos”, exatamente porque os inimigos do Império são sempre desumanizados, deixam de ser gente, não passam de baratas. Um bom filme sobre isso é “Hearts and Minds”, um espetacular documentário de 1974 sobre a brutalidade da guerra e a “necessária” desumanização dos inimigos, no caso os vietnamitas.

Na primeira semana da invasão do Iraque, com o claro objetivo de buscar uma posição geopolítica favorável e roubar petróleo, algumas estimativas apontam que foram mortos 80.000 iraquianos, usando uma mentira disseminada pelas redes de TV sobre “armas de destruição em massa!!” contada ao vivo pelo Secretário da defesa americano Collin Powell. O total de mortes desse massacre imperialista – que destruiu o país de onde surgiu a civilização humana – chega a 2.4 milhões de pessoas. Alguém acha que Putin poderia estar na mesma turma de seres humanos perversos onde estão Bush (pai e filho), Obama, Trump e Biden? “They’re not in the same league“. Na Síria a destruição foi a mais violenta possível por parte das forças aliadas à OTAN. Mercados centenários, mesquitas e templos religiosos reduzidos a pó; imagens obtidas por satélite mostraram uma violenta destruição em 290 locais históricos de todo o país. A ONU alertou que a guerra na Síria já destruiu 24 áreas consideradas Patrimônio Cultural da Humanidade e 104 sofreram danos profundos desde que o conflito teve início em 2011.

É preciso um mínimo de senso de proporção quando colocamos de um lado um autocrata de direita protegendo suas fronteiras de ameaças da OTAN e do outro assassinos perversos no comando de um Império decadente.

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Arquivado em Causa Operária, Política